Pantanal tem menor área queimada em 41 anos de monitoramento
Mas dados de 2025 mostram que situação tem mudado, com queda de 85,6% em relação à média histórica do Pantanal
RESUMO
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O Pantanal registrou em 2025 a menor área queimada em 41 anos de monitoramento, com 121 mil hectares atingidos, queda de 85,6% em relação à média histórica, segundo o MapBiomas. Corumbá lidera o ranking nacional de queimadas acumuladas desde 1985. No país, 12,7 milhões de hectares queimaram, 31% abaixo da média histórica, impulsionados pela redução na Amazônia, que caiu de 15,8 milhões para 3,1 milhões de hectares.
Apesar dos focos começarem com força nesses tempos de estiagem, o Pantanal registrou no ano passado a menor extensão atingida pelo fogo desde o início do monitoramento, há 41 anos. "A queda interrompe uma sequência de anos de expansão do fogo e devolve o país a um patamar historicamente mais baixo de área queimada", avalia o MapBiomas, organização que divulgou hoje a segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil.
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Em 2025, o Pantanal teve 121 mil hectares queimados, uma redução de 85,6% em relação à média histórica do bioma. Foi a maior queda proporcional entre todos os biomas brasileiros. Mas áreas sensíveis, como a Serra do Amolar continuaram queimando (vídeo acima)
Mesmo assim, resultado do ano contrasta com o histórico de Corumbá, município que concentra grande parte do Pantanal sul-mato-grossense e segue no topo do ranking de território mais devastado desde 1985. A cidade lidera a lista nacional de área queimada acumulada ao lado de São Félix do Xingu, no Pará.
Embora a área queimada tenha caído, o impacto do fogo no Pantanal continua preocupante. Segundo o levantamento, metade ou mais da vegetação atingida no bioma apresenta severidade alta ou muito alta. Isso significa que as chamas tendem a causar danos mais intensos do que a média nacional.
Outro dado mostra que mais de 80% de toda a área queimada historicamente no Pantanal atingiu vegetação nativa. A proporção também é registrada no Cerrado, enquanto, na Amazônia e na Mata Atlântica, o fogo ocorre principalmente em áreas modificadas pela ação humana, como pastagens.
Cerrado continua como bioma mais atingido
Mesmo com redução em relação à média histórica, o Cerrado foi o bioma com a maior área queimada em 2025. Foram 8,7 milhões de hectares atingidos, diante de uma média anual de 9,6 milhões de hectares.
O bioma também apresenta a maior proporção de áreas queimadas repetidamente. Desde 1985, 66% de tudo o que já foi atingido pelo fogo no Cerrado queimou mais de uma vez.
Segundo Vera Laísa Arruda, pesquisadora do MapBiomas Fogo e do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), o fogo faz parte da dinâmica natural do Cerrado, mas a frequência e a extensão atuais podem superar a capacidade de recuperação da vegetação.
“Quando esse regime se intensifica, aumentam os riscos de perda de biodiversidade e degradação do bioma”, afirmou.
Somados, Cerrado e Amazônia concentram 86% de toda a área atingida pelo fogo pelo menos uma vez no Brasil desde 1985.
Queimadas caíram no país
Em todo o Brasil, 12,7 milhões de hectares queimaram em 2025. O total ficou 31% abaixo da média histórica anual, de 18,4 milhões de hectares, e representou quase a metade da área registrada em 2024.
A redução foi puxada principalmente pela Amazônia, que passou de 15,8 milhões de hectares queimados em 2024, maior número da série histórica, para 3,1 milhões em 2025, o menor resultado já registrado no bioma.
O levantamento também aponta que 64% de toda a área queimada no Brasil nos últimos 41 anos foi atingida mais de uma vez. Em mais da metade desses locais, o fogo retornou em um intervalo de até quatro anos.

