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Política

Após mais de 690 dias, Giroto é o último da Lama Asfáltica a deixar cela 17

Ex-secretário de obras sai no fim da tarde desta terça-feira, por força de decisão que levou em conta pandemia

Por Marta Ferreira e Liniker Ribeiro | 31/03/2020 19:07
Ex-secretário saiu escondido no banco de trás do carro dos advogados. (Foto: Henrique Kawaminami)
Ex-secretário saiu escondido no banco de trás do carro dos advogados. (Foto: Henrique Kawaminami)

Seiscentos e noventa e dois dias depois da quarta prisão, o engenheiro civil Edson Giroto, 60 anos, deixou por volta das 19h desta terça-feira (26) a cela 17 do CT (Centro de Triagem) Anízio Lima, em Campo Grande.  A decisão saiu ontem (30), mas a liberação demorou cerca de 24 hora por problemas na trasmissão de dados entre São Paulo e Campo Grande.

Hoje, os advogados ficaram cerca de 4 horas dentro do Centro de Triagem. No fim da tarde, já anoitecendo, um carro entrou na unidade e saiu com o preso. Antes, para dificultar ainda mais fotos de Giroto, agentes desligaram as luzes da garagem.

O ex-secretário é o último dos investigados pela Lama Asfáltica a deixar a "cela 17", já compartilhada com o cunhado, Flávio Scrocchio, o ex-governador André Puccinellio, o filho dele, André Puccinelli Júnior, o ex-prefeito de Paranaíba, Wilson Roberto Mariano de Oliveira,  e o empreiteiro João Amorim.

Giroto estava ali, sem interrupção, desde 8 de maio de 2018, quando teve a prisão decretada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), como consequência da operação Lama Asfáltica.  Deflagrada em 2015, a investigação teve como alvo o desvio de verbas públicas no período de Giroto como secretário de Obras de Puccinelli.

Carro foi colocado dentro da garagem e depois luzes foram apagadas para evitar fotos de Giroto. (Foto: Henrique Kawaminami)
Carro foi colocado dentro da garagem e depois luzes foram apagadas para evitar fotos de Giroto. (Foto: Henrique Kawaminami)

A liberdade do ex-deputado federal não é plena. Ele vai para a prisão domiciliar, por força de recomendação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que orientou mandar para quarentena em casa parte dos presos, como forma de evitar o risco de contágio nas prisões por novo coronavírus.

Em Mato Grosso do Sul, todos os presos liberados por decisão da Justiça estadual colocaram tornozeleira. Mas no caso de Giroto, como a decisão é federal, ele não precisará desse mecanismo de monitoramento. Ele sai direto para casa, de onde não poderá sair durante a vigência da prisão domiciliar.

Hoje, ao deixar o presídio, Giroto não conversou com jornalistas. Mas em maio de 2019, durante audiência, falou de sua vida na prisão ao Campo Grande News e revelou que, enquanto detento, era uma espécie de liderança na cela e até fazia café para os cerca de 25 presos com que costumava conviver.