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Economia

EUA oficializam tarifa de 25% ao Brasil, mas poupam carnes, café e celulose

Medida alcança 4 mil produtos brasileiros; ferro-gusa, etanol, açúcar e tabaco entram na lista final

Por Gustavo Bonotto | 15/07/2026 21:21
EUA oficializam tarifa de 25% ao Brasil, mas poupam carnes, café e celulose
Movimentação da carga de celulose na planta da Suzano, em Ribas do Rio Pardo. (Foto: Arquivo/Osmar Veiga)

Os Estados Unidos confirmaram nesta quarta-feira (15) a aplicação de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados pelo país. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, em Washington (EUA), após concluir investigação que apontou supostas práticas comerciais consideradas desfavoráveis às empresas norte-americanas.

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Os Estados Unidos confirmaram tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, após investigação que apontou práticas comerciais desfavoráveis a empresas norte-americanas. Carnes, café, celulose e aeronaves estão isentas. A CNI estima impacto em cerca de 4 mil produtos e US$ 14,9 bilhões em exportações. O Brasil contestou as conclusões e avalia acionar a Lei da Reciprocidade Econômica. Uma segunda investigação pode elevar a tarifa total a 37,5%.

A decisão, no entanto, preserva produtos como carnes, café, celulose, suco de laranja e aeronaves, mas alcança milhares de outros itens exportados pelo Brasil.

Entre os itens excluídos da nova cobrança estão carnes, café, celulose, aeronaves e peças aeronáuticas, suco de laranja, fertilizantes, minerais críticos e alguns insumos industriais utilizados por empresas dos Estados Unidos. A lista reduz o impacto sobre setores que concentram parte das exportações brasileiras para aquele país.

Em Mato Grosso do Sul, as exceções preservam dois dos principais produtos vendidos aos Estados Unidos: carne bovina e celulose. O ferro-gusa, por outro lado, integra a relação de mercadorias sujeitas à tarifa e pode sofrer impacto nas exportações do Estado.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou ao canal CBS News que o governo norte-americano tentou negociar mudanças com o Brasil antes de concluir a investigação. Segundo ele, o presidente Donald Trump (Republicano) aceitou a recomendação do escritório comercial e autorizou a adoção da tarifa.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) calcula que cerca de 4 mil produtos brasileiros podem ser afetados. A entidade estima que a medida atinge aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações para o mercado norte-americano.

Entenda a taxação - A investigação que resultou na nova tarifa começou após determinação do governo Trump. O governo estadunidense concluiu que o Brasil adota práticas consideradas desleais em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e fiscalização do desmatamento ilegal.

O relatório também critica o Pix. Segundo o órgão norte-americano, o sistema de pagamentos administrado pelo Banco Central favorece uma solução nacional em relação a empresas privadas estrangeiras. O governo brasileiro rejeitou essa avaliação e afirmou que o Pix permanece aberto à participação de instituições nacionais e internacionais.

Outro ponto levantado pelos Estados Unidos envolve acordos comerciais que concedem tarifas reduzidas a produtos do México e da Índia. Os norte-americanos argumentam que empresas locais não recebem tratamento equivalente no mercado brasileiro.

O governo brasileiro contestou as conclusões da investigação e classificou as acusações como sem fundamento técnico. A equipe econômica avalia retomar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a responder a barreiras comerciais impostas por outros países.

Além da tarifa de 25%, o Brasil ainda aguarda a conclusão de outra investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre produtos ligados ao trabalho forçado. Se a nova recomendação também entrar em vigor, parte das exportações brasileiras poderá enfrentar tarifa total de até 37,5%.