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“Cheiro de terra molhada” encanta Marcelo Tas em passagem por Campo Grande

Apresentador palestrou em evento da Semana S e discutiu impactos da inteligência artificial na comunicação

Por Jhefferson Gamarra e Ketlen Gomes | 15/05/2026 18:55
“Cheiro de terra molhada” encanta Marcelo Tas em passagem por Campo Grande
Apresentador Marcelo Tas durante entrevista em Campo Grande (Foto: Maya Severino)

O cheiro da terra molhada após a chuva foi uma das primeiras impressões que marcaram a passagem de Marcelo Tas por Campo Grande nesta sexta-feira (15), durante a abertura oficial da Semana S 2026, realizada no Senac Hub Academy. O jornalista, apresentador, ator, roteirista, diretor e escritor participou do principal momento da programação com uma palestra sobre comunicação na aceleração digital e refletiu sobre os impactos da inteligência artificial, a velocidade da informação e os desafios do jornalismo contemporâneo.

RESUMO

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O jornalista e apresentador Marcelo Tas participou da abertura da Semana S 2026 em Campo Grande com palestra sobre comunicação na era digital. Ele destacou que a inteligência artificial exige consciência humana e que o jornalismo deve priorizar contexto em vez de velocidade. "A pressa acabou", afirmou, defendendo agilidade e discernimento. O evento, realizado no Senac Hub Academy, reuniu empresários, estudantes e profissionais para debater inovação e mercado de trabalho.

A Semana S ocorre simultaneamente em diversos estados brasileiros e reúne ações gratuitas de formação profissional, negócios e integração entre a sociedade e as instituições do Sistema Fecomércio-MS. Em Mato Grosso do Sul, o evento reuniu representantes do comércio, empresários, estudantes e profissionais interessados em discutir transformação digital, mercado de trabalho e inovação.

A nova passagem de Marcelo Tas por Campo Grande também foi marcada pela relação afetiva construída rapidamente com a cidade. O apresentador contou que, após chegar cansado, decidiu sair para caminhar à noite e acabou impactado pelo ambiente da Capital logo após a chuva.

“Eu cheguei cansado, tomei um banho à noite e saí, para pelo menos pisar na rua, e aí tinha chovido e eu senti aquele cheiro da terra molhada, que coisa espetacular”, relatou.

Segundo ele, a experiência despertou lembranças e reforçou o apreço pela diversidade brasileira. O jornalista ainda elogiou as áreas verdes e o cuidado urbano observado em Campo Grande.

“É um pedaço do país tão lindo, que merece esse cuidado que vocês têm aqui. Eu amo as praças, os parques”, disse, ao comentar que visitou alguns espaços públicos mesmo com pouco tempo na cidade.

Bastante à vontade durante conversa com jornalistas, Tas falou sobre a relação histórica que mantém com o Sistema S ao longo da carreira. Segundo ele, grande parte de sua trajetória profissional passou por iniciativas ligadas ao Sesc, Senac e outros projetos educacionais.

“O Sistema S está na minha vida profissional há muitas décadas. É difícil mensurar, porque o Rá-Tim-Bum só existiu por causa do Sistema S. O Telecurso, sabe? O que eu faço hoje na educação corporativa, com o Sesc, Senac, como está acontecendo aqui em Campo Grande. Então, assim, é uma alegria poder estar aqui, poder colaborar”, afirmou.

Na palestra apresentada ao público sul-mato-grossense, Tas explicou que o foco será provocar reflexões sobre o atual cenário da comunicação diante das transformações tecnológicas aceleradas, especialmente com o avanço da inteligência artificial.

“O momento é de grandes transformações, todo mundo sabe. Especialmente na comunicação. Então, o meu viés é comunicação. Eu vim aqui hoje para dar uma provocada na turma”, disse.

Ao abordar o tema da inteligência artificial, o apresentador defendeu que a tecnologia precisa ser acompanhada de consciência humana e capacidade de discernimento. Para ele, antes da IA existe aquilo que chamou de “IC”, a inteligência do corpo.

“A provocação é que na era da IA, que é onde a nossa tendência é falar tanto de tecnologia, antes de tudo nós temos que entender que tem a inteligência artificial, para ela funcionar você precisa da IC, que é a inteligência do corpo”, afirmou.

Tas também alertou para o excesso de informações e para a ansiedade provocada pela lógica acelerada do ambiente digital. Segundo ele, mais importante do que acumular dados é entender o que realmente é relevante.

“No mundo exponencial, antes de você carregar as informações, tanto carregar nas costas quanto carregar para a nuvem, é importante você entender o que é relevante. Qual é a sua pergunta? Qual é o seu problema? Qual é a sua dor?”, refletiu.

Durante a entrevista, Marcelo Tas também falou sobre os desafios enfrentados pelo jornalismo em meio ao excesso de informação e à disputa pela velocidade nas redes e plataformas digitais. Para ele, a lógica da “pressa” já não responde às necessidades atuais do público.

“Não adianta você trabalhar com pressa. A pressa acabou. A pressa não resolve o problema mais, porque o seu público já tem acesso às notícias o tempo inteiro”, afirmou.

Na avaliação dele, o principal papel do jornalismo contemporâneo está menos na corrida para publicar primeiro e mais na capacidade de contextualizar, organizar e explicar os acontecimentos. “O principal valor hoje é no entendimento, é no discernimento dessa informação”, destacou.

Ao diferenciar pressa de agilidade, Tas defendeu que jornalistas precisam desenvolver percepção crítica e equilíbrio para não ampliar a ansiedade coletiva nem comprometer a qualidade da informação.

“Se você faz isso com pressa, você pode estar ajudando a piorar a qualidade das notícias. Agora, se você faz isso com agilidade, que é diferente de pressa, se você tem agilidade para perceber o que é relevante, ouvir, conversar com seus colegas e preparar esse pacotinho para jogar nesse oceano gigantesco, você está contribuindo muito mais”, concluiu.