Tereza Cristina articulou reunião para adiar debate do fim da escala 6x1
Encontro com Davi Alcolumbre, ocorrido ontem, reuniu setor produtivo e discutiu postergar discussão para 2027

A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP-MS) articulou uma reunião realizada na terça-feira (3) entre representantes do setor produtivo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e frentes parlamentares para discutir o adiamento da proposta que põe fim à escala de trabalho 6x1. O objetivo é postergar para 2027 a tramitação do tema, atualmente em debate na Câmara dos Deputados.
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A senadora Tereza Cristina (PP-MS) articulou reunião com representantes do setor produtivo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir o adiamento da proposta que extingue a escala de trabalho 6x1. O objetivo é postergar a tramitação do tema para 2027. O encontro ocorreu paralelamente à elaboração de um documento assinado por 91 entidades do setor produtivo, que pedem avaliação dos impactos sobre competitividade e empregos. Alcolumbre sinalizou que ouvirá sindicatos e trabalhadores favoráveis ao fim da escala antes que a matéria avance no Senado.
Conforme publicado pelo Valor Econômico, o encontro durou cerca de uma hora e meia e contou com a participação do economista José Pastore e de lideranças do Senado. Segundo o jornal, parlamentares ligados ao setor produtivo avaliam que o texto que estabelece a jornada 5x2 pode ser aprovado rapidamente na Câmara, impulsionado pelo forte apelo eleitoral da proposta. A estratégia, portanto, seria desacelerar a tramitação no Senado para ampliar o debate e discutir possíveis contrapartidas
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A reunião também teve a entrega de documento de sete páginas, assinado por 91 entidades do setor produtivo, no qual argumentam ser necessário avaliar impactos sobre “competitividade, produtividade e precarização dos empregos no Brasil”. De Mato Grosso do Sul, a Aprosoja-MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) está entre as signatárias.
De acordo com o Valor, senadores que participaram do encontro afirmaram que Alcolumbre sinalizou a intenção de ouvir também sindicatos e trabalhadores favoráveis ao fim da escala 6x1 antes que a matéria avance na Casa. Ele teria reconhecido que o tema é “delicado” em ano eleitoral e que é preciso cautela na condução do debate.
Nas redes sociais, Tereza Cristina afirmou ontem (3) que participou de reunião no Conselho do Agronegócio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) para discutir “de forma responsável” o fim da escala 6x1. Na publicação, ela apontou que Alcolumbre receberia representantes de diversos setores produtivos para ouvir avaliações sobre os potenciais efeitos econômicos da medida.

Já na TV Câmara, o senador Rogério Carvalho (PT-SE), representando a liderança do governo no Senado, declarou que o presidente da Casa se comprometeu a abrir o debate, mas que ainda não há definição sobre o formato de tramitação — se por PEC (Proposta de Emenda à Constituição) ou projeto de lei.
“O debate vai iniciar aqui no Senado, mas a nossa posição é que a redução da jornada é importante para todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil”, afirmou Rogério. Ele destacou que cerca de 38 milhões de brasileiros trabalham 44 horas semanais e defendeu que a reorganização da jornada leve em conta a exaustão dos trabalhadores.
Segundo o senador petista, representantes do setor patronal manifestaram preocupação com um possível aumento de até 22% no custo do trabalho. Rogério ponderou, entretanto, que estudos indicam que a redução da jornada pode ampliar o número de empregos, elevar a renda e estimular o consumo.
Ele ressaltou ainda que o governo federal não definiu posição oficial sobre o formato da proposta, mas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se comprometeu a abrir a discussão.
A reportagem tentou contato com a senadora para obter mais detalhes sobre a reunião e seu posicionamento em relação à pauta. O espaço segue aberto.
[**] Com informações do Valor Econômico e da TV Senado.

