Soja de MS amplia espaço no Oriente Médio, mas China ainda domina exportações
Paquistão, Irã e Bangladesh já respondem por quase 30% dos embarques de julho, enquanto China concentra 63,9%

A soja de Mato Grosso do Sul começa a desenhar um mapa mais diversificado no comércio internacional. Embora a China ainda seja, de longe, o principal destino do grão produzido no Estado, países como Paquistão, Irã e Bangladesh ampliaram sua participação nas compras em julho, reforçando a presença sul-mato-grossense em mercados do Oriente Médio e da Ásia.
RESUMO
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Dados do boletim de exportações da Aprosoja/MS mostram que Mato Grosso do Sul embarcou 933,2 mil toneladas de soja em julho, volume 11,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O crescimento representa 97,3 mil toneladas a mais. Na comparação com junho, a alta foi mais moderada, de 0,7%, equivalente a 6,5 mil toneladas.
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Em valores, as exportações somaram US$ 410,29 milhões, avanço de 21,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O desempenho estadual ficou acima do crescimento registrado pelo Brasil no período, de 17,4% em valor e 9,3% em volume.
A China permaneceu como o principal mercado para a soja sul-mato-grossense, absorvendo 63,9% das exportações de julho. Na sequência aparecem Paquistão, com 14,5%; Irã, com 7,4%; Bangladesh, com 7,5%; e outros destinos, que somaram 6,8%.
A distribuição mostra que, embora a China continue concentrando a maior parte das compras, os mercados que vêm ganhando espaço já representam uma parcela significativa dos embarques. Somados, Paquistão, Irã e Bangladesh responderam por 29,4% das exportações de soja de Mato Grosso do Sul no mês.
Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, a ampliação do número de compradores é positiva justamente por reduzir a dependência de um único mercado.
“A China continua sendo um mercado estratégico para a soja brasileira e sul-mato-grossense, mas a diversificação dos destinos é positiva porque reduz a concentração das vendas e aumenta as alternativas de comercialização”, avalia.
A relevância da China para a cadeia, porém, permanece evidente. O país é o maior importador mundial de soja e também o principal destino da produção brasileira. No primeiro semestre de 2026, os chineses responderam por 81,6% das exportações brasileiras do grão.
Para o analista, a concentração torna a abertura de novos mercados uma questão estratégica para produtores e para o próprio setor exportador. “A China é fundamental, mas como importador dominante, a diversificação dos compradores também se torna uma ferramenta estratégica”, afirma.
Oriente Médio ganha espaço - O movimento observado em julho ocorre em um cenário de demanda aquecida pela soja e de condições logísticas consideradas mais favoráveis para o atendimento aos mercados do Oriente Médio. A própria análise econômica da Aprosoja/MS aponta que a redução da participação chinesa abriu espaço para novos importadores da região.
O boletim destaca que a demanda pelo produto permanece em alta e que a maior facilidade logística para os mercados do Oriente Médio contribui para ampliar as alternativas de comercialização. Nesse cenário, a possibilidade de armazenar o grão também ganha importância para o produtor, especialmente diante do início da segunda safra.
A análise da entidade aponta que a segunda safra ainda está em ritmo inicial e que a maior possibilidade de retenção da soja pode proporcionar melhores condições de comercialização aos produtores.
A diversificação dos compradores tem impacto que vai além dos números de exportação. Para o produtor, a existência de mais mercados capazes de absorver a produção amplia as possibilidades de negociação e reduz a exposição às oscilações provocadas pela dependência de um único destino.
No caso de Mato Grosso do Sul, a mudança aparece em um momento de crescimento das exportações. Em julho, o Estado superou em 11,6% o volume embarcado no mesmo mês de 2025 e atingiu 933,2 mil toneladas. O valor também avançou de forma mais expressiva, chegando a US$ 410,29 milhões, alta de 21,3%.
Diversificação ocorre em cenário de instabilidade - A aproximação comercial com mercados do Oriente Médio, no entanto, acontece em um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica. Conflitos registrados em 2026 aumentaram as preocupações relacionadas às rotas marítimas, aos custos de frete e aos combustíveis, fatores que podem afetar diretamente a logística de produtos agrícolas.
Por isso, a abertura de novos mercados não significa apenas encontrar compradores. Também exige acompanhar as condições das rotas utilizadas para transportar a produção até esses destinos.
“O Oriente Médio representa uma oportunidade de diversificação para a soja, mas também exige atenção à logística e aos riscos geopolíticos. Não se trata apenas de encontrar novos compradores, mas de acompanhar a transformação das rotas pelas quais os alimentos circulam no mundo”, afirma Linneu Borges Filho.
O cenário de julho, portanto, combina dois movimentos: a manutenção da China como principal destino e a expansão da participação de outros compradores. A soja sul-mato-grossense continua fortemente vinculada ao mercado chinês, mas começa a contar com uma distribuição mais ampla de destinos, sobretudo entre países asiáticos e do Oriente Médio.
Milho não teve embarques em julho - Enquanto a soja registrou alta nas exportações, o milho não teve nenhum volume comercializado pelo Estado em julho. Segundo a Aprosoja/MS, o resultado está relacionado ao início da colheita da segunda safra e à necessidade de atender à demanda constante do mercado interno.
O comportamento reforça a diferença entre as duas cadeias no período. Enquanto a soja manteve ritmo de exportação e encontrou novos compradores no exterior, o milho ficou direcionado ao abastecimento interno durante o início da colheita da segunda safra.
Os dados do boletim foram elaborados pela equipe econômica da Aprosoja/MS, com base em informações da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

