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Política

Em reduto nordestino do Estado, pastor propaga post xenofóbico

Internet não perdoou Jeosafa Brito, pastor em Coxim, onde cerca de 35% das famílias têm “sangue do Nordeste”

Anahi Zurutuza | 04/10/2022 20:40
Pastor em Coxim, Jeosafa Brito, provocou revolta na cidade por compartilha ofensa a nordestinos. (Foto: Reprodução)
Pastor em Coxim, Jeosafa Brito, provocou revolta na cidade por compartilha ofensa a nordestinos. (Foto: Reprodução)

Pastor bolsonarista em uma cidade aonde o número pessoas com “sangue do Nordeste” chega a próximo de 80% da população, segundo CTN (Centro de Tradições Nordestinas), Jeosafa Brito provocou ira na internet ao compartilhar postagem preconceituosa, após o resultado do 1º turno. Reduto de eleitores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Nordeste deu ao petista 12,9 milhões de votos de vantagem em relação ao presidente Jair Bolsonaro (PL), o que causou uma avalanche de ataques ao povo nordestino.

“O Nordeste merece voltar a carregar água em balde mesmo”, diz o post da página Leno Motoboy, compartilhada por Jeosafa no Facebook. O pastor, que congrega na Igreja Assembleia de Deus Nova Aliança de Coxim, apagou a postagem, mas não antes de outros coxinenses printarem.

Uma das pessoas que expôs a atitude xenofóbica (que demonstra temor, aversão ou ódio a “forasteiros”), Rosenir Rondora diz ter ficado triste ao ver a postagem, principalmente por ter sido feita por “um pastor de Coxim”. “Que desrespeito com nossos irmãos nordestinos. Muito triste. 'Recompartilhei' para que outras pessoas abram os olhos com esses falsos profetas”.

Postagem printada do pastor Jeosafa Brito. (Foto: Reprodução)
Postagem printada do pastor Jeosafa Brito. (Foto: Reprodução)

Rosenir puxou a fila para outros comentários como o de Natalia Pereira Mota. “Lamentável. Um pastor que se diz entender da palavra. Que vergonha. Sou nordestina e tenho orgulho da minha nação”.

Gleycielli Nonato cobra um posicionamento dos representantes da comunidade nordestina em Coxim. “Tem que denunciar. Cadê o CTN de Coxim? Vocês são organizados. Denunciem! É hora de mostrar que o Centro de Tradições Nordestinas não foi feito só pra festa. Bora pra luta! Estamos com vocês, Nordeste”.

Ivone Masruha se solidariza com o “povo sofrido do Nordeste”. “Não merece ser humilhado”. Enquanto isso, Ellma Queiroz Quast critica o fato do pastor “só falar em política”. “Entrei no face dele e só tem publicação de política. Pregar sobre o amor de Deus que é bom, nada”.

Postagem foi printada, compartilhada e coxinense não perdoou. (Foto: Reprodução)
Postagem foi printada, compartilhada e coxinense não perdoou. (Foto: Reprodução)

Coxim, município com 33 mil habitantes, no norte de Mato Grosso do Sul, deu 9.149 votos para Bolsonaro e 8.298 para Lula – candidatos que tiveram a preferência de 48,9% e 44,4% do eleitorado por lá, respectivamente.

Em 2009, quando a festa da comunidade nordestina entrou para o calendário oficial de comemorações em Mato Grosso do Sul, pela lei nº 3.727, calculava-se que 35% das famílias que viviam na cidade tinham origem no Nordeste brasileiro. Pelo menos foi o que argumentou à época o deputado estadual, Junior Mochi (MDB), para propor a homenagem. Já de acordo com o CTN, o número de nordestinos e descentes chega perto de 80% do total de habitantes.

A reportagem tentou posicionamento do pastor, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.

Primeiro caso – Esse não é o primeiro caso de xenofobia pós-eleições que ganha repercussão em Mato Grosso do Sul. O promotor de Justiça João Linhares requisitou, na segunda-feira (3), investigação policial contra a página “Mídia Dourados” no Facebook por suspeita de crime de racismo contra os nordestinos.

Com histórico de postagens contra Lula e a esquerda, a página de 57 mil seguidores compartilhou a mensagem: “depois vem pro Sul vender rede”.

O promotor também pediu providências contra personal trainer, também de Dourados (cidade a 251 km de Campo Grande), autor de postagens com cunho racista no Instagram.

“Pedi providências à Polícia Civil e à Polícia Federal para apurar a prática, em tese, de crime de racismo contra nordestino sendo cometido via imprensa/redes sociais. Imputação que, em tese, está no artigo 20, parágrafo 2º da Lei 7.716/1989. Entendo necessário tomar providências e buscar apurar os fatos e responsabilizar, se for o caso, os autores. A pena é de 2 a 5 anos de prisão”, afirmou o promotor ao Campo Grande News.

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