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Campo Grande, Sábado, 19 de Agosto de 2017

27/12/2016 09:24

Aluguel de apartamento era acerto com amigo de Lula, diz engenheiro de MS

Primo de José Carlos Bumlai, Glauco Costamarques se tornou réu na investigação federal

Mayara Bueno

Engenheiro de Mato Grosso do Sul e pivô da mais recente ação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Glauco da Costamarques disse à Lava Jato que o valor do aluguel de um apartamento de sua propriedade usado por Lula era repassado diretamente a ele pelo advogado e amigo do petista, Roberto Teixeira. As informações são da Folha de São Paulo.

Glauco é primo distante o pecuarista José Carlos Bumlai, também de Mato Grosso do Sul, condenado e preso pela Lava Jato. Ainda segundo o engenheiro, na prática o advogado não pagava o aluguel, pois o repasse era usado como compensação por uma “assessoria sobre imóveis” que ele prestava.

O apartamento a que ele se refere é em São Bernardo do Campo (SP) e fica no mesmo prédio do imóvel em que mora Lula. À investigação, Glauco afirmou que não contabilizava os rendimentos com o imóvel porque “não achava necessário”.

Para a acusação, a empreiteira Odebrecht está por trás da aquisição do imóvel, como forma de beneficiar o ex-presidente e que Costamarques era “testa de ferro” do petista.

Ainda segundo a reportagem, a Lava Jato levantou que, para arcar com a compra da unidade, o engenheiro teria recebido R$ 800 mil da DAG Construtora, em 2010, que por sua vez havia obtido repasses da Odebrecht.

A história faz parte da denúncia aceita pelo juiz federal Sergio Moro, na segunda-feira (20), o que fez Lula se tornar réu pela quinta vez. A falta de pagamentos de aluguel pelo ex-presidente é um dos principais argumentos da acusação na ação.

A investigação rastreou as contas bancárias de Lula e não encontrou os repasses, embora o ex-presidente tenha declarado os gastos desse aluguel no Imposto de Renda. Anteriormente, à Polícia Federal, o engenheiro disse que o valor "de alguns aluguéis" foi pago em espécie.

Também em depoimento, Glauco disse que, em 2010, quando Lula era presidente, o advogado Roberto Teixeira contou que o imóvel estava alugado para a Presidência e que comprá-lo poderia ser “um bom negócio”, mas que “só serviria se não quisesse moral no local”.

Ao indagá-lo, os investigadores estranharam o fato de o engenheiro argumentar que comprou a unidade "para investir" e não tenha se preocupado em calcular quanto obteve com aluguéis.

O apartamento foi comprado por R$ 504 mil por meio de cessão de direitos hereditários do espólio do proprietário anterior, morto em 2009.

Uma das herdeiras disse, em declaração anexada aos autos, que seus advogados afirmaram à época que a venda seria para Lula.

Os investigadores perguntaram ao engenheiro por que, passados seis anos, ele não transferiu formalmente o imóvel para seu nome. Costamarques afirmou que só poderia tomar essa iniciativa quando os herdeiros pagassem o devido imposto de transmissão.

Ao receber a denúncia, o juiz federal decretou o sequestro do apartamento "diante dos indícios de que foi adquirido com proventos do crime" e de que pertence de fato ao ex-presidente.
O engenheiro se tornou réu na ação, assim como Teixeira e Marcelo Odebrecht, e se apresentou no depoimento como pecuarista e investidor em imóveis.

Segundo a reportagem, a defesa de Costamarques disse que ele reafirma o que foi falado aos procuradores. Também declara que não foi notificada a respeito da ação penal. Ao depor, ele disse que recebeu R$ 800 mil da DAG Construtora porque repassou à empresa o direito sobre o uso do terreno adquirido na zona sul de São Paulo objeto da ação penal.




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