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Meio Ambiente

Pouca chuva e má distribuição no Pantanal alertam para um ano de seca e fogo

Atuais condições hidrológicas não são favoráveis ao bioma, que ardeu em chamas em 2024

Por Silvio de Andrade, de Corumbá | 23/01/2026 11:22
Pouca chuva e má distribuição no Pantanal alertam para um ano de seca e fogo
Nos últimos oito meses a chuva acumulada na bacia foi 7% menos que a média histórica. (Foto: Divulgação)

As condições climáticas no Pantanal não são favoráveis para o período, em relação ao ano passado (quando a bacia do Rio Paraguai acumulou volume suficiente de água para evitar os grandes incêndios florestais). Chove menos no bioma, principalmente nas cabeceiras (planalto de Mato Grosso) e as primeiras interpretações desse comportamento hídrico indicam um cenário adverso, com indicativo de um ano de seca acentuada e suscetível ao fogo.

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O Pantanal enfrenta condições climáticas desfavoráveis em 2026, com volume de chuvas 7% abaixo da média histórica nos últimos oito meses. Em janeiro, o índice pluviométrico está 60% menor que no mesmo período de 2025, alertando para possível seca severa e risco de incêndios. O Rio Paraguai apresenta níveis críticos em diversas estações. Em Ladário, ponto de referência para previsões hidrológicas, a média dos primeiros 23 dias de janeiro foi de 0,79m, cerca de 47cm inferior a janeiro de 2025. Especialistas alertam para possíveis impactos na pesca, fauna aquática e abastecimento regional.

“A tendência de início de ano seco, especialmente no Norte da bacia (MT), é um sinal de alerta precoce, que reforça o risco de mais um período de baixo volume de água no Pantanal”, advertiu Carlos Roberto Padovani, pesquisador da Embrapa Pantanal, instituição sediada em Corumbá.

Se não houver aumento expressivo da chuva, até meados de fevereiro, é provável que o acúmulo de água na planície, entre Corumbá e Porto Murtinho, seja semelhante ou até inferior a 2025 – período em que o Pantanal se recuperou parcialmente da situação extrema de 2024. Nesse ano, o Rio Paraguai atingiu o nível negativo recorde na régua de Ladário (menos 0,69cm, no dia 17 de outubro) e o fogo atingiu 2,6 milhões de hectares no Pantanal.

Pouca chuva e má distribuição no Pantanal alertam para um ano de seca e fogo
Total de chuva mensal recente (junho de 2025 a janeiro de 2026) e histórico na bacia pantaneira. (Reprodução/SGB)

Chuvas fracas - A análise de Padovani coincide com os dados divulgados no último boletim do monitoramento hidrológico mensal realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), segundo o qual, nos últimos oito meses, a chuva acumulada na bacia foi 7% menos que a média histórica para o período de 1998/2024. No mês de dezembro do ano passado choveu mais que no mesmo período, porém o volume em janeiro de 2026 está sendo 60% inferior às médias mensais históricas.

“Se as chuvas não reagirem logo, o Pantanal terá menos água este ano e os impactos devem atingir pescadores, ribeirinhos, fauna aquática e abastecimento em várias regiões, além da navegação”, aponta o pesquisador em seu diagnóstico solicitado pelo Campo Grande News. “O padrão atual é de chuvas fracas e mal distribuídas, o que explica a resposta lenta dos rios, mesmo com o avanço do período úmido (entre outubro e março).”

Em diversas estações, como Ladário e Cáceres (MT), os níveis dos rios estão significativamente abaixo da média para esta época do ano. Em Ladário, cuja régua é considerada referência para as previsões hidrológicas, o nível médio registrado nos primeiros 23 dias de janeiro foi de 0,79 m, cerca de 47 cm abaixo do observado em janeiro de 2025 (1,26 m).

Em baixa - Em Cáceres, nesta sexta-feira, o rio está abaixo da cota de 2024 (2,14m), ano de prolongada estiagem, com variações diárias para menos (atingiu 2,61m em 1º de janeiro e hoje registra 1,85m) na estação chuvosa. O comportamento do rio nessa régua confirma que a planície terá uma inundação lenta e contida. As chuvas no alto Paraguai (Cáceres e arredores) são estratégicas para alimentar os rios que descem para o Pantanal, explica Padovani.

Conforme o boletim do SGB, espera-se para a próxima semana um acumulado médio de 15 mm de chuva, com maiores contribuições na região de Cuiabá (MT) e volume menor em Miranda, com elevação gradual dos rios. A distribuição de chuvas em janeiro: Alto Paraguai, 90 mm; Taquari, 114 mm; Miranda, 83 mm; Aquidauana, 102 mm; bacia, 79 mm. Níveis do Rio Paraguai previstos pelo SGB para 30 dias: Cáceres, 3,09 m; Ladário, 1,15 m; Porto Murtinho, 2,39 m.