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Meio Ambiente

Condomínio obtém aval para derrubar "mini floresta" e revolta moradores

Por Filipe Prado | 25/02/2014 18:26
Os moradores reclamaram que algumas árvores já começaram ser derrubadas (Foto: Cleber Gellio)
Os moradores reclamaram que algumas árvores já começaram ser derrubadas (Foto: Cleber Gellio)

Com previsão de corte para 60 árvores, moradores do residencial Itacolomi, no Bairro Carandá Bosque, ficaram indignados com a retirada de uma "mini floresta". Eles relataram que terão que pagar cerca de R$ 60 mil para a realização do corte e que há outras maneiras de resolver o problema.

No condomínio há cerca de 250, mas após a queda de uma delas sobre um apartamento, o síndico resolveu, depois de uma analise da prefeitura, retirar 60 delas. “Acho isso uma palhaçada. Tem muitas árvores centenárias aqui”, reclamou um morador que não quis se identificar.

De acordo a bióloga Letícia Couto Garcia, 32 anos, o laudo feito pela Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) não está correto. “Nós contestamos este laudo, achamos que está errado, pois eu analisei árvore por árvore e não é necessária a retirada de 60 delas”, contou.

Das árvores listadas, quatro já foram retiradas, de acordo com os moradores. “Eles são muito imediatistas aqui. Nós podemos pensar em outras maneiras de acabar com o problema, sem precisar corta-lás”, afirmou o professor de ecologia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) Danilo Bandini Ribeiro, 33.

Ele relatou que no total os moradores do condomínio terão que pagar R$ 60 mil para a retirada das árvores. “Nós fizemos um abaixo assinado contra isso. Eu até vim morar aqui, pois é um local bem arborizado e, se isso acontecer, irá desvalorizar o local”, comentou a bióloga.

Dentre as árvores que serão cortadas, está uma Capitão do Mato, com mais de 50 anos. “Essa árvores é nativa aqui do Brasil e tem mais de 50 anos e eu acho que não precisa ser cortada”, disse Letícia.

Mas conforme o síndico do residencial, Danilo Fedrizzi, não serão cortadas todas as árvores listadas. “Eu me formei em Engenharia Ambiental, então eu sei que muitas não precisarão ser cortadas, somente três delas”, afirmou.

Ele relatou que ainda não foi feito o corte de nenhuma árvore. “Não cortamos nada ainda. As que disseram que cortamos são coisas velhas, que há muito tempo foram retiradas”, explicou Danilo.

O campo-grandense tem um carinho especial pelas árvores. No mês passado, o desmatamento de uma área pelo Comando Militar do Oeste para a construção de quartel causou polêmica na Vila Sobrinho. O CMO também obteve o aval do Ibama para desmatar a reserva, mas causou a revolta de ambientalistas, que chegaram a dizer que o Exército estava destruindo o "pulmão da Capital".

Outras árvores já foram retiradas (Foto: Cleber Gellio)
Outras árvores já foram retiradas (Foto: Cleber Gellio)
Cerca de 60 árvores do condomínio serão retiradas (Foto: Cleber Gellio)
Cerca de 60 árvores do condomínio serão retiradas (Foto: Cleber Gellio)
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