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Consumo

Para quem gasta R$ 2,8 mil nos streamings, ter luxo é necessário

Teve quem já colocou no papel gasto mensal dos "plays" vida; na soma anual, dinheiro poderia até virar viagem

Por Raul Delvizio | 11/04/2021 09:53
Assinar os 10 principais serviços de streaming sair por R$ 285 mensais; no ano, isso equivale a 3 salários mínimos (Foto: Arquivo Pessoal)
Assinar os 10 principais serviços de streaming sair por R$ 285 mensais; no ano, isso equivale a 3 salários mínimos (Foto: Arquivo Pessoal)

Você já parou para pensar quanto gasta com aplicativos de filmes, jogos e músicas? Pois é, teve quem fez isso e a matemática sai cara: em 9 assinaturas, por exemplo, o valor mensal da cobrança sai por pouco mais de R$ 230. Se pensarmos no montante anual, com os R$ 2,8 mil extras que teria, seria perfeito para uma viagem a dois de fim de semana, uma reforminha simplificada na casa ou até completar o carro que você há tempos economiza.

É exatamente o caso da publicitária de 32 anos Jessica Barbosa Costa. Sozinha, ela paga por nove assinaturas – e ainda garante que divide na camaradagem com amigos e familiares.

Tem gente que não consegue ficar sem as assinaturas mensais, porém sabem que se trata de um "luxo" necessário (Foto: Arquivo Pessoal)
Tem gente que não consegue ficar sem as assinaturas mensais, porém sabem que se trata de um "luxo" necessário (Foto: Arquivo Pessoal)

"Amo de paixão filmes e séries e às vezes acontece de que a que eu quero só tem naquela plataforma específica. Fico pensando se já não tenho assinaturas o bastante, acho um custo elevado sim, mas confesso que ainda mais durante a pandemia, sem poder sair com os amigos, ir ao cinema ou tomar uma, não me arrependo do investimento de poder me divertir com o que eu quero na hora que tenho disponível", admite.

Mas não é só para ela que assina tantos pacotes de entretenimento, não. "Tenho uma filha de 3 anos e consigo limitar o acesso dela a diversos conteúdos inapropriados, sem que ela perca o acesso ao universo digital. Assim, nos divertimos juntas, mãe e filha", conta.

Filha de Jessica aponta para tela com o novo "Rei Leão"; para a mãe, streaming foi "salvação" (Foto: Arquivo Pessoal)
Filha de Jessica aponta para tela com o novo "Rei Leão"; para a mãe, streaming foi "salvação" (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Jessica os "plays" da vida ajudaram muito a espantar o tédio, porém confessa que ainda sente dificuldade em se concentrar – reflexo que justifica pela pandemia de covid-19. "Então eu me vi aumentando o número de assinaturas, mas não conseguindo assistir como tinha de expectativa", esclarece. Independente disso, ela diz ter noção do gasto mensal e que, por mais que ache um luxo, é um "luxo necessário" que consegue arcar.

Mas nem todo mundo é assim. A enquete do Lado B de ontem perguntou às pessoas se colocavam o valor no papel. Cerca de 66% afirmou que não, isto é, nem calculava o quanto estaria gastando. Já o restante, pouco mais de 33%, garantiu que a matemática era rigorosa, e o controle era na ponta do lápis.

É o que acontece com Vitória Junqueira. "Sempre penso nisso, especialmente depois que chega a fatura do cartão de crédito. Mas é preciso balancear e, de fato, se for uma prioridade, se organizar pra conseguir todo mês arcar com os gastos, está tudo bem. Lógico que para mim não deixa de ser um luxo – mas necessário. Não consigo abrir mão porque é meu principal entretenimento e lazer. A gente aperta alguma outra coisa, mas as assinaturas ficam sempre ativas!", brinca.

