“Bebês do Mounjaro”: a tirzepatida estimula realmente a fertilidade?
Muitas mulheres têm compartilhado nas redes sociais relatos de gravidez enquanto usavam medicamentos
Nos últimos meses, milhares de mulheres têm compartilhado nas redes sociais relatos de gravidez enquanto usavam medicamentos como Mounjaro, a tirzepatida, e Ozempic, a semaglutida. Os chamados “bebês do Ozempic” viraram assunto nas redes e até em mídias tradicionais, gerando tanto curiosidade quanto medo.
RESUMO
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O fenômeno dos "bebês do Ozempic" tem gerado discussões nas redes sociais, após relatos de mulheres que engravidaram durante o uso de medicamentos como Mounjaro e Ozempic. Especialistas esclarecem que estes medicamentos não aumentam diretamente a fertilidade, mas podem contribuir para a regulação hormonal através da melhora metabólica. Agências reguladoras internacionais alertam sobre possíveis interferências desses medicamentos com anticoncepcionais orais e recomendam métodos contraceptivos alternativos. A orientação médica é evitar o uso durante a gestação, sendo aconselhável associar outros métodos contraceptivos, especialmente nos primeiros três meses de tratamento.
Muita gente tem se questionado se os tratamentos usados para emagrecimento podem, de alguma forma, tornar a mulher mais fértil ou afetar a eficácia dos anticoncepcionais.
De acordo com a médica Krislere Gomes da Silva, é preciso separar experiências pessoais de orientação cientificamente embasada. “A injeção não promove fertilidade. Uma coisa não tem ligação com a outra”, pontua.
Segundo ela, há casos em que mulheres que começam a usar tirzepatida ou Ozempic relatam regulação hormonal e melhoras no ciclo menstrual. “O que acontece é um equilíbrio do organismo. A mulher perde peso, melhora a resistência à insulina, regula hormônios. Quando isso acontece, o corpo entra num parâmetro hormonal positivo”, explica.
A especialista reforça que a tirzepatida não age como método impulsionador de fertilidade, mas quando o corpo entra no “parâmetro hormonal positivo”, é comum que a função reprodutiva seja mais regular.
Esse processo pode fazer com que o ciclo menstrual fique mais regular e a ovulação aconteça de forma mais previsível, algo que já poderia ocorrer apenas com a melhora da saúde metabólica. “A mulher passa a ovular melhor, mas não é por causa da tirzepatida. É porque o metabolismo dela está organizado”, reforça.
Isso pode coincidir, especialmente, com o início do uso de medicamentos como a ozempic, levando algumas mulheres a associarem erroneamente a gravidez ao efeito direto da medicação.
Krislere ressalta que para mulheres que iniciam anticoncepcional ao mesmo tempo em que usam esses medicamentos, é possível que ocorram interferências, principalmente nos primeiros meses. “Eu indico que a mulher associe outro método contraceptivo pelo menos nos primeiros três meses. Se não quiser engravidar de jeito nenhum, o DIU ainda é o método mais seguro”, recomenda.
Relatórios da agência australiana TGA e a britânica MHRA, reforçam que não há dados suficientes sobre a segurança desses medicamentos em gestantes e indicam que eles devem ser evitados durante a gravidez e enquanto a mulher estiver tentando conceber.
Além disso, a TGA atualizou recentemente suas orientações para alertar que a tirzepatida pode reduzir a eficácia de anticoncepcionais orais, possivelmente por atrasar o esvaziamento gástrico, o que pode interferir na absorção de comprimidos hormonais. Por isso, recomenda-se o uso de contracepção não oral ou métodos de barreira por algumas semanas após iniciar ou alterar a dose do medicamento.
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