Entre gado e águas cristalinas, fazenda de Jardim ganha prêmio nacional
Cabeceira do Prata ficou em 1º lugar entre as médias propriedades em premiação da Globo Rural

As águas cristalinas que atraem visitantes ao Rio da Prata dividem espaço com a criação de gado, a produção de alimentos e a recuperação da vegetação nativa. Em Jardim, essa combinação levou a Fazenda Cabeceira do Prata ao primeiro lugar na categoria Médias Propriedades do Prêmio Fazenda Sustentável 2026, promovido pela Globo Rural.
RESUMO
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A Fazenda Cabeceira do Prata, em Jardim, venceu na categoria Médias Propriedades do Prêmio Fazenda Sustentável 2026, da Globo Rural, anunciado em 30 de setembro, em São Paulo. A edição teve recorde de 136 inscritas. A propriedade tem 1.115 hectares produtivos e 432 preservados, reúne pecuária, horta orgânica, viveiro de mudas nativas e ecoturismo. O diretor Eduardo Folley Coelho defendeu esforço coletivo do poder público e de outros proprietários para proteger o Rio da Prata.
O resultado foi anunciado em cerimônia no dia 30 de setembro, em São Paulo. Na décima edição, a premiação reuniu um recorde de 136 propriedades inscritas, de diferentes regiões do Brasil e de pelo menos 20 segmentos da agropecuária. A avaliação considera produção, conservação ambiental, gestão e benefícios sociais.
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A conquista também deu espaço a uma cobrança: proteger o Rio da Prata exige um esforço que ultrapassa as cercas da fazenda. Durante a entrega do prêmio, o diretor executivo Eduardo Folley Coelho defendeu a participação do poder público e de outros proprietários na conservação da região.
“É um prêmio muito importante para conseguirmos ser ouvidos pelo governo do Estado e outros proprietários. Isso só muda com esforço coletivo”, afirmou.
A preocupação tem relação direta com o que sustenta parte da economia local. A qualidade das águas é um patrimônio ambiental e também a razão pela qual turistas procuram os passeios de flutuação. Seu cuidado depende das condições de toda a bacia hidrográfica, incluindo as nascentes, a vegetação e o uso do solo nas propriedades ao redor.
Na Cabeceira do Prata, são 1.115 hectares de área produtiva e 432 hectares preservados. A propriedade abriga o Recanto Ecológico Rio da Prata e uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, além de atividades de pecuária e melhoramento genético.
A fazenda integra a estrutura produtiva da Genética Aditiva, empresa com mais de 30 anos de atuação na seleção e no melhoramento animal. Ali são criados e selecionados bovinos das raças Nelore, Gir Leiteiro e Girolando, além de Cavalos Crioulos. Segundo a propriedade, o manejo inclui práticas de bem-estar animal e capacitação das equipes.
A ligação entre as diferentes atividades aparece também no destino dos alimentos e dos resíduos. Parte da produção da horta orgânica abastece a operação turística, e os excedentes podem ser doados. Resíduos orgânicos são aproveitados na compostagem, enquanto a reciclagem complementa o cuidado com os materiais descartados.
O viveiro de espécies nativas fornece mudas para a restauração de áreas dentro da fazenda e em outros pontos da região. O sistema agroflorestal soma-se às iniciativas de produção e recuperação ambiental.
Para os visitantes, o contato com essa paisagem ocorre na flutuação, no mergulho com cilindro, na observação de aves e nos passeios a cavalo. Estes percorrem áreas de campo e aproximam o turista da rotina rural, além dos ambientes aquáticos pelos quais o atrativo é conhecido.
O ecoturismo acrescenta uma fonte de renda à propriedade e estabelece uma ligação concreta entre conservação e atividade econômica: a natureza preservada é parte central da experiência oferecida ao visitante.
O Prêmio Fazenda Sustentável conta com apoio metodológico do Rabobank, Imaflora e Agrotools. Antes da decisão da banca julgadora, as participantes passam por análise documental, avaliação e validação das informações. A premiação reconhece pequenas, médias e grandes propriedades.
Em Jardim, o primeiro lugar amplia a visibilidade de um modelo que reúne produção rural e conservação. Mas o apelo feito na cerimônia aponta para um desafio maior: o cuidado dentro da propriedade precisa encontrar continuidade fora dela. O futuro das águas do Rio da Prata depende também das decisões tomadas em toda a sua bacia.

