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Campo Grande, Domingo, 19 de Novembro de 2017

05/11/2017 17:57

Pesquisadores registram tatu-canastra pela primeira vez na reserva Cisalpina

Registro "raro" só foi possível devido a armadilhas fotográficas instaladas na área.

Anahi Gurgel
Tatu-canastra é fotografada pela primeira vez na Reserva Cisalpina, em Brasilândia. (Foto: Arquivo IPÊ)Tatu-canastra é fotografada pela primeira vez na Reserva Cisalpina, em Brasilândia. (Foto: Arquivo IPÊ)

Pela primeira vez, exemplares de tatu-canastra foram registrados na Reserva Cisalpina, no Mato Grosso do Sul. A “façanha” foi descoberta por pesquisadores que realizam estudos da espécie no estado, por meio de armadilhas fotográficas instaladas ao redor do Rio Paraná, em Brasilândia.

Até então só haviam relatos de moradores locais quanto a presença do animal na área, mas nada que comprovasse sua existência cientificamente. As imagens foram registradas em novembro do ano passado, mas somente agora divulgadas por pesquisadores do projeto Tatu-Canastra, desenvolvido pelo IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas eThe Royal Zoological Society of Scotland.

Esta é a única área em território brasileiro desse corredor tri-nacional onde a espécie é agora conhecida.

Pesquisador Gabriel Fávero Massocato montando armadilha fotográfica em Brasileira. (Foto: Arquivo/IPE)Pesquisador Gabriel Fávero Massocato montando armadilha fotográfica em Brasileira. (Foto: Arquivo/IPE)

“A aparição é importante porque permite conhecer os hábitso desses animais e desenvolver ações para sua preservação. A proteção dessa reserva é fundamental para a conservação da espécie, que está na lista vermelha das espécies ameaçadas”, disse um dos pesquisadores, o biólogo Gabriel Fávero Massocato.

As armadilhas fotográficas permitiram registro de três tatus-canastra fêmeas e ainda 30 tocas atribuídas a escavações da espécie, conhecida como "engenheiro do ecossistema".

Essas tocas são usadas como abrigo e conforto térmico por aproximadamente 35 outras espécies, indicando indicando sua importância na manutenção da qualidade de habitat para um grande número de animais nesse corredor de biodiversidade.

Tatu-Canastra é o maior da espécie de tatu e pode medir até 1.50 metros e pesar até 50 quilos. Devido ao seus comportamento noturno a sua baixa densidade populacional, este animal é raramente encontrado.

Imagem de uma fêmea de tatu-canastra. (Foto: Arquivo/IPE)Imagem de uma fêmea de tatu-canastra. (Foto: Arquivo/IPE)

O animal consta da Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção e é classificado na categoria Vulnerável pela Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza.

A área sofreu grande impactos devido a ações de desmatamento e inundações mas, hoje, é considerada o maior remanescente de floresta protegida e se tornou um grande refúgio para a biodiversidade ao longo do rio Paraná.

Ali, como o tatu-canastra não era conhecido até recentemente, não constava no Plano de Manejo para a área, elaborado pela CESP (Companhia Energética de São Paulo) em 2006.

Desde 2010, o projeto Tatu-Canastra realiza pesquisas científicas para a proteção da espécie no Pantanal e Cerrado do MS. No Brasil, a espécie pode ser encontrada na Floresta Amazônica, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. Nos pampas, é considerado extinto e não há registros da espécie na Caatinga.

Imagem da espécie detectada em mato Grosso do Sul. (Foto: Arquivo/IPE)Imagem da espécie detectada em mato Grosso do Sul. (Foto: Arquivo/IPE)

Outra conclusão importante, de acordo com o biólogo, é que uma das fêmeas chegou a atravessar a rodovia BR-158. Cinco tatus-canastra já foram atropelados no estado esse ano.

Somente agora as imagens foram divulgadas em um artigo científico na revista Edentata - periódico de divulgação do Grupo de Especialistas em Tamanduás, Preguiças e Tatus da IUCN/SSC.

Oásis - A Cisalpina é a maior reserva ambiental do leste do estado e que faz parte de uma importante área do corredor de biodiversidade tri-nacional do Rio Paraná, de extrema importância para a conservação da fauna.

Trata-se de um remanescente das várzeas do rio Paraná e representa uma grande amostra do ecossistema que restou após o enchimento da hidrelétrica Sérgio Motta, em 1995. A paisagem é um mosaico com lagoas, córregos e canais interligados ao canal do rio Paraná, áreas abertas inundáveis e manchas florestais naturais.



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