Guitarrista resgata DNA da banda Metrô e lança música em festival
Artista fala sobre nova fase da carreira antes de show neste sábado, no Araruna Fest
Décadas depois de marcar a música brasileira com a banda Metrô, o guitarrista Alec Haiti volta ao palco com uma proposta que olha para trás sem ficar presa ao passado. Ele resgatou o DNA do grupo e lançará uma canção neste sábado (30), no Araruna Fest. O músico já esteve em Campo Grande na 1ª edição do festival, mas desta vez mostra ao público a música "Meus Segredos", com a cantora Érica Espíndola.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Ao Lado B, o artista conta sobre a nova fase da carreira, agora com músicas inéditas e um projeto que, segundo ele, reúne “passado, presente e futuro na mesma estação”, inclusive esse é o nome do projeto.
"A música se chama Meus Segredos’ e fica muito interessante porque ela parece que é uma continuidade do Metrô, daquele som, claro que mais de hoje, atualizado, mas tem um DNA lá".
A relação com esse DNA não é por acaso ou apenas estética. Alec lembra que esteve na origem da Gota Suspensa, banda de rock progressivo dos anos 1970. Depois, a mesma banda ganha uma repaginada e passa a se chamar Metrô.
"Faz um sucesso estrondoso. Emplacamos 6 hits em um LP, o que era muito para época. A gente acaba interrompendo porque a gente saía terça-feira e voltava domingo sem parar. Acabou que não aguentamos o tranco".
O guitarrista também recorda que Renato Russo ouviu o disco e ficou impactado com o resultado. Segundo Alec, o vocalista da Legião Urbana chegou a dizer que o grupo estava “10 anos à frente”.
Depois da primeira fase de sucesso, o Metrô ainda teve uma versão mais experimental, com o disco “Mão de Mal”. O 2º projeto da banda marca uma fase bem diferente do grupo: saiu a vocalista Virginie Boutaud e entrou o cantor.
Alec define o novo disco como um trabalho mais voltado ao art rock, distante do apelo pop da fase anterior. Para ele, o álbum foi uma resposta artística ao próprio sucesso da banda.
Depois houve uma pausa e, há 10 anos, o grupo se reuniu para comemorar 30 anos da banda. Apesar da tentativa de reunir novamente os antigos integrantes, Alec conta que a retomada não avançou com a formação original. Virginie mora na França, Ian vive em Jericoacoara, o baterista está no Rio de Janeiro e outros integrantes seguiram caminhos profissionais diferentes.
“Eu convidei, porque vai que folga, e eles falaram: ‘Putz, agora não’”, contou. Mesmo assim, Alec decidiu seguir adiante. O novo projeto nasce do desejo de continuar compondo e tocando. Ele afirma ter cerca de 50 músicas novas e diz que isso segue sendo o alento que ele precisa na vida. “Para mim, tocar é respirar. Se eu não toco, eu não fico bem”, afirmou.
Fora dos palcos, Alec mantém há 35 anos uma empresa de instrumentos musicais e áudio, atividade que garante seu sustento. Mas ele deixa claro que a empresa, sozinha, não substitui a música.
“Isso é uma coisa que me traz o meu sustento, mas não traz o meu eixo emocional”, disse. Ele já havia estado na Capital com o Metrô nos anos 1980 e voltou no ano passado para participar do primeiro Araruna.
Ao falar sobre o cenário musical atual, o guitarrista reconhece que a tecnologia democratizou a produção. Hoje, segundo ele, qualquer artista pode gravar em casa e fazer um bom som. O problema está em fazer esse trabalho chegar ao público.
Para Alec, há muitas bandas brasileiras interessantes em atividade, mas boa parte delas permanece presa em um “underground violento”, segundo ele. “O público sempre fala para mim: ‘Mas não tem mais nada legal hoje’. Eu falo: ‘Não, tem coisa boa para caramba, só que você nunca vai ouvir’”, disse.
Na avaliação do músico, o mercado atual concentra espaço em poucos estilos, especialmente sertanejo, funk, trap e pop. O restante, como rock e reggae, disputa uma fatia pequena da atenção do público e das plataformas. Mesmo diante desse cenário, Alec mantém o entusiasmo.
Festival
Araruna Fest reúne Frejat, Velho Jack e novos nomes do rock em Campo Grande. A 2ª edição do Araruna Fest será realizada neste sábado (30) no Bosque Expo, no Shopping Bosque dos Ipês. Os portões serão abertos às 17h30, dando início a uma programação com mais de 6 horas de música ao vivo.
O line-up reúne School of Rock, Érica Espíndola, O Bando do Velho Jack e Frejat, em uma mistura de artistas regionais, novas gerações e nomes conhecidos do rock nacional. Clemente Nascimento e Alec Haiti também tocam no festival.
A proposta é fortalecer a cena musical da Capital, aproximando diferentes públicos e fases do rock. Frejat apresenta o show “Frejat Ao Vivo”, com músicas da carreira solo e clássicos do período em que integrou o Barão Vermelho. ;






