Vigilância sanitária avança e pode impactar custo da ração na suinocultura de MS
Sistema integra dados sanitários e pode reduzir perdas na produção de suínos no Estado

A suinocultura de Mato Grosso do Sul passa a contar com um novo aliado no controle sanitário dos rebanhos — e os reflexos podem chegar diretamente ao bolso do produtor, especialmente no custo da ração, principal item da atividade.
RESUMO
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Lançada pela Embrapa Suínos e Aves, a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS) integra dados de vigilância sanitária, diagnósticos laboratoriais e análise de risco de doenças que afetam os plantéis em todo o país, incluindo o território sul-mato-grossense.
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A proposta da plataforma é antecipar riscos sanitários antes que surtos se espalhem, permitindo decisões mais rápidas por parte de produtores, técnicos e órgãos de defesa. Em um cenário em que a alimentação representa a maior fatia do custo de produção, qualquer alteração na saúde dos animais interfere diretamente na eficiência do uso da ração.
Segundo a pesquisadora Janice Reis Ciacci Zanella, da Embrapa Suínos e Aves, uma das responsáveis pelo desenvolvimento da ferramenta, a CISS foi criada justamente para transformar dados dispersos em informação estratégica.
“A plataforma integra vigilância sanitária e análise de risco, permitindo uma visão mais ampla da situação sanitária dos rebanhos. Com isso, é possível identificar tendências, antecipar problemas e apoiar decisões técnicas no campo”, destaca a pesquisadora.
Na prática, isso significa agir antes que doenças comprometam o desempenho produtivo dos suínos. Infecções respiratórias, por exemplo, mesmo quando não provocam mortalidade, reduzem o consumo de alimento e pioram a conversão alimentar — fazendo com que o animal precise de mais ração para atingir o peso ideal de abate.
Para Dirceu Antonio Benelli, médico-veterinário e integrante da equipe técnica do projeto, o impacto econômico dessas enfermidades costuma ser silencioso, mas significativo.
“Doenças subclínicas afetam diretamente a produtividade. O animal come menos, cresce mais devagar e isso eleva o custo por quilo produzido. A vigilância contínua permite reduzir essas perdas antes que elas se tornem um problema maior”, avalia.
Em Mato Grosso do Sul, onde a suinocultura avança de forma integrada à produção de grãos — especialmente milho e soja, base da ração — o controle sanitário ganha ainda mais relevância. Um sistema mais eficiente de monitoramento ajuda a garantir previsibilidade à cadeia, evitando desperdícios e oscilações no uso de insumos.
Outro diferencial da CISS é a possibilidade de análises regionais. De acordo com a pesquisadora Mônica Leal Pereira, os dados consolidados permitem compreender melhor o comportamento das doenças em diferentes territórios do país.
“Com informações organizadas por região, é possível orientar estratégias mais adequadas à realidade local. Isso contribui inclusive para ajustes nutricionais, já que animais submetidos a maior desafio sanitário têm demandas diferentes”, explica.
Na prática, esse cenário pode influenciar diretamente a formulação das rações utilizadas no estado. Nutricionistas e técnicos passam a ter mais subsídios para indicar dietas específicas, com uso racional de aditivos, vitaminas e minerais, evitando tanto excessos quanto deficiências — o que melhora o desempenho dos lotes e reduz custos.
O sistema também foi desenvolvido para garantir a confidencialidade das informações fornecidas pelos produtores. Segundo Kenai C. Prior, pesquisador colaborador do projeto, os dados são tratados de forma anônima, o que estimula a adesão ao monitoramento.
“A participação é voluntária e os dados não identificam propriedades. Isso amplia a confiança dos produtores e fortalece a vigilância sanitária como uma ação coletiva”, pontua.
Além da prevenção de perdas produtivas, a plataforma fortalece a imagem sanitária do estado — fator decisivo para mercados cada vez mais exigentes. Manter granjas sob controle sanitário rigoroso é condição básica para competitividade, acesso a novos compradores e estabilidade da cadeia produtiva.
Para Mato Grosso do Sul, a expectativa é que a nova ferramenta contribua para uma suinocultura mais eficiente, com menos desperdício de ração, maior previsibilidade de produção e redução de riscos sanitários. Em um setor onde pequenos desvios podem representar prejuízos significativos, informação passou a ser tão valiosa quanto o próprio insumo colocado no cocho.

