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Lado Rural

Milho 2ª safra em MS perde potencial com pouca chuva e alta temperatura

Seca pode afetar produtividade das lavouras de Mato Grosso do Sul e Paraná, apontam satélites

Por José Roberto dos Santos | 10/05/2024 12:35
Lavoura de milho cultivada (maio de 2023) na região de São Gabriel do Oeste mostra mesmas características do clima que em 2024: seca e calor. (Foto: Arquivo/José Roberto dos Santos)
Lavoura de milho cultivada (maio de 2023) na região de São Gabriel do Oeste mostra mesmas características do clima que em 2024: seca e calor. (Foto: Arquivo/José Roberto dos Santos)

As chuvas na zona do milho segunda safra alcançaram, no máximo, 3 milímetros na maior parte da região formada pelos estados do Centro-Oeste e Paraná, no acumulado dos últimos 10 dias. O volume está mais de 80% abaixo da média para o período e pode limitar o potencial produtivo, conforme avaliação da EarthDaily Agro, empresa que monitora áreas agrícolas a partir de análises de imagens de satélite. O plantio precoce realizado na temporada atual irá diminuir – porém não anular – os impactos da seca e do calor do mês de maio.

Para o próximo período de 10 dias, a precipitação se manterá muito abaixo da média para a zona da segunda safra, aponta o modelo europeu ECMWF). Já o modelo americano GFS indica chuvas acima da média para o Paraná e parte de São Paulo, o que é positivo para a recuperação da umidade do solo.

Durante o mês de abril, as temperaturas permaneceram próximas ou acima da média na maior parte do país e o calor ganhou força no últimos 10 dias, em especial no Centro-Sul, que registrou de 3°C a 7°C acima da média, com potencial para perda de produtividade das lavouras de milho segunda safra, explica Felippe Reis, analista de safra da EarthDaily Agro. O forte calor deve continuar, com temperaturas 5°C a 7°C acima da média nos próximos 10 dias, principalmente em Mato Grosso do Sul e Paraná, colaborando para uma queda ainda mais acentuada da umidade do solo.

Andamento do plantio do milho

Na data de de 3 de maio, a área plantada acompanhada pelo Projeto Siga-MS (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio) alcançou 99,6% em Mato Grosso do Sul. O plantio nas Regiões Centro e Norte foi concluído, enquanto a Região Sul alcançou uma média de 99,5%. Até o momento, a área plantada é de aproximadamente 2,209 milhões de hectares, de acordo com a estimativa do Siga.

A porcentagem de área plantada na segunda safra 2023/2024 está três semanas atrás em comparação com a 2ª safra 2022/2023, considerando a mesma data, 03 de maio. Na safra anterior, a operação de plantio já estava concluída neste período. A estimativa é que a safra seja 5,82% menor em relação ao ciclo passado (2022/2023), atingindo a área de 2,218 milhões de hectares. A produção é estimada em 11,4 milhões de toneladas, uma queda de 19,23%, e a produtividade é prevista em 86,3 sacas por hectare, uma retração de 14,25%.

CONDIÇÕES DAS LAVOURAS DE MILHO EM MATO GROSSO DO SUL

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Seca e calor em MS

Em Mato Grosso do Sul, seca e calor tem sido a dinâmica dos últimos 15 dias. Os valores do índice de vegetação estão hoje em patamar similar a 2020, quando a produtividade ficou 4% abaixo da tendência e 2018 (com produtividade 15% abaixo da tendência). Assim, se caso o NDVI (índice que mede a saúde e a densidade da vegetação) apresente uma evolução ainda mais desfavorável do que em 2018, podemos ter uma quebra acima de 15% para o estado.

Assim como no Mato Grosso do Sul, as condições climáticas no Paraná foram desfavoráveis na última quinzena. A queda acentuada da umidade do solo no estado parece ter impactado a dinâmica do índice de vegetação, que também diminuiu nos últimos dias. No entanto, o índice de vegetação está em patamar similar ao de 2023, quando a produtividade foi muito boa. Para Felippe Reis, no entanto, essa análise deve ser feita com cuidado, já que o plantio das lavouras ocorreu em datas diferentes.

Segundo relatório do Projeto Siga-MS, a segunda safra de milho de 2024 já registra perda de potencial produtivo em decorrência do estresse hídrico. Em diversas regiões do Estado, incluindo sul, sudoeste, centro, oeste, nordeste, sul-fronteira e sudeste. Essa situação adversa impactou uma área total de 445 mil hectares.

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