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Campo Grande, Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017

25/04/2014 19:29

Campo Grande reuniu na Afonso Pena 40 mil pelas “Diretas Já” há 30 anos

Josemil Arruda
Moka enaltece luta pelas eleições diretas, mas diz que é preciso qualificar a democracia (Foto: arquivo)Moka enaltece luta pelas eleições diretas, mas diz que é preciso "qualificar" a democracia (Foto: arquivo)
Valter Pereira lembra das diretas e da luta contra o regime militar (Foto: arquivo)Valter Pereira lembra das diretas e da luta contra o regime militar (Foto: arquivo)

Há 30 anos atrás, no dia 25 de abril de 1984, a Emenda Constitucional Dante de Oliveira foi rejeitada pelo Congresso Nacional após ampla mobilização de rua pelo País, com comícios gigantescos do movimento civil que ficou conhecido como “Diretas Já”. Um mês antes dessa votação, Mato Grosso do Sul também deu seu apoio ao movimento, com a realização de um comício que reuniu cerca de 40 mil pessoas na Av. Afonso Pena, esquina com a Rua 14 de Julho, no centro de Campo Grande.

O ex-senador Valter Pereira, que na época era deputado estadual pelo PMDB, se lembra da mobilização realizada na Capital, ponto alto da ação de um comitê suprapartidário que tinha realizado vários minicomícios pelos bairros na época. A mobilização, segundo Valter, tinha como principal coordenador no Estado o então governador Wilson Barbosa Martins.

No dia do comício em Campo Grande, lembra-se Valter Pereira, participaram lideranças nacionais de peso como Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, José Richa e Dante de Oliveira, autor da emenda que pediu eleições diretas para presidente da República no País.

Além de Wilson Martins, também participou daquele comício um outro futuro governador de Mato Grosso do Sul, Marcelo Miranda que veio do PP (Partido Popular) para o PMDB, em razão de fusão partidária, e o então prefeito de Campo Grande, Lúdio Coelho. Como na época, Lúdio era prefeito biônico nomeado por Wilson Martins, por ainda não haver eleição direta para o cargo, acabou sendo vaiado durante o evento popular. Era começo da administração e Lúdio acabou conquistando depois o apoio da população da Capital e sendo inclusive eleito, pelo voto popular, para comandar a Prefeitura de Campo Grande.

Daquela grande reunião pública também tem boas lembranças do senador Waldemir Moka (PMDB), especialmente do discurso do então vice-governador Ramez Tebet. “O Ramez disse em seu discurso que queria que os braços dele chegassem até final da multidão para abraçar todo mundo”, lembrou-se o parlamentar.

Moka, que na época era vereador, não só participou do comício na Capital como também foi a Brasília para acompanhar a votação da emenda Dante de Oliveira no Congresso. “Me lembro da votação da Dante de Oliveira. Eu estava no Congresso Nacional. Era militante ativo, fiz questão de ir para as galerias”, afirmou o senador, enumerando que antes de ter mandato eletivo participou de movimento estudantil, começando pela UCE (União Campo-Grandense de Estudantes) e depois pelo Diretório Acadêmico de Medicina.

Apesar da Emenda Constitucional ter sido rejeitada, frustrando a sociedade brasileira, os adeptos do movimento conquistaram uma vitória parcial em janeiro de 1985 quando Tancredo Neves foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral. Já o movimento das “Diretas Já” ficou também na lembrança pelo fato de ter, ainda hoje, representado as maiores mobilizações da história do Brasil, com auge no comício do Rio de Janeiro (1 milhão de pessoas) e no de São Paulo (1,5 milhão).

Já quanto à eleição de Tancredo e o início do fim da ditadura militar, Valter Pereira foi mais do que testemunha. “Fui um dos delegados de Mato Grosso do Sul que votou no Tancredo, quando eleito pelo Colégio Eleitoral”, contou, explicando que na época, além dos congressistas, representantes das Assembleias Legislativa também participavam da eleição indireta.

