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Meio Ambiente

Fiocruz recebe R$ 2,1 milhões para investigar riscos de doenças no Pantanal

Investimento busca ampliar pesquisas sobre os efeitos das mudanças climáticas na saúde humana

Por Jhefferson Gamarra e Kamila Alcântara | 23/10/2026 13:35
Fiocruz recebe R$ 2,1 milhões para investigar riscos de doenças no Pantanal

A Fiocruz Mato Grosso do Sul receberá R$ 2,1 milhões para fortalecer pesquisas e ampliar a vigilância de patógenos no Pantanal, com possibilidade de expansão para o Cerrado. O investimento integra uma iniciativa nacional voltada ao monitoramento de agentes que podem causar doenças e à compreensão dos efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde humana.

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A Fiocruz Mato Grosso do Sul receberá R$ 2,1 milhões para ampliar a vigilância de patógenos no Pantanal, com possível expansão ao Cerrado. O projeto VIGI-MS, coordenado pela pesquisadora Zoraida Fernandez, integra chamada da Finep e conta com apoio da Fundect. A Região Amazônica também receberá R$ 6,9 milhões. O convênio, publicado no Diário Oficial, tem vigência de 36 meses e busca avaliar os efeitos das mudanças climáticas na saúde.

Os recursos fazem parte de um projeto de expansão da Rede de Vigilância de Patógenos em diferentes biomas brasileiros, contemplado em chamada pública da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). O extrato do convênio foi publicado no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira (23).

Em Mato Grosso do Sul, a iniciativa será desenvolvida pela Fiocruz sob a responsabilidade da pesquisadora Zoraida Fernandez. O projeto prevê investimento de R$ 2.129.333,50, composto por recursos da Finep e financiamento complementar da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul).

A pesquisa busca ampliar a capacidade de investigação científica e fortalecer a vigilância em saúde no território sul-mato-grossense, especialmente no Pantanal. A proposta também considera a possibilidade de levar os estudos ao Cerrado, ampliando a abrangência do monitoramento.

Mudanças climáticas e circulação de doenças - A iniciativa ganha relevância diante dos impactos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas e a saúde humana. Alterações ambientais podem influenciar a circulação de patógenos e modificar a dinâmica de transmissão de doenças, tornando necessário ampliar o acompanhamento científico desses agentes.

Segundo a Fiocruz, o investimento permitirá avançar na produção de conhecimento sobre as relações entre clima, biodiversidade, ambiente e saúde. A expectativa é que os resultados contribuam para identificar riscos e desenvolver estratégias de prevenção e resposta a possíveis ameaças à saúde pública.

O trabalho também está relacionado ao conceito de Saúde Única, abordagem que considera a conexão entre a saúde humana, a saúde animal e o meio ambiente. Nesse contexto, o monitoramento dos patógenos em diferentes biomas pode contribuir para compreender como as transformações ambientais interferem nos riscos de transmissão de doenças.

A proposta prevê ainda a integração entre diferentes unidades da Fiocruz, com o objetivo de ampliar a capacidade de investigação científica e fortalecer a vigilância de agentes infecciosos em regiões com características ambientais distintas.

Projeto também contempla a Amazônia - Além de Mato Grosso do Sul, o projeto nacional destinará recursos à Região Amazônica, por meio da iniciativa ReVigia, que contará com R$ 6.958.115,44 da Finep. Os trabalhos envolverão a Fiocruz Amazônia e a Fiocruz Rondônia, com foco no fortalecimento da vigilância de patógenos na Floresta Amazônica.

A frente sul-mato-grossense, identificada como VIGI-MS, receberá R$ 2.129.333,50 para pesquisas inicialmente concentradas no Pantanal. Somadas, as duas frentes representam R$ 9.087.448,94 em investimentos previstos para as iniciativas.

O convênio publicado no Diário Oficial estabelece valor de até R$ 8.555.116,94 em recursos da Finep e aporte adicional de R$ 532.332 da Fundect. O prazo de vigência e de execução física e financeira é de até 36 meses, contados a partir da assinatura do instrumento, realizada em 22 de junho de 2026.

Com o investimento, a Fiocruz Mato Grosso do Sul busca fortalecer a estrutura de pesquisa no Estado e ampliar a produção de evidências científicas sobre os riscos associados às mudanças ambientais. A iniciativa pretende contribuir para que o conhecimento sobre os patógenos presentes nos biomas brasileiros ajude a orientar medidas de vigilância e prevenção em saúde.