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Seu cachorro pode ser autista? A pergunta que divide a internet

Problemas de comportamento podem confundir; ciência não reconhece, mas a internet insiste

Por Natália Olliver | 07/02/2026 08:26
Seu cachorro pode ser autista? A pergunta que divide a internet
Problemas de comportamento podem ser confundidos; ciência não reconhece, mas a internet insiste (Foto: Inteligência artificial)

“Autismo” em cães e gatos? O assunto é polêmico há anos, mas tem sido buscado com mais frequência na internet. Termos como “cachorro tem autismo”, “autismo em cães” e “gato autista” voltaram a aparecer. Hoje, o Lado B explica se isso de fato existe ou se é apenas mito.

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O debate sobre autismo em animais de estimação ganhou força nas redes sociais, mas não há comprovação científica de que cães e gatos possam desenvolver o transtorno. Segundo o veterinário Rafael Rodrigues dos Santos Prudêncio, comportamentos como isolamento e movimentos repetitivos são frequentemente confundidos com autismo.Os sinais que preocupam tutores podem indicar ansiedade, distúrbios comportamentais ou problemas neurológicos, especialmente em animais idosos. Especialistas recomendam avaliação veterinária para identificar as reais causas e estabelecer tratamentos adequados, que podem incluir mudanças na rotina e medicação.

Comportamentos como isolamento, repetição de movimentos e não reconhecimento do ambiente fazem muitos se perguntarem se cães e gatos podem ter autismo. O fato é que não existe comprovação científica de que o espectro exista em pets. Quem fala mais sobre isso é o médico veterinário Rafael Rodrigues dos Santos Prudêncio, especialista em medicina felina.

Segundo ele, o uso do termo é popular, mas não encontra respaldo na medicina veterinária. “O termo acaba sendo usado de forma popular, mas, na medicina veterinária, buscamos entender se há ansiedade, distúrbios comportamentais, dor ou alterações neurológicas por trás daquele comportamento”, explica.

Entre os sinais mais citados por tutores estão o isolamento excessivo, a recusa ao carinho ou ao contato físico, comportamentos repetitivos, como girar em círculos ou lamber compulsivamente as patas, e a sensação de que o animal está “desligado” do ambiente.

De acordo com o veterinário, esses sinais não indicam autismo, mas merecem atenção clínica. Em muitos casos, estão associados ao envelhecimento. “A maioria desses casos ocorre em cães e gatos idosos”, afirma Prudêncio.

Ele cita sintomas comuns em animais com alterações cognitivas ou neurológicas, como troca do dia pela noite, dificuldade de reconhecer o ambiente, vocalização excessiva semelhante a choro e o comportamento de ficar parado, olhando para o nada, como se estivesse desorientado.

“O ideal é não rotular. Esses comportamentos pedem avaliação veterinária, investigação de dor ou doença e ajuste de rotina e comportamento”, reforça o médico.

Na prática, fatores como ansiedade, falta de estímulos, manejo inadequado, dor crônica e doenças metabólicas ou neurológicas explicam a maioria dos casos. Em situações assim, intervenções simples, como mudança de rotina, enriquecimento ambiental, acompanhamento comportamental e, quando necessário, medicação, costumam trazer melhora significativa.

Ao perceber qualquer alteração no comportamento do animal, a orientação é clara: procurar um profissional especializado. Quanto mais cedo a avaliação, maiores as chances de identificar a causa real e oferecer qualidade de vida ao pet.

Rafael acrescenta que problemas em gatos são ainda mais difíceis de serem percebidos, por isso eles exigem ainda mais atenção. “São os mesmos sinais que os cães, porém os gatos são mestres em esconder sinais clínicos. Então, quando demonstram, já estão bem debilitados, principalmente quando se trata de dor”.