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Meio Ambiente

Alerta do Dia das Águas é o risco de nova tragédia no Pantanal

A tendência de seca para este ano é maior que nos dois últimos, quando as piores queimadas foram registradas

Por Lucia Morel | 22/03/2021 07:21
Ilhas de água no Pantanal de MS. (Foto: André Luiz Siqueira/Ecoa)
Ilhas de água no Pantanal de MS. (Foto: André Luiz Siqueira/Ecoa)

Com a alteração no regime das águas do Pantanal nos últimos anos e risco de novas queimadas desastrosas no bioma em 2021, o alerta no Dia Mundial da Água é justamente o de preservação da planície, até então alagada, mas que vem secando.

Conforme o analista de conservação do WWF-Brasil, Cássio Bernardino, a tendência de seca para este ano é maior que nos dois últimos, quando as piores queimadas foram registradas. “Mesmo que o regime de precipitação se normalize, é pouco provável que o Rio Paraguai e o Pantanal tenham cheias significativas, mantendo-se em níveis historicamente baixos”, avalia.

Para o especialista, o fogo e também as mudanças no uso do solo – aumento de pastagens ou lavouras – tendem a afetar a precipitação na região. “Com a diminuição da cobertura vegetal, a tendência é que haja menor evapotranspiração, menor umidade no ar, e, logo, menor índice de chuvas”, afirma.

O equilíbrio do Pantanal – fauna e flora – depende basicamente do baixar e subir de suas águas. Esse ciclo se repetia todo ano com certa regularidade, possibilitando a renovação constante e formatando a cultura pantaneira. Porém, desde a década de 1970, a bacia do Alto Paraguai registra uma progressiva mudança em suas paisagens por causa do intenso uso e ocupação do solo.

“Temos um cenário de mudanças climáticas aliado à falta de controle ambiental e infraestrutura para combate a incêndios, isso traz sérias ameaças à biodiversidade do Pantanal, assim como a segurança hídrica da região. Há o risco de haver uma nova catástrofe em razão dos incêndios, como aconteceu em 2019 e 2020”, alerta Cássio.

O bioma já perdeu, nos últimos 40 anos, em torno de 18 % de sua cobertura natural, que se converte geralmente em pastos e terras aráveis. O ano passado foi especialmente danoso: em 2020, houve 22.119 focos de incêndios, cerca de 120% a mais que no ano anterior.

Paralelamente, a ação humana está impondo outro obstáculo ao fluxo natural das águas: existem mais de 100 pequenas centrais hidrelétricas planejadas na região do Pantanal e bacia do Alto Araguaia.

Segundo estudo da WWF-Brasil, todos esses projetos de barramento poderiam ser substituídos por fontes renováveis que têm capacidade de gerar cerca de três vezes a potência nominal das PCHs planejadas para serem construídas na Região Hidrográfica do Paraguai.

Essa energia poderia ser gerada a partir de recursos disponíveis na região, tais como biomassa de cana-de-açúcar, dejetos animais, resíduos sólidos urbanos, particularmente das duas principais cidades da região (Cuiabá e Campo Grande), além da energia dos efluentes líquidos (esgoto) e a energia solar.

A mudança evitaria os impactos ambientais que podem comprometer o equilíbrio da região e afetar atividades econômicas importantes, como turismo e pesca, além de gerar empregos duráveis.

“Neste Dia Mundial da Água é importante chamar a atenção para a necessidade da criação de uma estrutura robusta de combate, prevenção e previsão de incêndios, mas também para o desenvolvimento de alternativas de desenvolvimento sustentável na região'', ressalta Bernardino.

Previsões – segundo o Serviço Geológico do Brasil, o Rio Paraguai, principal indicador das condições de inundação do Pantanal, apresenta uma tendência de seca para este ano de 2021. Especialmente as regiões de Cáceres e Porto Conceição, ambas no Estado de Mato Grosso, apresentam níveis historicamente baixos no Rio Paraguai.

Em Mato Grosso do Sul, nos Fortes Ladário e Coimbra também estão previstos níveis historicamente baixos. Os modelos de previsão indicam que a seca continuará nos próximos períodos, com uma interrupção da recuperação do nível do rio.

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