Retomada do Morenão quebra ciclo e destrava futebol em MS, diz Riedel
Governador diz que modelo de concessão cria nova base para o estádio e para o desenvolvimento do esporte

A transferência do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para o Governo do Estado foi sacramentada nesta terça-feira (31), como um marco para reestruturar o futebol sul-mato-grossense. Durante o evento em Campo Grande, o governador Eduardo Riedel (PP) afirmou que a medida rompe um ciclo histórico que impedia avanços no setor e cria as condições para viabilizar investimentos de longo prazo.
RESUMO
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O Estádio Morenão, em Campo Grande, foi transferido da UFMS para o Governo de Mato Grosso do Sul nesta terça-feira (31). O governador Eduardo Riedel anunciou investimento inicial de R$ 16 milhões para reabrir o espaço, fechado desde 2022. O plano prevê uma PPP e concessão à iniciativa privada até 2028, com investimentos de até R$ 500 milhões. A CBF e a federação estadual também participarão das obras de recuperação.
“Precisávamos encontrar um mecanismo para viabilizar investimentos de 300, 400, até 500 milhões de reais. Isso não pode vir apenas da iniciativa pública, senão vamos continuar no mesmo ciclo: não investe porque não tem futebol, e não tem futebol porque não tem estádio. Agora estamos quebrando esse ciclo”, declarou.
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O Morenão está fechado desde 2022 e sem laudos desde 2023, o que impede a realização de jogos e eventos. A partir da cessão formalizada, o Estado passa a ter responsabilidade direta sobre a gestão e sobre as intervenções necessárias para reabrir o espaço.
Segundo o governador, a cessão foi construída com condicionantes que agora passam a ser executadas pelo Estado, especialmente no curto prazo. “A transferência do Morenão da Universidade Federal para o Estado de Mato Grosso do Sul foi feita mediante algumas condicionantes e mediante algumas ações que nós agora somos responsáveis por fazer, dentre as quais o investimento direto do Estado no curto prazo para poder viabilizar o uso do Morenão.”
Ele destacou que esse é o ponto de partida para uma sequência de etapas que envolvem desde a recuperação do estádio até a atração de investimento privado.
O governo prevê um investimento imediato de cerca de R$ 16 milhões para viabilizar a reabertura do estádio. De acordo com Riedel, os projetos já estão prontos e a execução será iniciada ainda neste ano. “Já temos um investimento inicial de cerca de 16 milhões de reais previsto. Os projetos estão prontos e começamos imediatamente.”
Esse aporte está inserido na segunda fase do plano, voltada às intervenções obrigatórias para obtenção de laudos e liberação do estádio para uso. A intenção é permitir que o Morenão volte a receber partidas e eventos após a conclusão das adequações.
Paralelamente às obras, o governo inicia a modelagem de uma PPP (Parceria Público-Privada), considerada essencial para a modernização completa do estádio.
“O primeiro passo para você decidir uma PPP é fazer o projeto de viabilidade e o estudo do que será feito no Morenão. Quanto vai investir e o que essa empresa que vai administrar vai assumir nesse novo equipamento.”

Segundo o governador, a contratação da empresa responsável por esses estudos já está em andamento. Somente após essa etapa será possível levar o projeto ao mercado.
“A gente só vai ter empresa depois que isso for para o mercado. Uma vez feito esse projeto, a gente vai buscar a empresa parceira que vai investir e administrar o Morenão por até 35 anos.”
A concessão está prevista para ocorrer até 2028 e deve incluir a exploração do espaço em diferentes frentes. “A empresa vai explorar com futebol, com shows, com atração cultural, com tudo que aquele equipamento puder fazer.”
Riedel detalhou que o plano está dividido em quatro etapas. A primeira foi concluída com a assinatura da cessão. A segunda corresponde ao investimento direto do Estado nas obras emergenciais. “Como a gente mostrou ali, quatro etapas. A etapa inicial nós fizemos hoje, a transferência do equipamento. A segunda etapa é o investimento do Estado.”
As etapas seguintes envolvem a estruturação da PPP e, posteriormente, a concessão do estádio à iniciativa privada. “Terceira etapa, PPP, e quarta etapa, concessão propriamente dita.”
Relação entre estádio e futebol - O governador ressaltou que a recuperação do Morenão está diretamente ligada ao fortalecimento do futebol no Estado, formando uma cadeia interdependente.
“Eu digo que sem o futebol não tem Morenão. E sem o Morenão não tem PPP. Uma cadeia que a gente vai estruturar nesse prazo para poder entregar uma nova perspectiva para Mato Grosso do Sul.”
Ele também citou o papel das entidades esportivas e dos clubes nesse processo. “A Federação está organizando cada vez mais o futebol para que ele seja mais forte. Os clubes também estão fazendo sua parte, e o Estado agora assume a sua responsabilidade.”
Ao ser questionado sobre tentativas anteriores que não avançaram, o governador afirmou que a diferença está na segurança jurídica e na estrutura do modelo atual. “Veja bem: o Morenão é um equipamento federal. O que foi feito no ano passado era um convênio muito frágil.”
Segundo ele, o processo atual foi estruturado ao longo de cerca de um ano e meio para garantir que o projeto tenha continuidade. “Toda a estruturação desse período foi justamente para garantir que, desta vez, o projeto saia do papel.”
O governador também destacou o valor simbólico do estádio, inaugurado em 1971, e a necessidade de uma solução que vá além de medidas pontuais. “Estamos falando de um equipamento histórico, com valor incalculável para o nosso Estado.”
Ele reforçou que o planejamento é de longo prazo. “Estamos pensando no longo prazo, não em ações pontuais que acabam sendo esquecidas.”

Participação da federação e da CBF - O presidente da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul), Estevão Petrallás, afirmou que a entidade e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) também participarão do processo de recuperação.
“O presidente da CBF, Samir Xaud, reafirmou uma conversa que já tínhamos. A federação, junto com a CBF, vai trazer o gramado, o sistema de irrigação e uma manutenção na pista.”
Ele destacou que as ações devem ocorrer de forma gradual. “Aos poucos, na etapa inicial, vamos transformando essa expectativa em realidade.”
Além disso, Petrallás comparou a estratégia adotada a um processo de preparação de um ativo antes de levá-lo ao mercado. “Quando a gente pretende vender um carro, a gente manda lavar, passa um perfume. É isso que estamos fazendo agora: preparando o Morenão.”
Papel da UFMS - A reitora da UFMS, Camila Ítavo, explicou que a cessão do estádio foi planejada institucionalmente e aprovada pelos órgãos da universidade.
“Essa concessão foi objeto do nosso plano de trabalho. Após a sinalização do Governo do Estado, trabalhamos a aprovação no Conselho Universitário, que ocorreu em dezembro de 2024.”
Segundo ela, o processo foi conduzido com foco em segurança jurídica e parceria. “Conseguimos, nesse tempo, trabalhar com o Governo todos os projetos e garantir a segurança jurídica necessária.”
A reitora também destacou o impacto social da reativação do espaço. “Significa devolver para a sociedade um lugar onde muitas pessoas têm memória: onde assistiram jogos com a família, onde viveram momentos importantes.”
Ela afirmou que a parceria permite à universidade focar em suas atividades principais, enquanto o complexo volta a ser utilizado pela população. “Será uma alegria ver esse espaço novamente ocupado pelos cidadãos, com futebol, cultura, ciência e lazer.”


