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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

31/12/2008 09:55

Retrospectiva: 2008 teve briga política longe das urnas

Redação

Em 2008 os sul-mato-grossenses elegeram os prefeitos e vereadores dos 78 municípios do Estado. Mas algumas das mais discutidas disputas políticas aconteceram fora do alcance da Justiça Eleitoral. Foi a briga pelos cargos mais altos ligados a administração Federal em Mato Grosso do Sul: o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), o Ibama (Instituto do Meio Ambiente) e a reitoria da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

No Incra, logo no início do ano, o presidente Lula tirou Luiz Carlos Bonelli da superintendência do órgão para colocar Flodoaldo Alves. O nome foi indicação do senador Valter Pereira (PMDB). Bonelli começou a perder apoio político com o enfraquecimento do PT no Estado.

Mesmo assim, ele era muito bem articulado com os movimentos sociais de luta pela terra o que lhe garantiu um fôlego no cargo por um tempo. Durante o processo de troca houve muitos protestos, com sem-terra fazendo bloqueios em rodovias do Estado e até mesmo organizando comissões para pedir a permanência dele no cargo. Nada adiantou. Lula precisava do voto do senador Valter Pereira para manter a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória por Movimentação Financeira).

Bonelli foi exonerado. E, mesmo com o argumento de que Flodoaldo Alves não conhecia a realidade do campo, ele foi colocado no cargo. Quanto a CPMF, ela não foi aprovada pelo Congresso. Mesmo com o voto de Pereira.

Outra disputa foi vencida pelo PT. Desta vez o que estava em jogo era a superintendência do Ibama.

Em uma sexta-feira Nereu Fontes, que comandou o órgão por cinco anos, recebeu por telefone a notícia de sua exoneração, e a informação de que em seu lugar entraria David Lourenço, funcionário da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) cedido para a Secretaria Nacional de Aqüicultura.

Tanto Fontes quanto Lourenço eram ligados ao PT, este último ao ex-vice-governador do Estado Egon Krakhecke. Fato que irritou o governador André Puccinelli (PMDB), que preferia a indicação de Walmir Miranda, irmão do deputado federal Waldemir Moka (PMDB).

Em retaliação Puccinelli cancelou a cedência Lourenço para a administração federal, o que o impedia de assumir o cargo, pois ficaria com acumulo de cargos, o que não é permitido. André argumentava que tinha sido desautorizado pela ministra Marina Silva, então respondendo pelo Meio Ambiente e Recursos Hídricos, pois ela não teria o comunicado da substituição.

Por conta da pendenga, por mais de um mês o Ibama em Mato Grosso do Sul ficou sem superintendente. O imbróglio só foi resolvido depois que Puccinelli recebeu uma carta do ministro do Planejamento, Paulo Bernardes, pedindo a nomeação de Lourenço.

Acampamento - Por fim, a UFMS foi alvo da disputa política, em um nível menos intenso que as outras duas entre caciques federais, mas a briga pela Reitoria da Universidade teve de ser resolvida pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) e pelo Ministério Público Federal.

O embate se deu, dentro do processo eleitoral, entre o grupo que era apoiado pela ex-reitoria e pelos que tentavam uma renovação. O presidente da República escolhe um dos nomes de uma lista tríplice, tradicionalmente o de quem venceu as eleições dentro da Universidade, onde votam os alunos, professores e técnicos administrativos.

Acontece que nas eleições da UFMS o peso dos professores e pessoal administrativo são três vezes maior do que os dos alunos, justamente os que apoiavam a oposição. Somente depois da terceira votação a professora Célia Maria Oliveira teve seu nome reconhecido pelo MEC e foi empossada reitora da UFMS.

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