Pesquisa fará escuta de ariranhas com gravador de ponta no Pantanal
Conhecidos como "onças d'água", esses animais estão classificados como "em perigo" e "ameaçadas"

As ariranhas da Serra do Amolar, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, agora poderão ser "ouvidas" numa pesquisa que está em desenvolvimento na região e é coordenada pelo IHP (Instituto Homem Pantaneiro). A organização anunciou que recebeu um gravador de alta fidelidade e alta tecnologia, feito especialmente para a escuta de interações e conversas entre os animais.
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Pesquisadores do Instituto Homem Pantaneiro iniciaram o monitoramento acústico de ariranhas na Serra do Amolar, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, com um gravador de alta fidelidade cedido pela Log Nature. O equipamento será instalado nas tocas dos animais para captar vocalizações sem interferir em seu comportamento. A espécie está classificada como "em perigo" pela IUCN, com redução de 40% em sua distribuição no Brasil.
A novidade foi contada nesta última quarta-feira do mês de maio (27), Dia Mundial das Lontras. A ariranha é a maior espécie da subfamília das lontras no mundo e é considerada um animal “bandeira” para a proteção da biodiversidade, mas está classificada atualmente como "em perigo" na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, na tradução para o português) e foi definida como "ameaçada" após decisão tomada na COP15 (15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres).
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O equipamento foi cedido pela Log Nature, que tem sede em Belo Horizonte (MG) e comercializa diversos acessórios que dão suporte às pesquisas científicas voltadas à conservação natural.
A doação vai permitir que o monitoramento das ariranhas pantaneiras fique mais preciso e livre de interferências no comportamento naquele habitat. “A bioacústica potencializa o desenvolvimento da pesquisa científica envolvendo a espécie e vai permitir compreendermos a dinâmica social desses animais sem interferir na rotina deles", explica Wener Hugo Moreno, coordenador de Biodiversidade do IHP.
Locas - O gravador será instalado nas locas, como são chamados os abrigos da espécie. Ela os procura quando não está nadando e procurando presas com a habilidade que justifica o seu apelido de "onça d'água".
Serão ouvidos e interpretados diversos sons emitidos pelas ariranhas. "Posteriormente, vamos conseguir decodificar vocalizações de alerta, interações territoriais e a comunicação íntima entre os membros dos grupos. É a tecnologia avançada gerando dados brutos para salvar o coração do Pantanal”, complementa Wener Hugo.
O IHP e a Log Nature já tinham uma outra parceria firmada em janeiro de 2025. Ela consistia no monitoramento da espécie por meio de armadilhas fotográficas. As iniciativas respondem aos esforços de frear a redução da distribuição da espécie no Brasil. A queda está estimada em 40%, segundo o Instituto.
Os dados obtidos na Serra do Amolar serão compartilhados diretamente com a coordenação do PAN (Plano de Ação Nacional para Conservação da Ariranha), feita pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), do qual o Instituto Homem Pantaneiro é membro. Os resultados das análises acústicas e populacionais também ficarão disponíveis para tomadores de decisão e parceiros locais. Eles poderão ser usados como subsídio para fortalecer estratégias integradas para proteger recursos hídricos e guiar o ecoturismo na bacia pantaneira.
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