Vila Nasser resgata tradição das ruas pintadas com o “Caramelo da Copa”
Arte com vira-lata em clima de Mundial reúne vizinhos, famílias e reacende espírito das Copas do passado
A poucos dias do início da Copa do Mundo, uma rua da Vila Nasser ganhou cores, tinta e um símbolo que mistura paixão nacional e identidade popular brasileira. Na Rua Oscár Ferreira Bugre, próximo ao número 615, moradores se reuniram para pintar no asfalto um grande “Caramelo da Copa”, desenho de um cachorro vira-lata vestindo a camisa da Seleção Brasileira, usando chuteiras e jogando futebol.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Moradores da Vila Nasser se reuniram para pintar um cachorro caramelo vestido com a camisa da Seleção Brasileira no asfalto da Rua Oscár Ferreira Bugre, resgatando a tradição de decorar ruas durante a Copa do Mundo. A iniciativa foi liderada pelo artista Lucas Nascimento e contou com churrasco e pagode. O torneio começa em 11 de junho, com estreia do Brasil em 13 de junho.
A iniciativa resgata uma tradição que marcou gerações de brasileiros: a pintura de ruas durante os períodos de Copa do Mundo. Com o torneio começando no próximo dia 11 de junho e a estreia da Seleção Brasileira marcada para 13 de junho, a ação reuniu moradores de diferentes idades em torno de um mesmo objetivo: celebrar o futebol e manter viva uma manifestação cultural que, segundo os participantes, vem desaparecendo com o passar dos anos.
- Leia Também
- Amigas pintam rua para a Copa, mas Agetran alerta que há regras
- Com tinta e criançada no asfalto, emoção da Copa toma rua de Campo Grande
Responsável pela arte, o artista independente Lucas Nascimento, de 29 anos, conhecido como “Rabisco Easy”, contou que o projeto surgiu a partir de uma parceria já desenvolvida durante o mês.
“A ideia surgiu através de uma parceria que tenho com a Sertão. Durante esse mês, espalhamos várias artes da Copa do Mundo pela cidade. Quando surgiu a oportunidade de pintar uma rua inteira, eu aceitei o desafio na hora. Era algo totalmente novo para mim. Eu já tinha feito muitos murais e pinturas em paredes, mas nunca tinha feito no chão. Foi um desafio que me tirou da zona de conforto e, justamente por isso, me motivou ainda mais”, afirmou.
Além do desafio artístico, o trabalho teve um significado pessoal para o artista. A ação foi realizada justamente na rua onde ele nasceu e cresceu.
“A pintura aconteceu na rua onde nasci. Convidei amigos, moradores e pessoas que acompanham meu trabalho para participarem dessa ação. Teve muita tinta, churrasco, pagode, debaixo do sol”, relembrou. (Veja vídeo abaixo)
O desenho do cachorro caramelo, figura que se tornou um dos símbolos mais populares da cultura brasileira nos últimos anos, foi escolhido para representar o clima descontraído e popular da Copa.
Segundo Lucas, o projeto ainda deve crescer. “O resultado foi um grande caramelo. E esse é apenas o começo. A ideia é continuar a pintura até o final da rua”, revelou.
Entre os organizadores da ação estava o projetista Wellington Alves Cerqueira, de 33 anos, que ajudou na pintura e destacou o sentimento de nostalgia como principal motivação para reunir os moradores.
“Essa ideia veio de uma nostalgia que a gente tem do passado, da época de Copa do Mundo, onde a gente pintava as ruas para poder celebrar a Copa. E hoje a gente estava querendo passar isso para os nossos filhos, para os nossos parentes mais novos que não viveu essa época, que seria muito importante resgatar essa cultura para a gente poder tentar colocar isso no dia a dia deles, quando chegar essas épocas importantes para poder fazer. E aí a gente juntou o pessoal e fez essa arte, juntamente com o pessoal da Rabisco Easy, que faz bastante trabalho pela cidade. Então isso aí é uma forma de a gente celebrar a Copa que está chegando e passar para os nossos filhos, nossos netos e todas as pessoas”, disse.

Durante a entrevista, Wellington estava acompanhado do filho Leonardo, de apenas três anos, que também participou da atividade.
“É meu filhinho, esse aqui. Esse tem três anos, é o Leonardo. A primeira Copa dele, ele já ajudou a pintar ontem aí. Tava aí na pintura”, contou com orgulho.
Para ele, envolver as crianças é uma das formas de manter viva uma tradição que perdeu força nos últimos anos.
“Eu vejo que hoje em dia morreu um pouco essa cultura, né, o pessoal não abraça mais a Copa do Mundo. Eu não sei se é pela fase da seleção brasileira também passa por isso, mas é bom a gente sempre estar incentivando as crianças a fazer isso, porque isso aqui, na verdade, não é só uma parte cultural do Brasil. Então, passar isso para as crianças é uma maneira de aproximar elas mais da gente, de participar mais dessas coisas culturais”, avaliou.
A doméstica Neusa Pires, de 47 anos, também participou da ação e lembrou sua ligação antiga com o esporte. Ela acredita que iniciativas como a da Vila Nasser ajudam a recuperar o entusiasmo em torno da competição.
“Eu costumava jogar bola, também já joguei muito bola. Teve um time de futebol feminino no Paraná. E a gente jogava bola, sempre estive no esporte. Então a gente incentiva as pessoas a também continuar porque a Copa é uma maravilha. Legal, e eu estou vendo aqui que a rua está toda pintada. É uma tradição que é antiga”, afirmou.
Para ela, o principal desafio é fazer com que mais pessoas voltem a se envolver com o evento.
“Falta o pessoal pegar mais ânimo pela Copa e continuar e trazer as coisas do passado para relembrar hoje para as pessoas que não tiveram oportunidade, como o rapaz falou, e voltar a ser aquela Copa legal”, acrescentou.

Nem todos compartilham do mesmo otimismo em relação ao desempenho da Seleção Brasileira. O repositor Carlos Eduardo Samael Valente de Oliveira, de 21 anos, afirma que acompanha o torneio e está animado para a competição, mas mantém cautela quanto às chances do Brasil.
“Estou animado. Costumo acompanhar bastante a Copa do Mundo. Eu acho que vai ser boa. Porém, é aquele mesmo... Eu acho que o Brasil não vai muito bem. Não tem aquela esperança”, desabafou.
Independentemente das expectativas dentro de campo, a pintura da Rua Oscár Ferreira Bugre já cumpriu um objetivo importante para os moradores: transformar o espaço público em ponto de encontro da comunidade e reacender uma tradição que marcou a infância de muitos brasileiros.
Confira a galeria de imagens:









