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Sabor

Criador do "bifão", Dudu chegou a vender 100 kg de carne por dia

Seu Dudu se despediu da vida na última sexta-feira deixando saudade aos moradores do Coophasul

Por Thailla Torres | 25/10/2020 07:05
Dudu ao lado das netas. (Foto: Arquivo Pessoal)
Dudu ao lado das netas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Até os anos 1990 imperava na região do Bairro Coophasul um modelo de comer fora de casa baseado nos hambúrgueres, churrasquinho ou pizza – com destaque para poucos lugares. No ano 2001 moradores passaram ter uma nova opção, coordenada por Duair Garcia, seu Dudu, que não abria mão de servir um bife gigante que fizesse o freguês sair de qualquer lugar da cidade só para experimentar.

Apesar de funcionário público naquele ano, o dinheiro que ganhava não supria os sonhos da família. E tudo o que o Dudu mais gostava, nas palavras dos filhos, era preparar um bom bife na chapa a cada reunião familiar. Foi assim que a paixão pelo bife virou negócio em trailer localizado na praça do bairro.

“Ele tinha uma chapa pequena em casa. Fazia pra gente e para as visitas. Todo mundo adorava. Foi quando demos a ideia de ele vender o bife, coisa que ninguém nessa região fazia”, lembra o filho Lidiney Molina.

 Dudu se instalou na região com ajuda da esposa. Começaram o negócio com uma panela de arroz, mandioca, vinagrete e apenas dois quilos de bife. Não demorou muito para a compra da carne aumentar. Mas foi lá por 2005 que o cenário do bifão começou a mudar. Aproximadamente 100 quilos de bife eram vendidos por dia.

Comerciante administrava negócio junto da esposa e dos filhos.
Comerciante administrava negócio junto da esposa e dos filhos.

“Vinha gente da cidade inteira experimentar. Apelidaram o bife do meu pai de orelha de elefante pelo tamanho”, recorda o filho.

O que ele tinha em comum com lanchonetes famosas em bairro era que ali brilhava mais que a figura de proprietário, Dudu era a alma da empresa. Era ele que escolhia a carne e também administrava junto da esposa a cozinha no final do dia. Oferecia o bifáo acebolado ou com ovo e não dispensava os gritos se o pedido demorasse. “Nosso pai era do tipo que queria que o cliente saísse sempre satisfeito”.

Dudu também se destacou por oferecer a simpatia numa cidade carente de educação no comércio. “Ele conhecia a freguesia pelo nome, sabia quem eram as crianças, nunca esqueceu de quem foi pequeno no trailer e voltou casado, com a família. Acho que essa simpatia dele o tornou único”.

O Bifáo da Coophasul, que completa 20 anos no dia 24 de fevereiro de 2021, foi o marco na história do comerciante que nunca desistiu. “Ele virou uma referência para muitos no bairro. Era uma pessoa que incentivava as coisas por ali e sempre dava oportunidade de trabalho aos moradores. Gostava de ajudar as pessoas”.

Para o filho agora o que fica é saudade.
Para o filho agora o que fica é saudade.

 Nesta pandemia, a tristeza bateu à porta quando Dudu viu, pela primeira vez, seu negócio fechar as portas durante a quarentena. “Quando tudo voltou a funcionar ele ficou imensamente feliz. Vinha bem com esse retorno”.

Dudu se foi deixando saudade, mas também um legado sobre atender bem. “Virou uma figura que muita gente vai sentir falta. Era um bom pai, amigo, comerciante, apaixonado pela vida que construiu”.

Dudu morreu na noite de sexta-feira, 23 de outubro, aos 64 anos, vítima de infarto. Deixa esposa, 3 filhos e seis netos.

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