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Economia

Maior fábrica de celulose do mundo já credenciou "4 Inocências" em trabalhadores

Em quase dois anos, a obra da Arauco habilitou 33,5 mil funcionários e integrou 1.087 empresas

Por Anderson Viegas | 21/07/2026 08:44


RESUMO

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A construção da maior fábrica de celulose do mundo, em Inocência, Mato Grosso do Sul, já credenciou 33.580 trabalhadores e integrou 1.087 empresas em quase dois anos de obras. O Projeto Sucuriú, da Arauco, teve mais de 6,4 milhões de acessos ao canteiro e 155 mil análises documentais. Com investimento de US$ 4,6 bilhões, a unidade deve iniciar operação no fim de 2027 e produzir 3,5 milhões de toneladas por ano.


Em quase dois anos de obras, a construção da maior fábrica de celulose do mundo, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, já credenciou 33.580 trabalhadores para atuar no Projeto Sucuriú. O contingente equivale a quatro vezes a população do município, que tem 8.404 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE. No mesmo período, a obra integrou 1.087 empresas à rede de fornecedores da Arauco, contabilizou 6.401.327 acessos ao canteiro e realizou mais de 155 mil análises documentais.

Os dados são da Meta.X, empresa responsável pelo credenciamento e mobilização de colaboradores, controle de obrigações acessórias e gestão de acesso da obra. Segundo a companhia, a rede de fornecedores foi estruturada em modelo multinível, conectando contratantes, contratadas e subcontratadas.

Desde o início da construção, as catracas registraram 6.401.327 acessos ao canteiro, uma média de 52.903 movimentações por dia, com pico de 69.719 registros em um único dia. A operação conta com 65 catracas, oito portarias monitoradas, sendo três na planta industrial e cinco nos alojamentos, além de monitoramento em tempo real, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Outro indicador da dimensão do empreendimento é a cadeia de fornecedores. Até o momento, 1.087 empresas foram integradas ao sistema da Arauco, formando uma estrutura multinível que reúne contratantes, contratadas e subcontratadas.

Ao longo da obra, o sistema realizou 155.086 análises documentais. O pico de credenciamentos ocorreu em fevereiro de 2026, quando 3.182 colaboradores foram habilitados para atuar no empreendimento em um único mês. Atualmente, o ritmo permanece entre 2 mil e 3 mil credenciamentos mensais.

Do total de acessos registrados, 188.762 foram bloqueados preventivamente, o equivalente a 2,95% das tentativas de entrada. Entre os bloqueios, 59.258 ocorreram por reprovação no teste do bafômetro e 6.975 por descumprimento do intervalo mínimo de interjornada. A operação também controlou o acesso de 7.245 visitantes e 6.168 veículos credenciados.

Outro pilar da gestão da obra é o COA (Controle de Obrigações Acessórias), sistema que verifica se as empresas prestadoras de serviço cumprem as obrigações trabalhistas, fiscais e contratuais exigidas para atuar no projeto.

Até o momento, foram auditadas 490 empresas, 740 contratos e 89.220 colaboradores, com índice de 97% de aprovação documental. Dos contratos avaliados, 91% atendem integralmente aos requisitos da Arauco, enquanto os 7% classificados como críticos permanecem sob acompanhamento, com planos de regularização em andamento.

Maior fábrica de celulose do mundo já credenciou "4 Inocências" em trabalhadores
Catracas registraram média de 52.903 movimentações por dia (Foto: Arauco/Divulgação)

Drones preservam vegetação na implantação da linha de transmissão

O gigantismo do Projeto Sucuriú também aparece nas soluções adotadas para reduzir impactos ambientais. Um exemplo é a implantação da linha de transmissão que conectará a futura fábrica ao SIN (Sistema Interligado Nacional), em Selvíria.

 Para minimizar intervenções sobre a vegetação nativa, a Arauco passou a utilizar drones no lançamento das primeiras cordas-guia para instalação dos cabos de alta tensão. Em trechos específicos, a tecnologia substituiu o método convencional, que exigiria abertura de faixas de vegetação e acesso direto de equipes às áreas preservadas.

Na prática, os drones transportaram pelo ar as cordas que servem de guia para a instalação dos cabos da linha de transmissão. Segundo a empresa, a solução preservou 33,29 hectares de vegetação nativa e manteve estocadas aproximadamente 4.566 toneladas de CO₂ equivalente, carbono que continua armazenado na vegetação preservada.

"Esse projeto nasceu de uma decisão técnica e ambiental muito clara: mesmo havendo autorização para a supressão vegetal ao longo do traçado, buscamos uma alternativa que reduzisse ao máximo a necessidade de intervenção em áreas de vegetação nativa. É uma solução que mostra como a inovação pode ser aplicada de forma prática para reduzir impactos e aprimorar a implantação de grandes projetos de infraestrutura", afirma Camila Paschoal, gerente de Meio Ambiente da Arauco Celulose.

A linha de transmissão terá 91 quilômetros de extensão e utilizará 1.045 quilômetros de cabos de alta tensão. A estrutura é essencial para conectar a futura fábrica ao sistema elétrico nacional.

Quando entrar em operação, a unidade terá capacidade para gerar 400 MW de energia, sendo 200 MW destinados ao consumo próprio e outros 200 MW disponibilizados ao Sistema Interligado Nacional. Segundo a empresa, esse excedente será suficiente para abastecer uma cidade do porte de Campo Grande.

Além do uso de drones, o projeto incorporou soluções de engenharia para reduzir interferências ambientais. As torres variam entre 13,5 e 54 metros de altura, enquanto os cabos ficam entre 13 e 50 metros do solo, conforme o relevo e os requisitos de segurança elétrica. Em alguns trechos, as estruturas foram elevadas para evitar intervenções em APPs (Áreas de Preservação Permanente).

A utilização dos drones também trouxe ganhos operacionais, reduzindo a necessidade de acesso físico a áreas de difícil alcance, ampliando a segurança das equipes e diminuindo os impactos sobre o solo, a fauna e a conectividade ecológica.

Além de evitar a supressão vegetal, a iniciativa contribui para preservar importantes serviços ecossistêmicos, como o armazenamento de carbono, a manutenção de habitats, a regulação hídrica e a proteção de áreas dos biomas Cerrado e Mata Atlântica.

Maior fábrica de celulose do mundo já credenciou "4 Inocências" em trabalhadores
Maciço florestal da Arauco no entorno da futura fábrica de celulose, em Inocência (Foto: Arauco/Divulgação)

Maior investimento da história da companhia

O Projeto Sucuriú representa o maior investimento da história da Arauco, uma das maiores empresas globais dos setores de celulose, produtos de madeira, reservas florestais e bioenergia.

São US$ 4,6 bilhões destinados à construção da primeira fábrica da companhia no Brasil e da maior fábrica de celulose do mundo construída em etapa única.

A unidade terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de mercado por ano, com início das operações previsto para o fim de 2027.

 No pico da construção, o canteiro deverá reunir mais de 14 mil trabalhadores. Após o início da operação, o Projeto Sucuriú deverá gerar cerca de 6 mil empregos nas áreas industrial, florestal e logística.