Acostumada à buchada, o que uma nordestina achou do nosso puchero?
Apesar de não gostar do prato típico da terra natal, nordestina deu veredito sobre comida típica daqui
Quando saiu de Sergipe para morar em Dourados, a estudante de biomedicina Karla Suanne, de 26 anos, não imaginava que Mato Grosso do Sul iria conquistar primeiro pelo estômago. Ela provou o típico Puchero e deu um veredito. Apesar de ser nordestina, ela não gosto de buchada, um dos pratos típicos por lá.
Para ela os dois sabores não tem nada de parecido. "É muito forte essa cultura e muito diferente, são coisas totalmente diferente, não tem uma explicação do porque eu não gosto de buchada. Talvez pelo gosto que é mais forte ou por ser misto por ter varias coisas juntas".
A jovem tem transformado a experiência de morar longe de casa em uma espécie de tour gastronômico improvisado, experimentando pratos e descobrindo que, por aqui, até bebida vira encontro social. Karla também estranhou o costume de reunir amigos em volta do tereré, mas acabou conquistada pela cultura
“Eu gostei muito. Apesar de ser bem diferente de Sergipe, eu amei conhecer aqui. Achei bem arborizada”, conta. A mudança aconteceu depois que ela conseguiu vaga na faculdade. O irmão já morava em Mato Grosso do Sul e isso despertou a vontade de conhecer o Estado. “Aproveitei que ele morava aqui, tentei entrar na faculdade daqui, consegui e vim.”
Mas foi na mesa, e também na roda de tereré, que Karla percebeu o quanto a cultura sul-mato-grossense é diferente da nordestina. Entre as descobertas está o puchero, prato tradicional servido nos dias frios e que ela conheceu quase por acaso.
“Mato Grosso do Sul sabe exatamente como sobreviver ao frio. Eu achei que nenhum casaco fosse resolver o frio que estava fazendo em Dourados e juro que nunca imaginei que um negócio chamado puchero fosse ficar tão gostoso”, brinca. "Achei que fosse só mais um caldo, mas depois entendi o porquê. Tem comida que só faz sentido quando sente o frio do lugar e acho que MS entendeu isso perfeitamente", completa.
Se o puchero surpreendeu no frio, o tereré causou estranhamento logo nos primeiros dias. Acostumada a receber visitas com café, bolo ou comida na mesa, a nordestina estranhou quando percebeu que, por aqui, o convite oficial da amizade vem acompanhado de erva e água gelada.
“O pessoal daqui é viciado em tereré, mesmo estando frio. E o mais estranho é que isso não é só uma bebida, é praticamente um evento social”, comenta. “No Nordeste, quando alguém chama visita em casa, geralmente tem bolo, café ou comida. Aqui o convite é ‘vamo tomar um tereré?’”
A primeira impressão não foi das melhores. “Quando cheguei aqui jurava que era um chá gelado ou um monte de mato moído e falei: ‘Meu Deus, o que esse povo tá fazendo com esse tanto de mato?’, mas no final das contas isso é bom demais.”
Com prazo de validade em Dourados, como ela mesma define, Karla decidiu aproveitar o tempo para explorar tudo o que conseguir. “Atualmente estou morando aqui em Dourados, mas com prazo de validade, vamos dizer assim. Daí estou explorando o lugar e experimentando a culinária.”
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