MP investiga regularização de barragens na Bacia do Sucuriú
Processo apura falta de renovação de licença e adequação das estruturas; documento anterior venceu em 2018

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) abriu inquérito civil para investigar a situação ambiental de barragens existentes na Fazenda Caiçara, área arrendada pela Eldorado Brasil Celulose. Conforme edital publicado nesta quinta-feira (24), o inquérito civil apura possível dano ambiental relacionado à falta de renovação da licença de instalação e operação e à ausência de regularização de barragem. A investigação partiu do auto de infração, expedido pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).
RESUMO
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Os documentos mostram que existem várias estruturas na propriedade. Durante os levantamentos para a regularização ambiental, foram identificados outros barramentos além daquele que originou a autuação. O processo identifica pelo menos cinco barramentos em regularização, mas não informa de forma consolidada quantas estruturas existem na propriedade. Os cadastros apresentam pontos em Três Lagoas, Selvíria e Inocência, na Bacia do Rio Sucuriú.
Com a abertura do inquérito, o MPMS pretende esclarecer a quantidade e a situação das estruturas, as responsabilidades do proprietário e da arrendatária e o andamento do licenciamento.
Licença vencida - Segundo manifestação anexada ao processo, as estruturas estavam relacionadas a um procedimento anterior, cujo instrumento de regularização venceu em 24 de janeiro de 2018. Em 2024, o Imasul notificou a empresa a regularizar os usos de recursos hídricos ligados às barragens e aplicou multa de R$ 4 mil pela falta de renovação da licença e pela ausência de regularização.
Como não houve defesa administrativa no prazo, o proprietário foi declarado revel em julho de 2025. Posteriormente, ele reconheceu a validade da autuação e pediu adesão ao Programa Estadual de Conversão de Multas Ambientais.
Eldorado - Em resposta ao Ministério Público, a Eldorado afirmou ter adotado as medidas necessárias para regularizar os barramentos que pretende utilizar em suas operações. Sobre as demais estruturas, declarou que elas não fariam parte de sua atividade e que o proprietário foi comunicado sobre a necessidade de regularização.
Em documentação posterior, a consultoria responsável pelo caso informou que a Eldorado passou a conduzir a regularização das barragens existentes na fazenda. Novos cadastros teriam sido feitos em nome da arrendatária para substituir registros do proprietário e eliminar duplicidades.
Imasul - Em 8 de setembro, o órgão informou ao MPMS que não encontrou pedido de licenciamento de barragem com os dados do auto de infração. No dia 15, a defesa do proprietário apresentou esclarecimentos e afirmou que a documentação técnica estava protocolada e em análise. Anexou também cadastros da Eldorado referentes a cinco barramentos antes registrados pelo proprietário. Segundo a defesa, o cancelamento dos registros antigos buscou evitar duplicidades e não significou abandono da regularização.
Os documentos disponíveis ainda não esclarecem quantos barramentos têm licença, a situação atual do instrumento vencido em 2018, nem apresentam classificação de risco ou avaliação de estabilidade.
Investigação - Iniciada em maio como notícia de fato, a apuração virou inquérito após o MPMS receber documentos do proprietário, da Eldorado e do Imasul. O Ministério Público ainda poderá pedir informações, vistorias e avaliações técnicas para definir a localização e a situação de cada barramento, além das responsabilidades envolvidas.
Até agora, o processo documenta a autuação, o vencimento do instrumento anterior e pedidos de regularização. Nos autos disponibilizados, não há comprovação de risco de rompimento ou de dano ambiental concreto causado pelos barramentos.
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