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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

28/05/2013 17:40

Governo não suspende, mas adia as demarcações de terras em MS

Zemil Rocha
Parlamentares de MS e ruralistas com a ministra Gleisi Hoffman esta tarde (Foto: Divulgação)Parlamentares de MS e ruralistas com a ministra Gleisi Hoffman esta tarde (Foto: Divulgação)

Com forte apoio político, os ruralistas de Mato Grosso do Sul conseguiram arrancar da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, uma garantia que, na prática, deve adiar as decisões sobre os processo de demarcação de terras indígenas. “Ela prometeu que a Funai não vai mais fazer o processo de demarcação sozinha. Agora terão de ser ouvidos o Ministério da Agricultura, o Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário e a Embrapa. Nenhum laudo será conclusivo sem que essas entidades se manifestem”, afirmou o senador Waldemir Moka, coordenador da bancada federal do Estado, ao sair da reunião, que durou cerca de duas horas, e contou também com a presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Glesi pediu que o governo do Estado, representado pela vice-governadora Simone Tebet, e a Famasul (Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul), presidida por Eduardo Riedel, também presente na reunião, envie ao governo federal a lista das áreas que estão sendo objeto de demarcação ou de litígio com os indígenas, a fim de determinar à Funai (Fundação Nacional do Índio) que, antes de qualquer decisão, colha opiniões dos outros órgãos. “Ela vai dizer para a Funai que esses órgãos têm de ser ouvidos”, disse Moka.

Participaram da reunião com os dois ministros de Dilma Roussef 18 dos 24 deputados estaduais, os oito deputados federais e os três senadores do Estado, a vice-governadora Simone Tebet, o fazendeiro Ricardo Bacha, que teve recentemente a fazenda invadida em Sidrolândia, e as demais lideranças ruralistas, entre as quais os presidentes da Famasul, Eduardo Riedel, e da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Francisco Maia.

Para o coordenador da bancada federal do Estado, a medida dará “caráter mais transparente e justo” para os processos de demarcação de terras indígenas. “A Embrapa tem condições de dizer o que tinha na área há 40 ou 50 anos atrás e mostrar que os índios foram para lá para invadir e depois dizer que é terra deles”, explicou o parlamentar. E acaba tendo efeito inibidor às mobilizações pró-invasões. “Esse pessoal da Funai, Cimi e ONGs ficam trabalhando para aumentar invasões para dizer que eram terras de índios”, criticou o senador.

Indagado se essa medida satisfez os produtores rurais e os políticos presentes na reunião, Moka respondeu: “Queríamos mesmo era a suspensão das demarcações enquanto não tiver decisão do Supremo Tribunal Federal a partir da Raposa Serra do Sol. A decisão que o STF tomar vai valer para todo o governo. Aquela decisão não tem como ampliar aldeia, fazer novas demarcações”. Ponderou, porém, que “na prática foi conseguido isso porque a Funai não vai mais decidir sozinha, com antropólogo indo na área e fazendo estudo que já era conclusivo”.

Segundo Moka, o que Mato Grosso do Sul conseguiu foi a mesma coisa que Rio Grande do Sul e Paraná tinham conquistado: a ampliação dos órgãos a opinarem sobre as demarcações de terras indígenas.

 

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Acho muito irônico que determinadas pessoas se deem ao trabalho de defender ruralistas plantadores de gado e soja, enquanto vivemos num estado que só ´´e notícia nas grandes mídias quanto a morte por desnutrição indígena, irregularidades em hospital do câncer, escandalos de parlamentares, expropriação de terras tradicionalmente indígenas. Acho irônico porque estamos do lado errado da moeda, afinal o que esta agricultura e pecuária toda tem rendido para o povo de MS? A meu ver nada, o estado é atrasado , elegemos nossos deputados e senadores para que depois eles vão até Brasília pedir fim de demarcações de terras em MS pela Funai com o claro intuito de representar uma única classe, a dos coronéis e não a do povo que os elegeu.E quem defenderá nossos índios?
 
laura helena de almeida correia em 01/06/2013 20:10:35
O coordenador da bancada federal do Estado (e outras pessoas desinformadas) precisa(m) reestudar a HISTÓRIA DO BRASIL para saber que quem invadiu as terras brasileiras foram os portugueses, e não os indígenas que aqui já estavam. É incoerente afirmar que “A Embrapa tem condições de dizer o que tinha na área há 40 ou 50 anos atrás e mostrar que os índios foram para lá para invadir e depois dizer que é terra deles”. Justiça seja feita aos POVOS INDÍGENAS deste país. Afinal, esta nação é muito mais DELES do que NOSSA.
 
Antonio Paredes em 29/05/2013 11:02:12
Do jeito que as coisas vão, vejo que a única solução é voltarmos para a Africa ou Europa.
 
sebastiao dos reis em 29/05/2013 09:07:38
A Funai tem que demarcar também as praias cariocas e paulistas, e retirar os moradores dos luxuosos apartamentos daquela localidade, pois lá também é terra indígena desde a "descoberta".... duvido que façam isso!! Essas demarcações atendem a interesses internacionais, só não vê quem não quer!!! Nossas terras são ricas em água, que num futuro próximo vai valer mais que o petróleo árabe...
 
Ronaldo Pissurno em 28/05/2013 21:33:10
A Funai tem que demarcar também as praias cariocas e paulistas, e retirar os moradores dos luxuosos apartamentos daquela localidade, pois lá também é terra indígena desde a "descoberta".... duvido que façam isso!! Essas demarcações atendem a interesses internacionais, só não vê quem não quer!!! Nossas terras são ricas em água, que num futuro próximo vai valer mais que o petróleo árabe...
 
Ronaldo Pissurno em 28/05/2013 21:30:50
Antes, é importante lembrar que os índios estão oprimidos, mas não vencidos! A tentativa de extinguir/dizimar/acabar com os indígenas foi um fracasso. O que se vê hoje é o processo inverso: florescimento e fortalecimento da identidade e cultura indígenas; e organização e ocupação de espaços estratégicos, o que deve crescer ainda mais nos próximos anos. Da mesma forma que vem ocorrendo com os afrodescendentes, assim será com os indígenas. Quanto ao discurso dos "desinformados" que tentam deslegitimar a ação das organizações pró-indígenas, é bom esclarecê-los que os indígenas não aceitam mais serem manipulados ou "influenciados" nas suas ações. As ações de retomadas é uma decisão coletiva (cansaram de esperar a "justiça"), sem nenhuma influencia de órgão qualquer.
 
Mario Gomes Rodrigues em 28/05/2013 18:38:42
É a mesma coisa que colocar o lobo para cuidar da ovelha onde já se viu, colocar um órgão que representa os indios para dizer se são ou não terras indígenas, acho que a FUNAI deve acompanhar os estudos bem como representantes dos proprietário das terras em questão. Então temos o INCRA para fazer as demarcações e o pessoal do INCRA acompanha com todos documentos em ordem e não ficam invadindo terras para fazer na marra, chega desses abusos os produtores precisam trabalhar,
 
joao braz em 28/05/2013 18:19:59
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