Férias aumentam risco de acidentes com crianças; veja cuidados
A boa notícia é que muitos desses acidentes podem ser evitados com cuidados simples
Férias escolares são sinônimo de descanso, brincadeiras e dias diferentes da rotina. Mas, enquanto as crianças aproveitam o tempo livre, pais e responsáveis precisam redobrar a atenção. É justamente nesse período que aumentam os casos de quedas, queimaduras, engasgos, intoxicações e afogamentos.
Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) mostram que, em 2024, 456 crianças e adolescentes de até 19 anos morreram em acidentes domésticos no Brasil. A principal causa foi relacionada a problemas acidentais de respiração, com 213 mortes. Depois aparecem os afogamentos, com 104 registros, além de acidentes com eletricidade, quedas e queimaduras.
A boa notícia é que muitos desses acidentes podem ser evitados com cuidados simples. Para o fisioterapeuta e enfermeiro André Luiz Hoffmann, especialista em urgência e emergência e instrutor da CoreHelp Educação e Saúde, o segredo é pensar como uma criança antes que ela encontre o perigo.
"Nas férias, a criança passa mais tempo em ambientes que nem sempre estão preparados para recebê-la. Por isso, é preciso olhar a casa, o local de passeio ou a hospedagem a partir da altura da criança, identificando riscos que muitas vezes passam despercebidos pelos adultos", orienta.
Pequenos cuidados fazem diferença
Em casa, vale conferir se janelas e escadas têm proteção, retirar tapetes que escorregam e deixar facas, tesouras, produtos de limpeza e objetos de vidro longe das mãos dos pequenos.
Na cozinha, a orientação é usar as bocas de trás do fogão, manter os cabos das panelas virados para dentro e nunca cozinhar com a criança no colo.
Outro cuidado importante é com objetos pequenos, que podem causar engasgo. Uma dica prática é usar o tubo do papel higiênico como referência: se o objeto passa por dentro dele, é pequeno demais para ficar ao alcance da criança.
Na hora das refeições, alimentos como uvas e ovos de codorna devem ser cortados no sentido do comprimento, nunca em rodelas.
Nas férias, o perigo também viaja
Os riscos aumentam quando a família sai da rotina. Casas de parentes, hotéis, chácaras e imóveis alugados nem sempre têm telas de proteção, tomadas protegidas ou medicamentos guardados em locais seguros.
A pediatra Danielle Priscila Mauro Hoffmann, também instrutora da CoreHelp Educação e Saúde e integrante da Sociedade Brasileira de Pediatria, explica que existe um erro muito comum nesses momentos.
"Um erro comum é acreditar que, por haver muitos adultos no ambiente, a criança está sendo observada. Em reuniões familiares, todos acham que alguém está cuidando, mas nem sempre há uma pessoa realmente responsável naquele momento. O ideal é definir quem fará a supervisão ativa da criança, especialmente perto da água", explica.
Piscinas, rios, cachoeiras e praias exigem atenção constante. O afogamento acontece de forma rápida e silenciosa. Por isso, a recomendação é que um adulto permaneça sempre a uma distância de um braço da criança dentro da água.
Especialistas também lembram que boias de braço não substituem a supervisão nem oferecem a mesma proteção de um colete salva-vidas adequado.
E se o acidente acontecer?
Mesmo com todos os cuidados, acidentes podem acontecer. Nesses casos, manter a calma faz toda a diferença. Em cortes, o ideal é lavar o local com água e sabão, fazer pressão com um pano limpo ou gaze para conter o sangramento e evitar receitas caseiras, como pó de café ou açúcar.
Se houver suspeita de fratura, o membro não deve ser movimentado. Já após uma batida na cabeça, sinais como desmaio, vômitos repetidos, muita sonolência, irritação intensa ou sangramento pelo nariz ou ouvido indicam que a criança precisa de atendimento médico imediato.
Nos casos de engasgo, a orientação muda conforme a situação. Se a criança consegue tossir ou chorar, o melhor é incentivar a tosse. Colocar o dedo na boca para tentar retirar o objeto pode piorar o problema. Se ela não consegue respirar, tossir ou emitir sons, é preciso iniciar as manobras de desobstrução e chamar socorro.
Em queimaduras, a recomendação é colocar a região atingida em água corrente fria por 10 a 15 minutos. Pasta de dente, manteiga, gelo, clara de ovo e outros produtos caseiros não devem ser usados.
Já em casos de intoxicação por medicamentos, produtos de limpeza ou plantas, o ideal é procurar atendimento imediatamente e levar a embalagem do produto.
Ter informação também salva vidas
Para passeios e viagens, especialistas recomendam carregar uma pequena maleta de primeiros socorros com gaze, curativos, esparadrapo, soro fisiológico, termômetro digital, tesoura sem ponta e pinça. Medicamentos só devem ser usados com orientação do pediatra.
Para André Hoffmann, o maior desafio durante uma emergência costuma ser controlar o nervosismo.
"O adulto precisa respirar fundo, avaliar se o ambiente está seguro, chamar ajuda e agir com firmeza. Muitas vezes, na tentativa de ajudar, as pessoas recorrem a mitos populares, como chacoalhar a criança, puxar algo da garganta sem enxergar ou aplicar produtos caseiros em queimaduras. Essas atitudes podem piorar o quadro", alerta.
O diretor da CoreHelp Educação e Saúde, Denis Corrêa, reforça que aprender primeiros socorros pode fazer diferença antes da chegada do atendimento especializado.
"Muitas vezes, quem está por perto é a primeira pessoa que pode ajudar. Saber reconhecer a gravidade, chamar socorro e iniciar as manobras corretas pode ser decisivo para salvar uma vida", afirma.


