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Meio Ambiente

Na Capital, protocolo também muda rotina de escolas em dias de fumaça e temporal

Regras da Semed preveem adaptação de aulas, áreas de abrigo e cuidados antes mesmo de aluno passar mal

Por Ângela Kempfer e Fernanda Palheta | 28/09/2026 09:55
Na Capital, protocolo também muda rotina de escolas em dias de fumaça e temporal

Calor extremo, fumaça de queimadas, tempestades e alagamentos passam a ter regras específicas dentro das escolas municipais de Campo Grande. Protocolo elaborado pela Semed (Secretaria Municipal de Educação) estabelece como as unidades da Reme (Rede Municipal de Ensino) devem se preparar e agir quando as condições climáticas colocarem alunos e profissionais em risco.

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Campo Grande criou um protocolo específico para eventos climáticos extremos nas escolas municipais. A Secretaria Municipal de Educação definiu regras para situações de calor, fumaça, tempestades e alagamentos, estabelecendo medidas preventivas como oferta de água, adaptação de atividades físicas e identificação de áreas de risco. A suspensão de aulas é prerrogativa exclusiva da Semed, e diretores não podem tomar essa decisão sozinhos.

"Há cerca de um mês, o município de Campo Grande instituiu um protocolo geral para eventos extremos, medida que confere maior segurança e tranquilidade para que as escolas atuem em estreita colaboração com as famílias", explica o secretário municipal de educação, Lucas Bitencourt.

A orientação começa antes mesmo de qualquer emergência. Cada escola deve identificar seus próprios pontos vulneráveis, considerando estrutura, localização e acessos. Entram nessa análise locais sujeitos a alagamento, árvores, muros ou coberturas que ofereçam risco, espaços muito expostos ao calor e áreas que possam ser atingidas por fumaça, ventos ou chuvas.

Também precisam ser definidos previamente os locais seguros para onde os estudantes serão levados. Pátios descobertos, quadras abertas, arquibancadas, estacionamentos, áreas próximas a árvores e postes, tendas, estruturas metálicas externas e espaços junto a grandes vidraças não devem ser usados como abrigo.

Nos dias de calor extremo, uma das principais determinações é agir antes que alguém passe mal. O documento estabelece que a previsão de temperatura elevada ou baixa umidade deve ser considerada antes das atividades, sem necessidade de esperar que estudantes apresentem sintomas.

As escolas deverão manter água potável disponível, verificar o funcionamento dos bebedouros diariamente e estimular os alunos a permanecer com garrafas de água. O protocolo prevê até a criação de momentos regulares para hidratação durante o período escolar.

Cortinas e persianas podem ser utilizadas para diminuir a incidência direta do sol, enquanto ambientes frescos, ventilados ou climatizados devem ser priorizados. A permanência em locais quentes e abafados e a exposição prolongada ao sol devem ser reduzidas.

As mudanças chegam também às aulas de Educação Física. Exercícios intensos ou prolongados podem ser reduzidos ou substituídos, enquanto atividades externas poderão mudar de horário ou ser transferidas para espaços protegidos. Se forem mantidas, deverão contar com pausas para água e recuperação.

Isso não significa que toda atividade pedagógica precise parar quando o tempo estiver ruim. A orientação é adaptar a rotina sempre que houver condições seguras, inclusive trocando práticas externas por leitura, pesquisa, jogos pedagógicos, produção artística ou outras atividades em ambientes protegidos.

Crianças pequenas terão atenção reforçada. Na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, deverá aumentar a frequência da oferta de água nos dias quentes. A escola também poderá adaptar o momento do parque, reduzir a exposição nos horários de maior calor e priorizar ambientes ventilados. Às famílias, a recomendação é mandar as crianças com roupas leves e confortáveis.

Confusão, fraqueza, tontura, náusea, dor de cabeça, sonolência excessiva e mudanças de comportamento estão entre os sinais de alerta apontados pelo documento. Os cuidados se estendem aos professores e demais funcionários, que também devem ter acesso à água, pausas e, conforme as condições da unidade, descanso em locais frescos.

Na Capital, protocolo também muda rotina de escolas em dias de fumaça e temporal

  Fumaça também acende alerta

O calor não é o único problema previsto. Em períodos de queimadas, a presença de fumaça pode levar à suspensão das atividades ao ar livre e à transferência das turmas para ambientes internos.

Quando a qualidade do ar externo estiver prejudicada, a orientação é manter portas e janelas fechadas e reduzir exercícios de maior intensidade. Tosse, irritação nos olhos ou garganta, dor de cabeça, tontura e dificuldade para respirar estão entre os sinais que precisam ser observados.

Já durante tempestades, vendavais, raios ou granizo, a escola deve impedir a permanência de estudantes em áreas externas consideradas perigosas. Em situação de alerta, recreação, esportes em campos e quadras descobertas e atividades sob coberturas leves podem ser suspensos.

A água acumulada também deve ser tratada como risco. Em caso de alagamento, alunos e funcionários não podem entrar nas áreas atingidas, devido à possibilidade de correnteza, contaminação, presença de animais peçonhentos, danos estruturais ou contato com instalações elétricas.

Diretor não pode suspender aula sozinho

Apesar da autonomia para adotar medidas imediatas de proteção dentro da unidade, a direção não pode decidir sozinha pela suspensão das aulas da rede. O protocolo estabelece que essa atribuição é exclusiva da Semed.

Quando a situação exigir mudança na rotina, a secretaria deverá ser comunicada. As famílias poderão receber informações sobre o risco, as medidas adotadas e eventuais alterações na entrada, saída ou permanência dos estudantes.

Outra regra chama atenção: evento extremo não pode virar “aula prática”. O protocolo proíbe levar estudantes para áreas atingidas com a finalidade de observar, fotografar ou filmar os efeitos de uma ocorrência.

Se houver risco elétrico, entrada significativa de água, danos em cobertura, forro, muro ou necessidade de evacuação, a atividade deve ser encerrada. A regra resumida pelo próprio documento é que nenhuma aula, avaliação ou planejamento justifica manter estudantes em um local inseguro.