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Saúde e Bem-Estar

“Bebês do Mounjaro”: a tirzepatida estimula realmente a fertilidade?

Muitas mulheres têm compartilhado nas redes sociais relatos de gravidez enquanto usavam medicamentos

Por Clayton Neves | 15/01/2026 06:57
“Bebês do Mounjaro”: a tirzepatida estimula realmente a fertilidade?
Mounjaro possui como princípio ativo a tirzepatida (Foto: Freepik)

Nos últimos meses, milhares de mulheres têm compartilhado nas redes sociais relatos de gravidez enquanto usavam medicamentos como Mounjaro, a tirzepatida, e Ozempic, a semaglutida. Os chamados “bebês do Ozempic” viraram assunto nas redes e até em mídias tradicionais, gerando tanto curiosidade quanto medo.

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O fenômeno dos "bebês do Ozempic" tem gerado discussões nas redes sociais, após relatos de mulheres que engravidaram durante o uso de medicamentos como Mounjaro e Ozempic. Especialistas esclarecem que estes medicamentos não aumentam diretamente a fertilidade, mas podem contribuir para a regulação hormonal através da melhora metabólica. Agências reguladoras internacionais alertam sobre possíveis interferências desses medicamentos com anticoncepcionais orais e recomendam métodos contraceptivos alternativos. A orientação médica é evitar o uso durante a gestação, sendo aconselhável associar outros métodos contraceptivos, especialmente nos primeiros três meses de tratamento.

Muita gente tem se questionado se os tratamentos usados para emagrecimento podem, de alguma forma, tornar a mulher mais fértil ou afetar a eficácia dos anticoncepcionais.

De acordo com a médica Krislere Gomes da Silva, é preciso separar experiências pessoais de orientação cientificamente embasada. “A injeção não promove fertilidade. Uma coisa não tem ligação com a outra”, pontua.

Segundo ela, há casos em que mulheres que começam a usar tirzepatida ou Ozempic relatam regulação hormonal e melhoras no ciclo menstrual. “O que acontece é um equilíbrio do organismo. A mulher perde peso, melhora a resistência à insulina, regula hormônios. Quando isso acontece, o corpo entra num parâmetro hormonal positivo”, explica.

A especialista reforça que a tirzepatida não age como método impulsionador de fertilidade, mas quando o corpo entra no “parâmetro hormonal positivo”, é comum que a função reprodutiva seja mais regular.

“Bebês do Mounjaro”: a tirzepatida estimula realmente a fertilidade?
Krislere é médica e desvenda os mitos sobre mounjaro e gravidez. (Foto: Arquivo Pessoal)

Esse processo pode fazer com que o ciclo menstrual fique mais regular e a ovulação aconteça de forma mais previsível, algo que já poderia ocorrer apenas com a melhora da saúde metabólica. “A mulher passa a ovular melhor, mas não é por causa da tirzepatida. É porque o metabolismo dela está organizado”, reforça.

Isso pode coincidir, especialmente, com o início do uso de medicamentos como a ozempic, levando algumas mulheres a associarem erroneamente a gravidez ao efeito direto da medicação.

Krislere ressalta que para mulheres que iniciam anticoncepcional ao mesmo tempo em que usam esses medicamentos, é possível que ocorram interferências, principalmente nos primeiros meses. “Eu indico que a mulher associe outro método contraceptivo pelo menos nos primeiros três meses. Se não quiser engravidar de jeito nenhum, o DIU ainda é o método mais seguro”, recomenda.

Relatórios da agência australiana TGA e a britânica MHRA, reforçam que não há dados suficientes sobre a segurança desses medicamentos em gestantes e indicam que eles devem ser evitados durante a gravidez e enquanto a mulher estiver tentando conceber.

Além disso, a TGA atualizou recentemente suas orientações para alertar que a tirzepatida pode reduzir a eficácia de anticoncepcionais orais, possivelmente por atrasar o esvaziamento gástrico, o que pode interferir na absorção de comprimidos hormonais. Por isso, recomenda-se o uso de contracepção não oral ou métodos de barreira por algumas semanas após iniciar ou alterar a dose do medicamento.

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