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Lado Rural

Entre gado e águas cristalinas, fazenda de Jardim ganha prêmio nacional

Cabeceira do Prata ficou em 1º lugar entre as médias propriedades em premiação da Globo Rural

Por José Cândido | 05/10/2026 11:08
Entre gado e águas cristalinas, fazenda de Jardim ganha prêmio nacional
Eduardo Coelho, proprietário da Fazenda Cabeceira do Prata, em Jardim, defende esforço coletivo para proteger o Rio da Prata após reconhecimento nacional em sustentabilidade. (Foto divulgação)

As águas cristalinas que atraem visitantes ao Rio da Prata dividem espaço com a criação de gado, a produção de alimentos e a recuperação da vegetação nativa. Em Jardim, essa combinação levou a Fazenda Cabeceira do Prata ao primeiro lugar na categoria Médias Propriedades do Prêmio Fazenda Sustentável 2026, promovido pela Globo Rural.

RESUMO

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A Fazenda Cabeceira do Prata, em Jardim, venceu na categoria Médias Propriedades do Prêmio Fazenda Sustentável 2026, da Globo Rural, anunciado em 30 de setembro, em São Paulo. A edição teve recorde de 136 inscritas. A propriedade tem 1.115 hectares produtivos e 432 preservados, reúne pecuária, horta orgânica, viveiro de mudas nativas e ecoturismo. O diretor Eduardo Folley Coelho defendeu esforço coletivo do poder público e de outros proprietários para proteger o Rio da Prata.

O resultado foi anunciado em cerimônia no dia 30 de setembro, em São Paulo. Na décima edição, a premiação reuniu um recorde de 136 propriedades inscritas, de diferentes regiões do Brasil e de pelo menos 20 segmentos da agropecuária. A avaliação considera produção, conservação ambiental, gestão e benefícios sociais.

A conquista também deu espaço a uma cobrança: proteger o Rio da Prata exige um esforço que ultrapassa as cercas da fazenda. Durante a entrega do prêmio, o diretor executivo Eduardo Folley Coelho defendeu a participação do poder público e de outros proprietários na conservação da região.

“É um prêmio muito importante para conseguirmos ser ouvidos pelo governo do Estado e outros proprietários. Isso só muda com esforço coletivo”, afirmou.

A preocupação tem relação direta com o que sustenta parte da economia local. A qualidade das águas é um patrimônio ambiental e também a razão pela qual turistas procuram os passeios de flutuação. Seu cuidado depende das condições de toda a bacia hidrográfica, incluindo as nascentes, a vegetação e o uso do solo nas propriedades ao redor.

Na Cabeceira do Prata, são 1.115 hectares de área produtiva e 432 hectares preservados. A propriedade abriga o Recanto Ecológico Rio da Prata e uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, além de atividades de pecuária e melhoramento genético.

A fazenda integra a estrutura produtiva da Genética Aditiva, empresa com mais de 30 anos de atuação na seleção e no melhoramento animal. Ali são criados e selecionados bovinos das raças Nelore, Gir Leiteiro e Girolando, além de Cavalos Crioulos. Segundo a propriedade, o manejo inclui práticas de bem-estar animal e capacitação das equipes.

A ligação entre as diferentes atividades aparece também no destino dos alimentos e dos resíduos. Parte da produção da horta orgânica abastece a operação turística, e os excedentes podem ser doados. Resíduos orgânicos são aproveitados na compostagem, enquanto a reciclagem complementa o cuidado com os materiais descartados.

O viveiro de espécies nativas fornece mudas para a restauração de áreas dentro da fazenda e em outros pontos da região. O sistema agroflorestal soma-se às iniciativas de produção e recuperação ambiental.

Para os visitantes, o contato com essa paisagem ocorre na flutuação, no mergulho com cilindro, na observação de aves e nos passeios a cavalo. Estes percorrem áreas de campo e aproximam o turista da rotina rural, além dos ambientes aquáticos pelos quais o atrativo é conhecido.

O ecoturismo acrescenta uma fonte de renda à propriedade e estabelece uma ligação concreta entre conservação e atividade econômica: a natureza preservada é parte central da experiência oferecida ao visitante.

O Prêmio Fazenda Sustentável conta com apoio metodológico do Rabobank, Imaflora e Agrotools. Antes da decisão da banca julgadora, as participantes passam por análise documental, avaliação e validação das informações. A premiação reconhece pequenas, médias e grandes propriedades.

Em Jardim, o primeiro lugar amplia a visibilidade de um modelo que reúne produção rural e conservação. Mas o apelo feito na cerimônia aponta para um desafio maior: o cuidado dentro da propriedade precisa encontrar continuidade fora dela. O futuro das águas do Rio da Prata depende também das decisões tomadas em toda a sua bacia.