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Roupinha no calor pode virar uma “estufa” e até matar seu cachorro

Mesmo leves, as peças podem provocar complicações à saúde dos animais

Por Amanda Santos | 08/08/2026 08:10
Roupinha no calor pode virar uma “estufa” e até matar seu cachorro
Respiração muito acelerada, língua para fora e salivação intensa são alguns dos sinais que o animal dá quando está com calor. (Reprodução/Google)

Camiseta, vestido, fantasia e até look combinando com o tutor. A roupinha pode render uma foto fofa, mas, em dias de calorão, o costume de vestir cães e gatos pode virar um risco à saúde. Segundo o médico-veterinário Antônio Defanti, de 52 anos, o tecido dificulta a liberação do calor do corpo e pode provocar hipertermia, quadro que, em situações mais graves, pode levar o animal à morte.

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Vestir cães e gatos com roupas em dias quentes pode causar hipertermia e até levar à morte dos animais, alerta o médico-veterinário Antônio Defanti. Diferente dos humanos, os pets têm sistema de regulação térmica limitado, e os pelos já funcionam como isolante natural. Os sinais de superaquecimento incluem respiração acelerada, salivação intensa e convulsões. Raças como Pug e Persa são mais vulneráveis. Roupas só são indicadas em casos específicos, com orientação profissional.

Diferentemente dos humanos, que eliminam calor principalmente por meio do suor, cães e gatos possuem um sistema de regulação térmica bastante limitado.

“Os pelos já funcionam como um isolante térmico natural. Quando colocamos uma roupa, criamos mais uma camada que impede a saída do calor produzido pelo próprio organismo”, explica o veterinário.

Na prática, isso significa que o tecido retém o calor próximo ao corpo do animal, aumentando rapidamente sua temperatura, principalmente durante passeios ou brincadeiras ao ar livre.

O tutor deve ficar atento aos primeiros sinais de superaquecimento. Entre eles estão respiração muito acelerada, língua para fora, salivação intensa, gengivas avermelhadas, cansaço excessivo e dificuldade para caminhar.

Em situações mais graves, o animal pode apresentar tremores, perda de coordenação, convulsões e até entrar em colapso térmico.

Embora qualquer cão ou gato possa sofrer com o calor, algumas raças são naturalmente mais vulneráveis.

É o caso dos cães de focinho curto, como Pug, Buldogue Francês, Buldogue Inglês, Shih Tzu, Pequinês e Boxer. Nos gatos, Persa e Exótico também fazem parte desse grupo.

Segundo Antônio, esses animais apresentam alterações anatômicas que dificultam a troca de calor pela respiração, tornando qualquer aumento de temperatura ainda mais perigoso.

Os gatos, de maneira geral, costumam tolerar muito mal o uso de roupas. Além do aquecimento, elas podem causar estresse e restringir os movimentos naturais do felino.

Isso não significa que roupas nunca possam ser utilizadas. O veterinário explica que elas são indicadas em situações específicas, sempre com orientação profissional.

É o caso de roupas cirúrgicas para proteger pontos e feridas no pós-operatório, camisetas com proteção UV para animais com doenças de pele ou pouca pigmentação e coletes de resfriamento, desenvolvidos justamente para ajudar no controle da temperatura corporal.

Vestir o pet para passeios ou eventos em horários quentes pode ser ainda mais perigoso.

“O exercício físico já faz a temperatura corporal subir. Quando somamos roupa, calor e asfalto quente, criamos uma espécie de estufa. O animal pode sofrer um colapso térmico em poucos minutos”, alerta.

Se o animal travar, tentar arrancar a roupa, esfregar o corpo em móveis ou apresentar respiração acelerada e pele muito quente ao toque, é sinal de que a peça deve ser retirada imediatamente.

Em vez das roupinhas, existem formas mais seguras de enfrentar o calor. O veterinário recomenda passeios apenas antes das 8 horas da manhã ou após as 18 horas, manter água fresca sempre disponível e garantir locais com sombra e ventilação.

“Outra dica simples é fazer o teste dos cinco segundos: coloque a palma da mão sobre o asfalto. Se estiver quente demais para você manter o contato, também estará quente para as patas do pet”, completa.

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