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Na Íntegra

Fábio Trad promete cortar 40% dos cargos comissionados se eleito governador

Petista diz que buscará parceria com Lula, mas sem depender do Governo Federal

Por Maristela Brunetto | 21/09/2026 07:06

RESUMO

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Fábio Trad, candidato do PT ao governo de Mato Grosso do Sul, disse que pretende reduzir em 40% os cargos comissionados e rever o orçamento para priorizar políticas públicas. Ele defende combate à sonegação, mais parceria com o governo federal, industrialização, inovação e criação da Universidade do Pantanal. Também prometeu ações para reduzir a violência doméstica e os feminicídios no Estado.

O candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad (PT), afirmou que pretende reduzir em 40% o número de cargos comissionados do Estado caso seja eleito. A medida, segundo ele, faria parte de uma revisão das prioridades do orçamento para abrir espaço às políticas defendidas durante a campanha.

Advogado, ex-presidente da OAB/MS e com 3 mandatos como deputado federal, integrante de uma família com histórico na política, com o pai deputado federal (Nelson Trad, já falecido) e os 2 irmãos ex-prefeitos de Campo Grande (Nelson Trad Filho e Marcos Marcelo Trad), ele disse que decidiu participar da disputa majoritária para defender a desconcentração de riqueza. “Mato Grosso do Sul é um Estado que produz muito, é um Estado rico, mas as pessoas não são. Nós temos, por exemplo, 10% da população mais rica detém o mesmo volume de recursos, de dinheiro, de renda, que os 70% mais pobres.”

Em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, falou sobre a campanha nas ruas, a relação com os eleitores e prioridades que elencou para colocar em prática se sair vencedor nas urnas.

Nós entendemos que os cargos comissionados não estão trabalhando a favor do povo. Eles são importantes, mas hoje há uma hipertrofia de cargos comissionados para trabalhar para o governo, para interesses de governo. Nós queremos cargos comissionados que trabalhem objetivando interesses do Estado, das pessoas.”

Na entrevista, Trad também procurou diferenciar a parceria que pretende manter com o Governo Federal de uma eventual dependência política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O candidato disse acreditar na reeleição do presidente, mas afirmou que sua administração teria como foco as demandas de Mato Grosso do Sul. Ele também analisou como o fato de ser oposição ao governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, e apoiador do Governo Federal impacta em sua campanha.

Eu não vou ficar governando Mato Grosso do Sul olhando para o presidente Lula, que vai ser reeleito, na minha visão. Agora, eu vou trabalhar junto com ele”

A proximidade com o Governo Federal faz parte da estratégia apresentada pelo candidato. Trad disse que pretende estreitar as relações com a União para ampliar convênios, contratos e financiamentos destinados ao Estado. Na área fiscal, também prometeu combater a sonegação e adotar uma política tributária na qual, segundo ele, quem possui maior capacidade econômica contribua mais.


O candidato afirmou que pretende preservar políticas estaduais que considere eficientes e mudar aquelas que, na avaliação dele, não apresentam os resultados esperados. Ele analisou, ainda, que Mato Grosso do Sul conseguiu ampliar sua produção e riqueza nos últimos anos, mas que os ganhos econômicos não chegaram na mesma proporção à população. Na entrevista, voltou a defender uma maior desconcentração de renda e disse que essa percepção tem aparecido nas conversas mantidas durante caminhadas e reuniões de campanha.

Melhores indicadores do Centro-Oeste

Entre as metas apresentadas por Trad está fazer Mato Grosso do Sul superar Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal em indicadores de desenvolvimento. Para o candidato, as condições naturais e o capital humano permitiriam ao Estado assumir maior protagonismo econômico e social no Centro-Oeste.

Ele reconheceu a força econômica sul-mato-grossense, mas voltou a argumentar que o desafio é transformar riqueza em desenvolvimento social. “O que é o potencial de mercado? A capacidade da economia em transformar a riqueza em desenvolvimento social. É um dos piores do País”, afirmou, citando levantamento que atribuiu ao Instituto de Liderança Pública.

Nesse processo, Trad pretende apostar em tecnologia, pesquisa e inovação. Uma das ideias defendidas é transformar Mato Grosso do Sul em uma espécie de “Vale do Silício pantaneiro”, com aproximação entre o poder público, universidades, institutos federais e empresas privadas.

Eu penso que é aqui, no Mato Grosso do Sul, que há as condições ambientais, as condições naturais privilegiadas, concedidas pela natureza, para sermos a locomotiva do Centro-Oeste.”

Trad defendeu a criação da Universidade do Pantanal, para estudos e também proporcionar oportunidades de estudos científicos para ampliar o uso sustentável da riqueza natural do bioma. “É possível fazer indústria farmacológica com os insumos e a matéria-prima do Pantanal. Nós temos uma riqueza que ainda não foi explorada de forma sustentável.”

O candidato defende que o desenvolvimento estadual se fortaleça além da produção de matérias-primas e que o Estado amplie a industrialização e incorpore tecnologia ao agronegócio. Para ele, esse movimento poderia elevar a qualificação dos empregos e a renda dos trabalhadores.

Combater violência doméstica

A violência contra a mulher também apareceu entre as preocupações destacadas pelo candidato. Trad criticou o número de feminicídios no Estado e defendeu uma política de prevenção que consiga identificar situações de risco antes que a violência chegue ao estágio mais grave.

Entre as propostas apresentadas está a criação de agentes comunitários de prevenção à violência familiar contra mulheres e crianças. A ideia, conforme explicou, é que esses profissionais atuem em áreas identificadas como mais vulneráveis, com integração à segurança pública e uso de inteligência para mapear regiões e famílias em situação de risco. “Tem que chegar antes”.  Medidas como botão do pânico e monitoramento de agressores precisam ser acompanhadas de uma política mais ampla de prevenção, diz.

Na reta final da campanha, o candidato reconheceu que a disputa deste ano tem menos reuniões do que eleições anteriores. Disse, porém, que mantém caminhadas pelos bairros e atribuiu a redução da estrutura ao modelo atual de financiamento eleitoral e aos recursos disponíveis para a campanha.