Mosca-dos-estábulos volta a "atacar” e produtor denuncia excesso de vinhaça
Liminar manda que usina de cana evite excesso de resíduo no solo para controle do inseto
RESUMO
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Apesar de liminar judicial que proíbe o descarte excessivo de vinhaça, produtores rurais de Nova Alvorada do Sul denunciam infestação de mosca-dos-estábulos em suas fazendas. Uma vaca morreu após ser fotografada coberta pelos insetos na Fazenda Velha Recordação. O produtor Milton Barbosa move ação contra a Usina Santa Luzia desde 2019, e a multa por descumprimento da liminar é de R$ 500 por dia.
Apesar de liminar impedindo excesso de vinhaça na plantação da cana-de-açúcar, a mosca-dos-estábulos, também chamada de mosca da cana, segue atormentando animais em Nova Alvorada do Sul, a 116 km de Campo Grande. Vídeo gravado terça-feira (dia 11), na Fazenda Velha Recordação, mostra uma vaca prostrada e com o corpo tomado pelos insetos.
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A mosca da cana se alimenta de sangue, o que faz dela um parasita de grande prejuízo para a pecuária. O animal morreu ontem. Vinhaça é o resíduo da destilação do caldo de cana fermentado para a produção de etanol.
“Estamos sob fogo cruzado de mosca da usina. A gente fez ata notarial no cartório relatando. Tem uma liminar que eles não podem derramar vinhaça”, afirma o produtor rural Milton Barbosa, que move ação contra a Usina Santa Luzia, da Atvos, desde 2019. O processo é junto com Ruth Nair Nogueira Barbosa, da Fazenda Velha Recordação.
“Os animais, em desespero, começam a correr para lá e para cá. Ele vê a água, se atira para ficar livre das moscas. E algum animal mais fraco cai na água, baixa a temperatura, já está fraco. Aí, tem que tirar os animais lá de dentro. O sofrimento dos animais é a minha maior revolta”, diz o produtor.
Em 2 de setembro de 2019, o juiz Jessé Cruciol Junior determinou que a usina deixasse de realizar, por qualquer meio ou método, o descarte danoso de vinhaça no solo, em quantidade superior ao que seja este capaz de absorver, de maneira a formar poças ou lagos, além de coibir a ocorrência de vazamento em seus canais.
“O sofrimento infligido aos animais é considerável e, em razão disso (abominável por si) há perda de peso, baixa de imunidade e até morte, o que prejudica seu uso comercial (pecuária). O incômodo aos moradores da região (trabalhadores da propriedade, por exemplo), é evidente nessas circunstâncias”, afirmou o juiz.
A decisão destacou que não proibiu o descarte de vinhaça no solo, mas sim o descarte danoso, excessivo e mal distribuído. A multa diária em caso de descumprimento foi fixada em R$ 500. Em 2022, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) negou pedido da usina e manteve a liminar.
"A Unidade Santa Luzia acompanha com atenção os temas relacionados à mosca-dos-estábulos na região e mantém ações permanentes de prevenção, monitoramento e controle. A companhia atua continuamente em suas áreas operacionais e agrícolas, realizando os ajustes necessários e aprimorando seus procedimentos com o suporte de consultoria especializada. A unidade reforça que conduz suas operações em conformidade com a legislação e com as práticas técnicas aplicáveis ao setor”, informa a empresa.
A Usina Santa Luzia fica na Fazenda São Sebastião, na BR-267.
Em Costa Rica, a 326 km de Campo Grande, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) manteve a vitória de 45 produtores rurais contra usina de álcool. A reclamação do grupo era contra o excesso de descarte de vinhaça no solo.
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