Barca de acarajé e abará é jeito de aliviar a saudade da Bahia em MS
Com ingredientes de Salvador, casal baiano aposta na tradição para manter viva a cultura nordestina
Um delivery que vende abará e acarajé até na barca. Esse foi o jeito encontrado por um casal de baianos que vive em Mato Grosso do Sul, para matar a saudade do sabor terra natal e ainda apresentar a culinária típica para os campo-grandenses. No Bairro Coophasul, o negócio nasceu da nostalgia e hoje carrega no prato um DNA legítimo da Bahia, com ingredientes que vêm de Salvador, preparo fiel à tradição e o toque de uma baiana que fez questão de aperfeiçoar as técnicas no Pelourinho, no berço da cultura nordestina.
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Um casal de baianos encontrou uma maneira criativa de matar a saudade da terra natal em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, vendendo acarajé e abará através de delivery. Rosângela Santos e Renato Cruz, que vivem na cidade desde 2006, mantêm a autenticidade dos pratos utilizando ingredientes diretamente de Salvador e técnicas aprendidas no Pelourinho. O empreendimento, conhecido como Acarajé da Coophasul, ganhou novo impulso com a chegada de Lopes Bahia, ex-jogador de futebol. O negócio oferece opções como a barca de acarajé e o formato executivo, permitindo que os campo-grandenses experimentem a culinária baiana de forma gradual e autêntica.
O Acarajé da Coopasul começou com Renato Cruz e a esposa, Rosângela Santos, dois baianos que vivem em Campo Grande desde 2006 e que, com o passar dos anos, sentiram na pele a falta do tempero da Bahia. Procuravam acarajé, vatapá, caruru e camarão seco, mas ou não encontravam ou não se identificavam com o sabor.
“A gente sentia falta do verdadeiro. Do que desperta memória, do que faz fechar o olho e lembrar da casa da mãe, dos avós”, conta Renato. Foi dessa saudade que nasceu a vontade de criar um espaço dedicado à comida baiana, sem adaptações para agradar paladar local, mas com respeito absoluto à tradição.
Para isso, Rosângela decidiu ir além do conhecimento de cozinha que já tinha em casa. Ela viajou para Salvador e fez um curso profissional de acarajé no Pelourinho, justamente para aprender o preparo em escala comercial, sem perder a identidade nordestina. Foram sete dias de imersão no que ela chama de “raiz da coisa”.
De volta a Campo Grande, o casal abriu um espaço na Avenida Presidente Vargas, onde funcionou por cerca de oito meses. No entanto, por conta da rotina e de outros trabalhos, eles acabaram fechando as portas e seguiram apenas atendendo amigos.
No ano passado, uma nova viagem a Salvador reacendeu a chama. Renato voltou com ingredientes na bagagem e a decisão de não parar mais. “A gente percebeu o quanto isso faz falta. Quase todo mundo que a gente conversa tem algum vínculo com a Bahia, seja filho, neto ou parente. E todo mundo sente saudade do sabor”, afirma.
Segundo ele, a originalidade é levada a sério. O camarão seco e defumado, difícil de encontrar em Campo Grande, vem direto de Salvador, comprado por familiares que ainda vivem lá. O bolinho também só é frito no azeite de dendê. “Se é feito assim na Bahia, é assim que vai ser feito aqui”, reforça.
Rosângela explica que o preparo é trabalhoso e ocupa praticamente o dia inteiro. Tudo é feito no mesmo dia. A base do acarajé leva feijão-fradinho, cebola e um “segredo baiano” que cada família guarda. O bolinho é frito no dendê, mantendo a textura e o aroma característicos.
Além do acarajé, o cardápio traz o abará, que também é feito com feijão-fradinho e leva camarão, amendoim, castanha de caju, cebola e dendê já na massa. Envolvido em folha de bananeira, a massa é cozida no vapor e lembra até o formato de uma pamonha. “Quem conhece, ama. Quem prova pela primeira vez, se surpreende”, diz Rosângela.
Para aproximar quem ainda tem receio da culinária baiana, o Acarajé Cophasul criou formatos diferentes de servir. Um deles é o executivo, em que o bolinho vem cortado, com os acompanhamentos separados. Outro é a barca de acarajé ou de abará, pensada para dividir com a família ou amigos. Nela, tudo vem separado, os bolinhos, vatapá, caruru, camarão e vinagrete, dando liberdade para que cada um monte do seu jeito.
“A barca é ideal para quem nunca comeu. A pessoa experimenta aos poucos, sem medo. Depois, na próxima vez, já pede o tradicional”, explica Renato.
Na retomada, o negócio ganhou um novo fôlego com a chegada de Lopes Bahia, baiano de Nova Viçosa, ex-jogador de futebol profissional, que vive em Campo Grande desde 2008. Apaixonado por acarajé, ele também passou anos tentando encontrar um que realmente lembrasse o da Bahia.

“Você come e sente que falta alguma coisa. Quem é baiano sabe. Quando não é de verdade, dá até vergonha de indicar”, afirma. O encontro com Renato veio por meio de amigos em comum e virou parceria. Lopes se apaixonou pelo produto e hoje é o divulgador oficial do Acarajé Cophasul, cuidando da parte de marketing e expansão da marca.
Segundo ele, o objetivo é fazer com que o acarajé seja reconhecido no dia a dia do campo-grandense, não só como algo que se come só em viagem. “O alimento traz recordações. Quem é baiano come, fecha o olho e volta para a casa da mãe, do pai. E quem não é, conhece uma cultura que é única”, destaca.
Em pouco tempo, a presença nas redes sociais começou a crescer, com milhares de novos seguidores e um público cada vez mais curioso. Para o trio, além de vender comida, o negócio cumpre um papel afetivo e cultural.“É levar um pedaço da Bahia para quem está longe de casa”, resume Rosângela.
O acarajé e o abará na versão tradicional custa R$ 30. Já na opção executivo, com ingredientes separados, o valor sobe para R$ 35. Já a barca sai a R$ 65. o delivery Acarajé da Coophsul funciona às sextas e domingos, das 17h às 22h. O telefone para pedidos é o (67) 99626-8528.
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