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Campo Grande, Sexta-feira, 19 de Abril de 2019

17/03/2019 19:07

Em ato, grupo dá “abração” no lago do Parque das Nações Indígenas

O evento foi organizado pela população nas redes sociais para chamar atenção do poder público

Viviane Oliveira e Geisy Garnes
Abração em volta do lago reuniu centenas de pessoas (Foto: Paulo Francis) Abração em volta do lago reuniu centenas de pessoas (Foto: Paulo Francis)

Centenas de manifestantes que se reuniram pela internet deram um “abração” simbólico no fim da tarde deste domingo (17) no lago das Nações Indígenas, localizado nos altos da Avenida Afonso Pena, uma das principais vias de Campo Grande. Em forma de protesto, várias cruzes foram colocadas no banco de areia formado pelo assoreamento do espelho d’água que está cada vez maior. O fato foi exposto pelo Campo Grande News a partir de denúncias feitas por frequentadores do local e, a partir daí, teve início uma série de ações visando a recuperação do espaço.

O evento foi organizado pela população para chamar atenção do poder público. Quem foi ao parque passear também foi chamado para fazer o ato simbólico. Enquanto os frequentadores do espaço caminhavam e protestavam contra a situação, parecia que a natureza tentava se adaptar à nova realidade. Pássaros sobrevoavam sobre os bancos de areia. Já as capivaras tomavam banho em poças formadas com acúmulo de sedimentos.

Para um dos organizadores, Alfredo Sulzer, não importa o número de pessoas que conseguiram reunir. O importante é que a população não quer esse abandono. “Estamos defendendo o que é nosso. O que foi feito aqui, pode ser usado como exemplo para outros pontos importantes da cidade que foram deixados de lado”, disse.

Ele cita como exemplo, a Orla Morena e o Horto Florestal. Quando fazia a mobilização pela internet, usuários aproveitaram para citar outros problemas que apontaram existir no Parque das Nações Indígenas, como a falta de guarita e iluminação.

Compartilha da mesma opinião, Gabriel Ballock, 27 anos, organizador da terceira edição Slime Word. Ele viu a mobilização nas redes sociais e aproveitou o domingo para unir os dois eventos e levou cerca de 40 crianças para abraçar o lago também. “O evento é uma forma de alerta e de conscientização para preservação do meio ambiente”, afirmou. Ele se lembrou da infância que passou brincando no Horto Florestal. Hoje, segundo Gabriel, o espaço foi deixado de lado e está abandonado.

Cruzes foram colocadas no banco de areia  em forma de protesto  (Foto: Paulo Francis) Cruzes foram colocadas no banco de areia em forma de protesto (Foto: Paulo Francis)

É nosso – Aos 10 anos e com 18 mil seguidores em seu canal, a youtuber Manoella Schaedler, 10 anos, sabe da importância que o espaço tem para a cidade. “Esse parque faz parta da minha família e da minha rotina. Sempre ando de bicicleta aqui”, disse. Ela completou a frase afirmando que o parque é um dos cartões postais da cidade.

Vindo de Curitiba, no Paraná, Mauri Cesár Barbosa, 62 anos, ficou sabendo do evento e aproveitou para participar. Mauri conta que foi secretário de Meio Ambiente no inicio dos anos 1990 na capital paranaense e na época enfrentou o mesmo problema no Parque Barigui. Lá, tomamos uma atitude extrema. “Vazamos todo o lago e modificamos a estrutura dele. O assoreamento virou ilhas - local de abrigo para os bichos. Talvez não seja a solução aqui, mas o problema deve ser resolvido o mais rápido possível”, pontuou.

Vários grupos aderiram ao protesto durante sua realização, incluindo a turma que treina canoagem no lago. Rafael Giroto, 28 anos, presidente da Federação da Canoagem, contou que treina no local todos os dias. “O assoreamento foi crescendo aos poucos, principalmente depois de cada chuva. O processo acelerou muito nos últimos seis meses. Não sabemos o motivo, mas foi um processo visível que chegou a surpreender. Estamos preocupados com a situação. Esse é o único lugar de treino”. Cerca de 30 a 35 pessoas praticam o esporte no lago.

Segundo o vereador Eduardo Romero (Rede), a manifestação é um conceito fundamental de cidadania porque mostra que a sociedade está gritando por respeito. (Veja, abaixo, a galeria de fotos)




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