Mesmo disponível em 22 unidades, adesão a "pílula anti-HIV" na Capital é baixa
Apesar de estarem disponíveis em 22 postos de saúde e no CTA, a adesão ainda é baixa

Se alguém te perguntar, você sabe responder o que é PrEP? A sigla significa profilaxia pré-exposição e dá nome a medicamentos para prevenção ao HIV disponíveis para qualquer pessoa com 15 anos ou mais.
RESUMO
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Campo Grande registra apenas 2.636 pessoas que já utilizaram a PrEP, medicamento antirretroviral com 99% de eficácia na prevenção ao HIV, disponível gratuitamente pelo SUS desde 2018. A capital conta com 22 unidades de saúde que distribuem o remédio, mas a demanda ainda é considerada baixa. O infectologista Roberto Braz alerta que o método é indicado para qualquer pessoa vulnerável ao HIV, não apenas para grupos específicos.
Funciona como um método de prevenção que une testagem de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) e uso de “pílulas anti-HIV”, antirretrovirais com 99% de eficácia contra o vírus que pode causar a aids. Mas, atenção: outras doenças podem ser contraídas se a prevenção não for reforçada de mais formas.
O número de pessoas que já usaram PrEP ou a usam regularmente, na Capital, é de 2.636. Ele se refere ao total registrado no sistema do CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) desde 2018, quando o remédio começou a ser distribuído na rede pública no Brasil.
Em dezembro de 2023, alguns postos de saúde começaram a oferecê-la também. A quantidade entre eles foi aumentando a cada ano, chegando a 22 atualmente e resultando numa descentralização que permite acesso mais fácil e rápido. Porém, a demanda ainda é muito baixa e, se somada ao público que já retirou no CTA, poderia nem chegar a 3 mil, segundo estima o médico infectologista do serviço de IST da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Roberto Braz.
No metrô e no shopping - Em São Paulo (SP), essas pílulas podem ser facilmente retiradas em totens que se parecem com máquinas de refrigerante e estão instalados em estações de metrô. A iniciativa tem sido apontada como uma das responsáveis pela redução de casos na cidade, segundo apurou o jornal BBC.
Em Campo Grande, algo parecido foi feito há alguns anos pelo projeto A Hora é Agora, que tem parceria com o Ministério da Saúde. A proposta foi colocar em armários instalados num shopping do Centro um kit com autotestes, PrEP e também PEP (profilaxia pós-exposição), aquela que pode ser feita quando a relação sexual ou um outro tipo de contato suspeito com o vírus já ocorreu.

Roberto lembra que a adesão foi baixa e os armários foram retirados por isso. Em contrapartida, a Sesau adotou outras estratégias como ir até as casas de pessoas já cadastradas em unidades de saúde e que acabam se expondo mais ao HIV, como os profissionais do sexo. “Lembrando que não se fala mais em grupos de risco, mas em situações de maior vulnerabilidade. O HIV pode atingir qualquer pessoa”, frisa o infectologista.
Essa proposta também acabou sendo abandonada porque os resultados ficaram abaixo do esperado. Hoje, a Sesau aposta em divulgar informações sobre a PrEP e a PEP durante campanhas realizadas em períodos de grande circulação de pessoas, como o Carnaval, além de eventos temáticos.
É para todos - Muita gente ainda acha que a PrEP é só para gays, na maioria homens que fazem sexo com homens, travestis e profissionais do sexo. Isso não está certo.
Roberto explica que esse pensamento pode ser “culpa” das primeiras campanhas de divulgação, que foram voltadas para esses públicos por serem os mais expostos devido a comportamentos de risco. Outro motivo para essa associação é por eles sofrerem maior estigma com relação à aids e ao HIV.
O infectologista reforça que qualquer pessoa que se sinta vulnerável ao HIV pode procurar o método, inclusive mulheres heterossexuais e pessoas que fazem uso de hormônios femininos. No caso desses dois últimos grupos, o esquema é diferente. Entenda:
- Mulheres cisgênero, pessoas trans ou não binárias designadas como sexo feminino ao nascer, e qualquer pessoa em uso de hormônio à base de estradiol, devem tomar o medicamento por pelo menos sete dias para atingir níveis de proteção ideais. Se a relação ocorrer antes dos sete dias iniciais de introdução da PrEP, medidas adicionais de prevenção são recomendadas;
- Homens cisgêneros, pessoas não binárias designadas como do sexo masculino ao nascer, e travestis e mulheres transexuais que não estejam em uso de hormônios à base de estradiol devem tomar uma dose de dois comprimidos de tenofovir desoproxila fumarato/emtricitabina (TDF/FTC) de 2 a 24 horas antes da relação sexual e outro comprimido 48 horas depois da primeira dose, no esquema chamado de 2+1+1 para alcançar níveis protetores do medicamento no organismo para relações sexuais. Estudos não apresentam evidências de proteção para relações sexuais com penetração em vaginas construídas cirurgicamente.
Onde encontrar em Campo Grande a PrEP e a PEP?
- UBSF (Unidade Básica de Saúde da Família) Macaúbas;
- UBS (Unidade Básica de Saúde) Jockey Club;
- UBSF Iracy Coel;
- UBSF Parque do Sol Distrito Centro;
- UBS 26 de Agosto Distrito Lagoa;
- UBSF Portal Caiobá
- UBS Caiçara;
- UBSF Tarumã;
- UBSF Santa Emília;
- UBSF Oliveira;
- UBSF Serradinho;
- UBSF Albino Coimbra;
- UBSF Silvia Regina;
- UBSF Estrela Dalva;
- UBSF Jardim Noroeste;
- UBSF José Tavares;
- UBSF Vila Nasser;
- UBSF Nova Lima;
- UBSF Moreninha III;
- UBSF Carlota;
- UBSF Universitária;
- UBSF Itamaracá.
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