Vitória e Rafael no sofá de casa; registro feito antes de, provavelmente, uma sessão de seriado (Foto: Arquivo Pessoal)
Vitória e Rafael no sofá de casa; registro feito antes de, provavelmente, uma sessão de seriado (Foto: Arquivo Pessoal)

Sozinha, ela paga tanto o namorado quanto os próprios pais. "Infelizmente não recebo ajuda alguma para sustentar o vício! Apenas a companhia do meu namorado. Não me importo em compartilhar as senhas, porém, mesmo pagando o máximo de telas simultâneas disponíveis em cada pacote, às vezes acaba que tem pessoas penduradas antes de mim…", reclama.

Para apaziguar os ânimos, Rafael Candia, advogado de 27 anos e namorado de Vitória, agradece sua parceira: "amo ela ainda porque ela não só sustenta os meus vícios, mas até do meu pai que nessa pandemia se viu 'preso' ao Netflix", diz.

"Assistir filmes e séries com ela entra no top 3 das minhas coisas preferidas, mas confesso que a Vitória é no mínimo 100 vezes mais fã que eu! E olha que eu gosto muito mesmo", ressalta.

"Os streamings são meus melhores amigos, de verdade. Eu fico ansiosa para chegar em casa e assistir horas de algum documentário intrigante ou uma série repetida que me faz feliz. Na pandemia, não temos muitas outras opções diferentes de lazer, então, claro, isso acaba acentuada", pontua Vitória.

Resultado da enquete do Lado B deste último sábado, 10 de abril (Ilustração: Ricardo Gael)
Resultado da enquete do Lado B deste último sábado, 10 de abril (Ilustração: Ricardo Gael)

Ao somar os preços médios de assinatura dos 10 principais stremings no país, o brasileiro gastaria em média R$ 285 por mês para ter todas as possibilidades. Em um ano, isso dá um total de R$ 3.420. Pasme: o valor equivale a três salários-mínimos. Está bom para você?

Confira abaixo quanto sai cada assinatura:
(Preços apurados até o dia 11 de abril de 2021)

  • Amazon Prime – R$ 9,90
  • Apple TV – R$ 9,90
  • DirecTV Go – R$ 59,90
  • Disney+ – R$ 27,90
  • Globoplay – R$ 49,90
  • HBO GO – R$ 34,90
  • Netflix – R$ 45,90
  • Spotify – R$ 16,90
  • Wolo TV – R$ 8,99
  • YouTube – R$ 20,90

Nostalgia – Esquece tudo que é "play" da vida e vamos dar um pulinho no tempo. Nos anos 90, Jessica viveu a última década antes do novo milênio em sua plenitude – e sem Netflix, só videolocadora.

"Aquilo era uma aventura e parecia um mar de filmes que eu nunca conseguiria assistir, mesmo assim queria conferir todo o catálogo. Lembro que líamos as sinopse nas costas da fita VHS ao invés da internet, que hoje existem mil opiniões a respeito do mesmo filme", recorda.

Em cinema, Rafael se esconde atrás do saco de pipocas; na pandemia, jeito é se esconder dentro de casa (Foto: Arquivo Pessoal)
Em cinema, Rafael se esconde atrás do saco de pipocas; na pandemia, jeito é se esconder dentro de casa (Foto: Arquivo Pessoal)

Já Rafael conta uma história: "lembro bem que há 15 anos, minha avó tinha um cadastro em uma locadora de bairro próxima a minha casa. Mesmo após a morte dela, continuei utilizando seu nome para alugar filmes. Dá uma saudade desses tempos", reflete.

E nostalgia. "Eu amava ir até lá. Fazia parte do programa perder horas para escolher um único filme para levar. Mas é inegável que as coisas mudam e os tempos não são iguais. A gente aprende a amar coisas diferentes e a reciclar os hábitos. Hoje em dia ir, a locadora é algo inimaginável. E o que dizer sobre sair de casa pra escolher algo pra ver, então? Não, né. O controle tá do meu lado com muitas e muitas opções. Sinto saudade, mas são tempos que não voltaram. E atualmente, já me satisfaço com a sensação de abrir a página inicial das plataformas on-line", finaliza Vitória.

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