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Loja de videogames famosa na década de 80 tirou muito aluno da sala de aula

Por Naiane Mesquita | 05/10/2015 06:12
A única foto que encontramos da Brink's, no segundo endereço, na 13 de maio, entre a Afonso Pena e a Barão (Foto: Arquivo pessoal/ Patrick Weiller)
A única foto que encontramos da Brink's, no segundo endereço, na 13 de maio, entre a Afonso Pena e a Barão (Foto: Arquivo pessoal/ Patrick Weiller)

Em uma portinha da rua 13 de Maio, as crianças se aglomeravam em máquinas de fliperama. Aquelas coloridas, com desenhos estilosos e jogos viciantes foram o início de uma era que mudaria para sempre a infância de milhares de pessoas em todo o mundo.

Em Campo Grande, a tecnologia começou a chegar graças ao protagonismo da loja Brink's, um ícone para quem aprendeu cedo a matar aula por umas horas de diversão.

Cleber no endereço onde funcionou a Brink's relembra as histórias do local
Cleber no endereço onde funcionou a Brink's relembra as histórias do local

O Lado B faz uma parada especial na rota de lugares inesquecíveis de Campo Grande, mas que fecharam ao longo do tempo, na Brink's, em uma época que jogos eletrônicos exigiam fichas, não downloads.

Reza a lenda que o primeiro prédio da loja foi na 13 de Maio, entre a Afonso Pena e a 15 de Novembro. Com o tempo, o espaço seria transferido para outro ponto na 13, dessa vez entre a Afonso Pena e a Barão do Rio Branco.

A loja abriu provavelmente no final dos anos 80, ainda no primeiro endereço. Na lembrança de quem frequentou o lugar, o espaço tinha uma áurea underground, aberto a todas as classes sociais, mais precisamente aos detentores de uma ficha de jogo. “Era meio escuro, mais simples, os jogos eram de luta, na década o que fazia sucesso eram os arcade, aquele 1942 (esse era o nome do game)”, explica o estudante de psicologia Cleber Hafner, 38 anos.

Foto atual do segundo ponto da loja de videogames
Foto atual do segundo ponto da loja de videogames

Com 10 anos de idade em 1988, ele lembra que começou a frequentar a Brink's acompanhado de amigos e, às vezes, do irmão mais velho. As crianças que moravam na região e estudavam nas próximidades costumavam se reunir aos montes no local.

“Só ia molecada mesmo, nunca vi uma menina na antiga. Na época, era um pessoal diferente, mais humilde mesmo. Eu morava na rua Maracaju, lembro que jogava volêi e bete na rua, da para acreditar? Na Maracaju?”, questiona aos risos Cleber.

Um tempo depois e ao custo de muitas fichas, a Brink's mudou para o espaço onde ficou consagrada, próximo a rua Barão do Rio Branco.

Era muito grande, tinha muitos fliperamas, foi uma novidade para a cidade, porque não tinha nada para fazer, só a Brink's e o cinema. Se você comparar aos videogames da época e os fliperamas, os gráficos dos fliperamas eram melhores, então as crianças ficavam doidas”, diz o estudante.

Na gana por conseguir vencer as disputas nos videogames, as crianças se reuniam em grupos e não hesitavam em matar aula. Diz a lenda que até fiscalização para encontrar os alunos que faltavam e estavam com uniformes de escola aconteceu, isso no auge dos anos 90.

O pente fino, no entanto, não funcionava. Os jovens costumavam levar uma camisa adicional e escondiam o uniforme nas mochilas ou entre os cadernos. “Uma tática comum era sempre conferir se na máquina que você ia jogar não tinha uma ficha sobrando. Acho que na época custava R$ 0,25 cada ficha.. com R$ 1,00 você fazia a festa”, relembra.

De acordo com Cleber, foi nesse espaço, em um portinha estreita, que começou a história da Brink's
De acordo com Cleber, foi nesse espaço, em um portinha estreita, que começou a história da Brink's

Outro fã do lugar, o empresário e proprietário da Retro Gamers, Patrick Weiller, 31 anos lembra que na década de 90, o que fez sucesso na casa foram os jogos de corrida e street fighter.

“O grande marco foram os jogos de Corrida, possuíam o pacote completo, banco, acelerador e freios, volante e câmbio, além de várias máquinas interligadas em si, era o Daytona USA, chamava a atenção de todo mundo até mesmo pros amigos todos correrem juntos, rolava de contar até 3 pra colocar a ficha. Era pioneiro por ter 4 modos de câmera com botões coloridos na cabine, gráficos 3D e som digital”, explica.

Até X-Men x Street Fighter rolava. “Já tinha o Street Fighter em outros lugares da cidade, mas o que chamou atenção mesmo foi o primeiro Mortal Kombat, e todas as edições que sairam dele, até a versão Ultimate Mortal Kombat 3”, frisa.

A festa continuou até os anos 2000, quando acreditamos que a loja fechou. Preciso pedir desculpas ao leitor pela inconsistência das datas em relação à abertura e o fechamento da Brink's. Infelizmente, não conseguimos encontrar o proprietário da loja, que aparentemente se mudou para São Paulo. Quem souber notícias ou conhecer ele, favor avisar.

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