Turistas flagram “carnaval” de sucuris durante pescaria no Rio Brilhante
Guia identificou ao menos três serpentes enroladas em cena ligada ao período reprodutivo
O “carnaval” não teve confete nem serpentina, mas chamou a atenção de quem navegava pelo Rio Brilhante. Durante uma pescaria, turistas de Goiás encontraram sucuris enroladas umas às outras em uma cena de acasalamento registrada pelo guia Antônio Marcos da Silva Oliveira, conhecido como Mazafishing, nas redes sociais.
RESUMO
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Acostumado a cruzar com grandes serpentes durante as pescarias, Antônio conta que aquele encontro foi diferente. Segundo ele, foi a primeira vez que viu sucuris reunidas dessa maneira. “Já tive muitos encontros com sucuris gigantes, mas esse, em especial, em acasalamento, foi a primeira vez. Lindo demais de ver”, relatou.
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Ao se aproximar, o grupo conseguiu identificar pelo menos três cabeças entre os animais. O guia acredita que as sucuris estavam em repouso e afirma que a aproximação foi feita com cuidado. “Chegamos perto e nada aconteceu”, contou. Nenhuma delas demonstrou reação à presença do barco.
De longe, Antônio chegou a imaginar que estava diante de apenas uma sucuri de grande porte. A surpresa veio quando o barco se aproximou. “Quando vi, achei que era apenas um exemplar gigante. Chegando perto, vimos aquela cena linda”, disse. Para ele, o comportamento estava relacionado ao período reprodutivo.
Esse tipo de encontro pode reunir uma fêmea, normalmente maior, e mais de um macho ao mesmo tempo. As sucuris apresentam comportamento reprodutivo conhecido como poliandria, quando uma mesma fêmea pode acasalar com vários machos durante o período fértil.
A concentração de serpentes em torno de uma fêmea não é exclusividade das sucuris.
Em entrevista anterior ao Campo Grande News, sobre um flagrante envolvendo jiboias, a médica veterinária e bióloga Paula Helena Santa Rita, especialista em serpentes do Gretap (Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado Pantanal), resumiu a movimentação com bom humor: “Primavera tem mais que flores, tem o Carnaval das espécies”.
Na ocasião, Paula explicou que, durante o período reprodutivo das jiboias, machos podem localizar as fêmeas por meio dos feromônios liberados por elas. O cortejo inclui aproximações, movimentos e contato entre os animais e é registrado durante a primavera, que começa oficialmente no dia 22 de setembro, e segue até dia 21 de dezembro.
A explicação era específica para aquele registro de jiboias, mas ajuda a mostrar como a época de reprodução pode transformar encontros entre serpentes em cenas pouco comuns para quem observa da margem ou de dentro do barco.

