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Cidades

Geradores viram saída para moradores e procura por locações “explode” na Capital

Sem energia, moradores compartilham custos do equipamento para salvar alimentos e reduzir perdas

Por Inara Silva | 12/09/2026 10:10

Sem energia elétrica desde as 17h de quinta-feira (10), moradores do Bairro Taveirópolis, em Campo Grande, encontraram uma saída coletiva para tentar reduzir os prejuízos com o uso de gerador alugado. O equipamento passa de um vizinho para outro para manter geladeiras e freezers refrigerados. Mesmo assim, já houve perdas. Um veterinário da rua precisou descartar medicamentos perecíveis que ficaram sem refrigeração.

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Moradores do Bairro Taveirópolis, em Campo Grande, estão sem energia elétrica desde quinta-feira (10) e buscam alternativas para reduzir prejuízos. Um morador alugou um gerador por R$ 150 a diária, além de gastar R$ 100 em gasolina, compartilhando o equipamento com vizinhos. Um veterinário precisou descartar medicamentos perecíveis. Uma empresa de locação de geradores registrou 94 pedidos emergenciais desde o temporal, com diárias que variam de R$ 1,5 mil a R$ 20 mil.

Quem conseguiu o equipamento foi Adriano Adames de Souza. Após passar a quinta-feira e a sexta sem energia e sem previsão de retorno, ele decidiu alugar um pequeno gerador de um conhecido que mantém o equipamento em uma chácara.

Adriano foi buscá-lo e pagou R$ 150 pela diária, além de gastar cerca de R$ 100 com gasolina. Em casa, a prioridade foi preservar o que estava armazenado no freezer e na geladeira, como carnes, leite, frutas, verduras, requeijão e outros alimentos.

A capacidade do gerador não permite manter todos os equipamentos da residência funcionando, por isso, ar-condicionado e outros aparelhos ficaram de fora.

Na manhã deste sábado (12), após conseguir congelar novamente os alimentos, ele levou o gerador para a casa de outros moradores. A ideia é fazer o equipamento circular para que outras famílias também consigam refrigerar geladeiras e freezers antes que o equipamento seja devolvido.

Um dos que recorreram à ajuda foi o veterinário Victor Rodrigo Domingos Magalhães, vizinho de Adriano. Para ele, porém, o gerador chegou depois que parte do prejuízo já estava consumada. “Tenho medicações perecíveis que tiveram que ser descartadas, pois ficaram sem refrigeração”, relatou.

A dificuldade não se restringe aos moradores que tentam preservar alimentos em casa. Com a interrupção prolongada, comerciantes também passaram a procurar alternativas para manter equipamentos funcionando.

Geradores viram saída para moradores e procura por locações “explode” na Capital
Alimentos armazenaos no freezer de Adriano após uso de gerador (Foto: Acervo Pessoal)

Marcelo Soubhie, proprietário do pet shop Outpet, tentou conseguir um gerador, mas afirma que não encontrou nenhum disponível. “Já fui atrás de gerador, eu não encontro. Estão todos nas clínicas, nos hospitais”, relatou.

Procura por geradores dispara - A dificuldade mencionada pelo comerciante aparece também nos números de uma empresa especializada. Na Energe Geradores, que atua em Campo Grande desde 2005, foram recebidos 94 pedidos emergenciais desde o temporal, segundo o proprietário Marcelo Trindade.

A procura começou ainda na quinta-feira, durante a tempestade, e avançou pela madrugada. Somente naquela noite, foram realizados 15 atendimentos. Neste sábado, até o momento da entrevista, outros 20 pedidos já haviam chegado à empresa.

As solicitações vêm de diferentes setores. Segundo Trindade, há procura de residências, lanchonetes, hotéis, hospitais, lojas, propriedades rurais, confinamentos de gado, indústrias e usinas.

Ele explica que nem todos os 94 pedidos puderam ser atendidos. Além da disponibilidade dos equipamentos, a operação depende de equipes para transportar, descarregar e fazer as ligações. Com muitas solicitações concentradas em pouco tempo, a mão de obra também se tornou um limitador.

Para residências e pequenos estabelecimentos, o custo de uma locação profissional pode ser outro obstáculo. Conforme Trindade, a diária de um gerador de 15 kVA (quilovolt-ampère), utilizado para atender uma residência ou pequeno comércio, fica em torno de R$ 1,5 mil. Em operações de grande porte, como indústrias e usinas, o valor pode chegar a R$ 20 mil por dia, dependendo da demanda energética. A empresa trabalha com equipamentos de até 2.000 kVA.

Trindade explica que a procura emergencial provocada pelo temporal é diferente das locações habituais. Em situações normais, parte da demanda é programada, como nos casos em que clientes sabem previamente que haverá interrupção no fornecimento para manutenção da rede.

O cenário fez o empresário lembrar outro episódio de forte demanda. Ele recordou que em 15 de outubro de 2021, a empresa passou por situação semelhante quando um temporal também provocou estragos e interrupções de energia em Campo Grande. Na época, segundo ele, a empresa possuía dez geradores. Hoje são 123.

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