Revoada Cultural ocupa o Centro e mostra arte além do sertanejo
Festival reuniu música, feira criativa, batalhas de rima e artistas locais
A arte ocupou o Centro de Campo Grande neste sábado com a primeira edição da Revoada Cultural, evento que transformou a Rua Maracaju, no cruzamento com a 14 de Julho, em um corredor de música, dança, teatro, feira e encontros. Em meio às apresentações no palco montado no Centro, o público também encontrou barracas de gastronomia, artesanato, brechó e economia criativa, em uma ocupação que devolveu movimento, cultura e diversidade para a região.
Criada para reunir diferentes expressões culturais em um mesmo espaço, a Revoada Cultural nasceu da proposta de democratizar o acesso à arte e levar programação gratuita à população. A ideia foi justamente transformar as ruas em espaços de convivência e aproximar artistas locais do público, além de incentivar o uso do Centro como espaço de lazer.
De acordo com o organizador Carlos Porto, a primeira edição reúne 24 horas de atividades culturais ininterruptas. A programação começou às 13h deste sábado e segue até a meia-noite de domingo, com atrações que vão do teatro à dança, passando por rock, rap, sertanejo e manifestações populares.
“São atividades diversas e a diversidade da cultura brasileira apresentada nos palcos. A oportunidade que as pessoas têm de ter acesso, nós estamos falando de acesso”, afirmou.
Segundo Carlos, cerca de 90% das atrações são formadas por artistas de Mato Grosso do Sul. Para ele, além do entretenimento, o evento também movimenta a economia criativa da cidade. “Gera emprego, renda, lazer, entretenimento e, acima de tudo, conhecimento através da arte e da cultura”, destacou.
Conforme ele, o projeto surgiu inspirado na ideia de devolver vida às ruas centrais da Capital por meio da cultura, incentivando o encontro entre diferentes públicos e fortalecendo artistas independentes. Nesta edição, mais de 40 atrações gratuitas passaram pelos palcos espalhados pela região central.
No meio do público, quem participou aprovou a mistura de estilos, tribos e gerações. A estudante Rafaeli Fonseca, de 20 anos, contou que já acompanhava os coletivos culturais pelas redes sociais e comemorou a chegada do evento.
“Eu acho que é uma ação que promove a gente ocupar espaços em Campo Grande e principalmente aqui no Centro da cidade. Todo mundo pode compartilhar um pouco da sua história, da sua cultura, das músicas e da sua arte”, comentou.
Ela também destacou a importância da mistura entre diferentes públicos. “A gente se constitui a partir da troca com o outro. O mundo já é tão sério, então um pouco de diversão também é muito bom”, pontuou.
Luane Fagundes Pereira, de 24 anos, comentou que conheceu a Revoada por causa da Batalha Delas, coletivo de batalhas de rima femininas que participou da programação.
“Me surpreendeu muito. Vou ficar aqui até o final porque achei muito legal. Campo Grande ainda precisa muito dessas iniciativas culturais”, afirmou.
Segundo ela, o evento ajuda a dar visibilidade para artistas locais. “Muitas pessoas tiveram oportunidade de conhecer artistas daqui que precisam disso”, relatou.
Entre os nomes da cena urbana presentes no evento estava o MC Raniel, conhecido nas batalhas como Manucity. Ele destacou que espaços como a Revoada ajudam a fortalecer o hip-hop e abrir portas para novos artistas.
“Por muito tempo foi muito difícil. Mas graças a algumas ações de pessoas específicas do nosso meio a gente conseguiu trazer muita coisa boa”, disse.
Raniel também celebrou a presença da Batalha Delas dentro da programação. “É a primeira vez que tem uma batalha só de mulheres e isso é muito legal”, afirmou. Para ele, a ocupação cultural ajuda a mostrar uma Campo Grande além do sertanejo. “Tem muito hip-hop aqui na cidade. Tem muito artista bom no rap e no trap que ninguém conhece”, finalizou.
Ao longo da noite, o cruzamento da Maracaju com a 14 de Julho virou ponto de encontro de skatistas, artistas, coletivos culturais, famílias e jovens que circularam pelas apresentações, rodas de conversa, batalhas de rima e feiras criativas.
No palco, letras sobre resistência, desigualdade social e periferia dividiram espaço com música regional, performances e manifestações culturais diversas.
O sucesso da estreia já fez a organização pensar na próxima edição. Segundo Carlos Porto, a expectativa é realizar uma nova Revoada Cultural em 2027. “Já estamos trabalhando para a segunda edição. Isso já demonstra que foi um sucesso”, afirmou.
Programação deste Domingo (31)
- 12h20 — Orquestra UFMS
- 12h55 — Marcelus e Marcela — Mar & Mar
- 13h50 — Lara Árabe + Kpop
- 14h20 — DJ Lady Afro
- 15h05 — Ana Lua e Pedro Espíndola
- 16h00 — Kalu
- 16h50 — Coletivo Soul Art
- 17h10 — Roda de Samba da Revoada
- 18h30 — Karla Coronel
- 19h30 — Forró Flor de Pequi + Rolê da Dança
- 20h30 — Coletivo Soul Art
- 20h50 — Beget de Lucena
- 21h55 — Gabriel Noah
- 22h55 — Corvo e os Malditos do Cerrado.
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