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Capital

Família de dirigente de futebol e executivos comandam compradora do Guaicurus

HP Mobilidade pertence a uma holding presidida pelo filho do fundador do Goiás

Por Anahi Zurutuza | 22/07/2026 06:35
Família de dirigente de futebol e executivos comandam compradora do Guaicurus
Hailé Pinheiro em frente ao estádio Serrinha, em 2013 (Foto: Cristiano Borges/O Popular)

A HP Mobilidade, empresa apresentada nesta terça-feira (21) como compradora das companhias que formam o Consórcio Guaicurus, é comandada por uma combinação de herdeiros do grupo fundador e executivos com décadas de atuação no transporte coletivo.

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A HP Mobilidade, apresentada como compradora do Consórcio Guaicurus de Campo Grande, é controlada pela HP Investimentos, holding com capital de R$ 588 milhões fundada em 2025. O grupo tem origem no empresário goiano Hailé Pinheiro, ex-dirigente do Goiás Esporte Clube. A operação ainda depende de aprovação municipal, que exige plano de investimentos, renovação de frota e melhorias nos terminais antes de autorizar a transferência.

A estrutura empresarial tem como sócia a HP Investimentos e Participações S.A. (Sociedade Anônima) e como sócios-administradores, Indiara Ferreira e Hugo Santana de Moraes Santos.

Também consta no cadastro da Receita Federal Hailé Selassié de Goiás Pinheiro, fundador da empresa e histórico dirigente do Goiás Esporte Clube, apesar de ele ter morrido em setembro de 2022, aos 86 anos. A permanência do nome no documento, consultado on-line pelo Campo Grande News neste dia 21 de julho, indica que o registro empresarial não foi atualizado após o óbito.

É a HP Investimentos que concentra formalmente o controle na operadora de ônibus. Criada em janeiro de 2025 como sociedade anônima fechada, a holding declara capital social de aproximadamente R$ 588,1 milhões. O cadastro público identifica Edmundo de Carvalho Pinheiro como presidente e Gustavo Bacellar de Faria como diretor.

Por se tratar de uma sociedade anônima fechada, a consulta ao CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) não apresenta os percentuais nem a relação completa dos acionistas.

Família de dirigente de futebol e executivos comandam compradora do Guaicurus
Edmundo Pinheiro, filho de Hailé Pinheiro e presidente do grupo empresarial (Foto: Facebook/Divulgação)

Filho do dono – Embora não apareça diretamente no QSA (Quadro de Sócios e Administradores) da HP Mobilidade apresentado pela Receita Federal, Edmundo de Carvalho Pinheiro ocupa a principal posição na empresa que é dona da operadora. Ele é filho de Hailé Pinheiro e presidente do grupo empresarial que tem a HP Mobilidade como empresa central.

Em publicação recente, Edmundo afirmou trabalhar na companhia há 48 anos e se definiu como responsável pela presidência do grupo. Também atua nas discussões nacionais sobre financiamento, tarifas, renovação de frota e transição energética do transporte público.

A história empresarial da família começou com Hailé, apontado pela própria HP como fundador da transportadora. Fora das garagens, ele ficou conhecido pela atuação no futebol. Foi dirigente do Goiás Esporte Clube durante décadas. O estádio da Serrinha, em Goiânia, leva seu nome.

A família que chega ao mercado de Campo Grande já tem uma trajetória de mais de cinco décadas no transporte urbano goiano.

Engenheiro e diretor – O engenheiro Gustavo Bacellar de Faria aparece no cadastro da HP Mobilidade como representante legal da HP Investimentos. Na holding, ocupa o cargo de diretor.

Ele também atua como executivo do Grupo HP e CEO da GreenMob Capital, empresa criada para estruturar investimentos em mobilidade e renovação de frotas. Gustavo tem aparecido publicamente na implantação de ônibus elétricos e de outros veículos de baixa emissão em Goiânia.

Família de dirigente de futebol e executivos comandam compradora do Guaicurus
Entrevista com a diretora executiva da HP Mobilidade, Indiara Ferreira (Foto: Jornal Opção)

30 anos no transporte – Na administração direta da HP Mobilidade, o principal nome é o de Indiara Ferreira, apresentada pela empresa como diretora-presidente.

Indiara afirma ter dedicado 30 anos à gestão da transportadora. Em entrevista que concedeu em abril deste ano, defendeu investimentos em infraestrutura, tecnologia, energia limpa e eficiência operacional para evitar o colapso dos sistemas de ônibus.

Segundo ela, a responsabilidade da direção envolve desde a operação diária até o atendimento das demandas de passageiros, funcionários, governos e fornecedores. A executiva também tem defendido maior participação feminina nos cargos de comando de empresas ligadas ao transporte, setor que considera ainda predominantemente masculino.

Apesar do cargo de diretora-presidente, o QSA não identifica Indiara como sócia da HP Mobilidade. O vínculo apresentado é de administradora profissional.

Comando das operações – Hugo Santana de Moraes Santos também aparece como administrador da empresa e exerce o cargo de diretor de Operações.

Conforme o perfil profissional divulgado pelo executivo, ele acumula mais de 14 anos de experiência no transporte público, com atuação em inteligência de mercado, desenho de serviços e gestão operacional. É formado em Direito e possui especialização em gestão de negócios.

Hugo esteve envolvido na implantação do CityBus 2.0, serviço de transporte coletivo por demanda lançado em Goiânia, no qual o passageiro solicita a viagem por aplicativo. Nos últimos anos, também passou a representar a HP em anúncios sobre compra de ônibus e renovação da frota da Região Metropolitana de Goiânia.

Assim como Indiara, ele não aparece como proprietário no cadastro consultado pela reportagem, mas como executivo responsável pela administração cotidiana da companhia.

Na prática – Apesar do anúncio da negociação, a HP Mobilidade ainda não assumiu o transporte coletivo de Campo Grande. A operação permanece sob intervenção municipal, e a transferência das empresas do Consórcio Guaicurus depende da autorização da prefeitura.

O município informou que exigirá da compradora um plano com investimentos, cronograma de renovação da frota, ônibus com ar-condicionado, melhorias nos terminais e medidas para aumentar a qualidade do serviço. A prefeita Adriane Lopes afirmou que poderá rejeitar a transferência caso a proposta não seja considerada suficiente.

Também não foram divulgados o valor da negociação, a forma de pagamento, o percentual efetivamente adquirido nem eventuais condições impostas pelos vendedores.