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Anvisa aprova uso de Mounjaro para diabetes tipo 2 em jovens de 10 a 17 anos

Medida amplia a indicação de um medicamento que já era autorizado para adultos

Por Jhefferson Gamarra | 22/04/2026 12:57
Anvisa aprova uso de Mounjaro para diabetes tipo 2 em jovens de 10 a 17 anos
Embalagem do Mounjaro, caneta emagrecedora usada para tratamento da diabetes. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta quarta-feira (22) o uso da tirzepatida, comercializada como Mounjaro, para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos no Brasil. A medida amplia a indicação de um medicamento que já era autorizado para adultos, tanto no controle da doença quanto, em situações específicas, no manejo do peso e da apneia do sono associada à obesidade.

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A Anvisa aprovou o uso da tirzepatida, comercializada como Mounjaro, para tratar diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos. O medicamento, já autorizado para adultos, torna-se o primeiro da classe GIP/GLP-1 liberado para uso pediátrico no Brasil, onde 213 mil adolescentes vivem com a doença. A aprovação baseou-se em estudo publicado na revista The Lancet, que demonstrou redução de 2,2 pontos na hemoglobina glicada após 30 semanas.

Com a nova autorização, a tirzepatida se torna o primeiro fármaco da classe dos agonistas duplos dos receptores GIP/GLP-1 liberado para uso pediátrico no país. Esses medicamentos atuam diretamente em hormônios ligados ao controle da glicose e do apetite, contribuindo para a redução dos níveis de açúcar no sangue e, em alguns casos, para a diminuição do peso corporal.

A decisão ocorre em um contexto de casos do diabetes tipo 2 entre jovens. Atualmente, o Brasil está entre os dez países com maior número de casos nessa faixa etária. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes, cerca de 213 mil adolescentes vivem com a doença, enquanto mais de 1,4 milhão apresentam quadro de pré-diabetes.

Na prática, a nova indicação permite que médicos considerem o uso da tirzepatida em pacientes jovens quando outras terapias não forem suficientes para controlar a glicemia. Especialistas destacam, no entanto, que o tratamento deve ser individualizado e acompanhado de perto, considerando que se trata de uma população em desenvolvimento.

A aprovação da Anvisa se baseou em um estudo clínico internacional de fase 3 publicado na revista The Lancet. O ensaio, conduzido com pacientes de 10 a 17 anos, demonstrou redução média de 2,2 pontos percentuais na hemoglobina glicada, principal indicador do controle do açúcar no sangue, após 30 semanas de tratamento.

De acordo com a Eli Lilly, fabricante do medicamento, o estudo também registrou baixa taxa de descontinuação. Os efeitos adversos observados foram semelhantes aos já conhecidos dessa classe de medicamentos, com predominância de sintomas gastrointestinais, como náusea, diarreia e vômito, geralmente leves a moderados e mais frequentes no início do tratamento. Não houve registro de casos de hipoglicemia grave.

Apesar da ampliação da indicação, a autorização da Anvisa é restrita ao tratamento do diabetes tipo 2. O uso da tirzepatida para controle de peso em menores de 18 anos não está aprovado em bula, e a fabricante afirma não incentivar o uso fora das indicações oficiais.