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Política

Planilha coloca MS na rota de "orçamento secreto"; bancada diz que vai cobrar

Apesar de ser de Alagoas, parlamentar destinou parte das verbas paralelas para outros estados

Por Gabriela Couto | 16/05/2021 12:12
Para conseguir sentar na cadeira de presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira teria enviado cerca de R$ 10 milhões para MS, MT, PR e SP (Foto Divulgação)
Para conseguir sentar na cadeira de presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira teria enviado cerca de R$ 10 milhões para MS, MT, PR e SP (Foto Divulgação)

Reportagem deste domingo do Jornal Estadão coloca Mato Grosso do Sul como um dos destinos do "orçamento secreto" do governo federal. Segundo a apuração, o Estado recebeu parte dos R$ 181 milhões que parlamentares aliados ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) destinara para regiões aleatórias em troca de apoio ao governo. O recurso do Ministério do Desenvolvimento Regional, utilizado por 16 deputados e senadores aliados, serviu para contemplar todos que estiveram ao lado do Executivo.

Conforme o levantamento do Estadão,  a suspeita é que as verbas extras enviadas para diferentes estados possam ser usadas como "emendas bumerangue", ou seja, haveria ganho financeiro futuro ao político, após o município ou estatal contemplados assinarem contrato para obra ou compra a partir da indicação dele.

Um dos parlamentares a encaminhar verbas para estados aleatórios ao de sua base eleitoral foi o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas). Ele é de Alagoas e na planilha da qual o Estadão teve acesso foi detectado o enviou de cerca de R$ 10 milhões para o Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Na semana passada, o Estadão divulgou documentos que mostram esquema montado pelo presidente Jair Bolsonaro, no final do ano passado, para aumentar sua base de apoio no Congresso. No total, o orçamento paralelo envolveria R$ 3 bilhões em emendas,

Cadê o dinheiro? - Não há parlamentantes do Progressistas, partido de Lira, na bancada federal sul-mato-grossense, mas o dinheiro seria distribuído de forma generalizada. A reportagem procurou os oito deputados federais de Mato Grosso do Sul para saber quanto desse recurso veio para o Estado e onde os investimentos foram aplicados. A resposta foi unanime.

Todos disseram que não tinham conhecimento da verba. A oposição ao governo sugeriu que os apoiadores estão "escondendo o ouro", mas não quiseram citar os nomes de quem seriam os parlamentares contemplados.

"Isso está favorecendo os deputados que estão votando junto com o governo nessas matérias antipopulares. O Lira que está coordenado tudo isso com o Centrão. É uma vergonha o que estão fazendo. Nunca vi de uma forma tão escancarada a compra de votos tão efetiva como está sendo agora nessa gestão", destacou o deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT).

Já Rose Modesto (PSDB) que conseguiu uma cadeira na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados achou estranha a informação. "Desconheço isso e não faz o menor sentido. Eu mesmo não faria isso de pegar recurso e colocar em outro Estado, que não o meu. Cada deputado está lá com sua respectiva representatividade justamente para isso. Não acredito que ele tenha feito isso. Se fez vai ser uma surpresa para mim e eu vou querer ir atrás."

Integrante da base de Bolsonaro, Luiz Ovando (PSL), também negou ter conhecimento de parte dos R$ 10 milhões da verba dos Progressistas para Mato Grosso do Sul. Mas, apesar desse tipo de mecanismo ser irregular, diz que quer a parte de MS. "Não sei absolutamente nada disso. Se eu soubesse falaria. Estou sabendo agora através da reportagem. Essa verba secreta não tem conhecimento se é secreta. Isso ai é publico. É aberto para todo mundo. Até foi bom saber que vou atrás para ver se consigo contemplar algum município", completou.

Entenda - A cada ano, um parlamentar tem direito a indicar, no máximo, R$ 8 milhões. O valor corresponde à metade da cota total de emendas impositivas individuais que deputados e senadores têm direito a enviar. A outra metade deve ir, obrigatoriamente, para a saúde. Essa regra vale para todos os 513 deputados e 81 senadores.

No entanto, como o Estadão mostrou no episódio do planilhão de R$ 3 bilhões, em janeiro, os parlamentares que apoiaram os candidatos do governo nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado conseguiram expandir o poder de direcionar gastos do orçamento.

Lira x Baleia - A eleição da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados foi secreta e a disputa acirrada fez com que o candidato apoiado pelo governo, Arthur Lira (PP) e o que faria a sucessão de Rodrigo Maia (DEM), Baleia Rossi (MDB) percorressem os estados atrás dos votos.

Em Mato Grosso do Sul Baleia Rossi participou de reunião com parte da bancada federal no dia 19 de janeiro. De forma presencial ele esteve com Beto Pereira (PSDB), Rose Modesto (PSDB), Bia Cavassa (PSDB), e conversou por telefone com Dagoberto Nogueira (PDT).

No dia 22 de janeiro foi a vez da visita de Arthur Lira ao Estado. Diferente de Baleia Rossi, ele conseguiu conversar pessoalmente com todos os representantes da bancada federal, com exceção de Dagoberto Nogueira. Ao ir embora, ele disse em coletiva que saia satisfeito e com a certeza de que conseguiria a maioria dos votos de Mato Grosso do Sul.


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