Luta contra ditadura – O ex-senador Valter Pereira considera que a luta pelas “Diretas Já” tem de ser contextualizada, já que havia um regime militar instaurado desde 1964 e que se mantinha no poder. “Na época havia distinção entre governo e regime. Se tolerava criticas dirigidas ao governo, com na questão da saúde, das finanças, mas não se tolerava questionamento institucional. Era como algo intocável”, explicou ele.

A oposição foi se conscientizando, conforme Walter Pereira, de que precisava ir para praças para rejeitar o regime. “O grande combustível para reação ao regime foi exatamente a votação da emenda Dante de Oliveira. Ali teve a consciência nacional de que devia ir para as ruas, especialmente depois do grande comício de Goiânia e que depois se tornou gigantesco no Rio e em São Paulo”, recordou. A frustração com aquele placar na votação da emenda das diretas, para ele, “acabou operando como verdadeiro combustível para inflamar as massas”.

Quando a massa foi para as ruas mesmo e ganhou corpo, Pereira entende que se criou expectativa de que o movimento poderia derrubar o regime. “Naquela época não se conseguia enxergar o horizonte. A idéia que se passava era que o regime era tão forte que a resistência a ele era uma aventura e não possibilidade concreta, tanto que antes houve a luta armada, justamente por causa da desilusão com a solução política”, apontou.

Para Walter Pereira, a eleição de 1974 foi um marco importante porque mostrou que havia a possibilidade política de se lutar contra o regime militar. “Foi possível ver uma fresta de liberdade”, avaliou, observando que, embora houvesse também retrocessos, depois vieram as eleições diretas para governadores e prefeitos das capitais.

Lição que ficou – Na avaliação do senador Waldemir Moka, após 30 anos das “Diretas Já”, a lição que ficou é que apenas a democracia não basta. “Era uma geração que a gente tinha expectativa de que se tivesse eleições livres, diretas, resolveria problemas do País. Passado esse tempo, eu acho que não. Democracia é conquistada no dia a dia. O fato de poder eleger representante é importante, mas precisamos eleger bem, interagir, participar.

Para Moka, foi importante a conquista da democracia, mas ela precisa ser qualificada com conquistas econômicas e sociais. “Me orgulho muito de ter participado da atividade da resistência contra a ditadura e trabalhado como vereador, militante, para resgatar o voto livre, que é o retrato da cidadania. Mas precisamos qualificar isso, ter avanços sociais, sobretudo na educação e na saúde. A democracia precisa ser aperfeiçoada”, disse.

Valter Pereira considera relevante distinguir a mobilização nacional pelas “Diretas Já” de recentes mobilizações ocorridas no País, clamando por melhores nos serviços públicos, especialmente transporte coletivo. “Com toda essa mobilização, já que foi a maior da história do País, nenhum patrimônio foi depredado pelos manifestantes. A violência se restringia às forças de segurança, diferente do que aconteceu nas manifestações mais recentes, de junho para cá, onde tivemos mascarados e quebra-quebra”, destacou.

 

 




É, agora que o "filho ficou bonito", todos querem ser o "pai" da criança. "Eu fiz...", "eu estava lá..." Na realidade, esses políticos citados na reportagem perteceram tão-somente a época desses acontecimentos. Tiveram ascensão ao poder e depois a maioria decepcionou o povo. São todos figuras carimbadas da inoperância. Alguns desses aí se elegeram prometendo, inclusive, defender os interesses dos professores. Depois de eleitos, contribuiram para atraso nos pagamentos salariais e deram bananas para os profissionais da educação.
 
Hugo Alves em 26/04/2014 10:22:05
Eu, como acadêmico de direito na FUCMAT com varios colegas, às sextas feiras, íamos à praça Ary Coelho apoiar e participar, porque acreditavamos no MDB; hoje, desfiliado desse partido, me sinto em paz vendo esses novos membros (marionetes), sabedores que somos e vimos, só um decide, a democracia resultou na vontade de um só; saudades daquela época em que tinha homens de bigode... e homens que tinham opinião e decisão própria.Por isso que o PMDB hoje vai dar em nada.
 
anderson roque martinez dos santos em 25/04/2014 22:24:26
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