Acordo com China amplia exportação de suínos e mira US$ 100 milhões
Frigoríficos habilitados poderão pedir inclusão dos novos produtos no comércio bilateral

A China ampliou no sábado (26) o mercado para produtos suínos do Brasil ao formalizar um novo protocolo sanitário que permite a exportação de miúdos internos, como fígado, rins e estômago. A abertura pode direcionar mais de 100 mil toneladas por ano ao país asiático e acrescentar mais de US$ 100 milhões à receita do setor, segundo estimativa da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).
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Até agora, o acesso brasileiro era mais restrito. Santa Catarina tinha autorização para enviar determinados miúdos externos, entre eles pés, orelhas e rabos, mas produtos internos não estavam incluídos. O novo acordo amplia esse conjunto e cria uma alternativa de maior valor comercial para partes do animal que já são destinadas a outros mercados.
Frigoríficos brasileiros que já possuem habilitação para vender produtos suínos à China poderão solicitar a extensão do escopo para incluir os itens contemplados pelo protocolo. O documento foi assinado em Brasília pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador chinês no Brasil, Zhu Qingqiao.
A projeção da ABPA considera principalmente o potencial de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Para os catarinenses, a entidade estima espaço para 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos. No Rio Grande do Sul, são mais de 40 mil toneladas. Somados, os dois estados ultrapassam 100 mil toneladas por ano.
Em Mato Grosso do Sul, ainda não foi divulgada estimativa específica de volume ou receita ligada à nova abertura. A medida, entretanto, ocorre enquanto a produção estadual cresce. Entre janeiro e julho deste ano, 2,1 milhões de suínos foram abatidos sob fiscalização federal, avanço de 16% em relação ao mesmo período de 2025. O Estado ocupa a quinta posição nacional em quantidade de animais abatidos.
A maior parte da produção sul-mato-grossense ainda fica no mercado interno. Entre 1,6% e 1,8% segue para exportação, conforme dados apresentados pela cadeia produtiva neste mês. O avanço do abate ocorre paralelamente à ampliação de granjas e da capacidade industrial no Estado.
As negociações para aumentar o acesso ao mercado chinês avançaram em maio, quando autoridades brasileiras e chinesas acertaram os requisitos técnicos para a revisão do protocolo de carne suína e subprodutos. A assinatura deste fim de semana concluiu essa etapa das tratativas.
O processo também foi favorecido pelo reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal), obtido em maio de 2025.

