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AGOSTO, SÁBADO  22    CAMPO GRANDE 16º

Saúde e Bem-Estar

Mesmo com Dia D, procura por vacinas é baixa e esbarra em rotina e desinformação

Secretaria de Saúde alerta que até 30% da população não se vacina em algumas faixas etárias

Por Jhefferson Gamarra, Fernanda Palheta e Inez Nazira | 22/08/2026 10:58
Mesmo com Dia D, procura por vacinas é baixa e esbarra em rotina e desinformação
Unidade de saúde do Jardim Noroeste com pessoas esperando vacinação neste sábado (Foto: Fernanda Palheta)

Mesmo com campanhas de vacinação, unidades abertas aos fins de semana e um Dia D com pontos espalhados por Campo Grande, a procura pela imunização ainda é considerada tímida neste sábado (22). Durante a mobilização realizada na Capital, profissionais de saúde relataram movimento abaixo do esperado, enquanto autoridades reforçaram que entre os principais desafios estão a falta de adesão da população, a rotina corrida e a desinformação sobre as vacinas.

RESUMO

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Campo Grande realizou neste sábado (22) o Dia D de vacinação, com 18 unidades de saúde e três pontos extras, mas a procura foi considerada tímida. Autoridades apontam desinformação e rotina corrida como principais barreiras. O secretário de Saúde alertou que entre 20% e 30% da população não se vacina em algumas faixas etárias. A campanha estadual segue até 1º de setembro, com foco em crianças e adolescentes menores de 15 anos.

No Mutirão Todos em Ação, realizado no Bairro Oliveira III, a Prefeitura concentrou serviços de diferentes áreas e também disponibilizou todas as vacinas previstas para atualização da caderneta. A prefeita Adriane Lopes (PP) destacou que ações realizadas aos sábados facilitam o acesso de moradores que não conseguem procurar as unidades durante a semana.

“No mutirão são feitos trabalhos a mais do que é feito normalmente nas unidades de saúde. No sábado, abrimos uma possibilidade dentro de um programa social como esse, e as pessoas aproveitam. Estamos vendo, por exemplo, uma fila de pessoas sendo imunizadas”, afirmou.

Apesar do movimento registrado no local, a prefeita reconheceu que a vacinação ainda precisa ser reforçada. Segundo ela, o convite para que a população procure os serviços de saúde é constante, mas muitas pessoas acabam adiando a atualização da caderneta.

Mesmo com Dia D, procura por vacinas é baixa e esbarra em rotina e desinformação
Prefeita Adriane Lopes (PP) durante participação do mutirão "Todos em Ação" neste sábado (Foto: Paulo Francis)

“O convite para a população procurar as unidades de saúde é recorrente, constante e ininterrupto, mas muitas vezes as pessoas acabam deixando para depois. Por isso, o secretário de Saúde está aqui conosco hoje, conversando com as pessoas e incentivando a busca pela imunização”, disse.

Para Adriane, ampliar a cobertura vacinal também tem impacto sobre a própria estrutura de saúde. “Quando aumentamos a vacinação, também conseguimos diminuir as filas nas unidades de saúde e nos hospitais”, afirmou.

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, ressaltou que a vacinação integra as ações permanentes de prevenção e atenção básica e não depende apenas de campanhas específicas. Segundo ele, todas as unidades básicas de saúde participam do trabalho de orientação e oferta dos imunizantes.

“A vacinação faz parte da prevenção, da vigilância e da atenção básica. Existem campanhas realizadas em todas as unidades básicas de saúde e em toda a região de Campo Grande. Existe um trabalho técnico para envolver a população e mostrar a responsabilidade de se vacinar, porque, com a vacinação, estamos prevenindo doenças que podem causar mortes ou problemas de saúde mais graves”, afirmou.

Mesmo com Dia D, procura por vacinas é baixa e esbarra em rotina e desinformação
Secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, ressaltou a importancia da vacinação (Foto: Paulo Francis)

De acordo com o secretário, mesmo fora das mobilizações especiais, há atendimento aos fins de semana. “Aqui é um mutirão, então nós participamos da ação e trazemos todas as vacinas. Mas, nos finais de semana, também temos pelo menos cinco unidades abertas com ações de prevenção e vacinação”, explicou.

Ainda assim, a baixa adesão não é uma realidade exclusiva da Capital. Vilela afirmou que o problema é observado em diferentes partes do mundo e que Campo Grande, apesar de apresentar os melhores indicadores de vacinação de Mato Grosso do Sul, ainda possui uma parcela significativa da população sem a imunização esperada em determinadas faixas etárias.

“O que está acontecendo hoje no mundo inteiro, e não apenas em Campo Grande, é que as pessoas não estão aderindo às campanhas de vacinação como deveriam. Esse é um trabalho nosso de promoção da saúde”, disse.

Segundo ele, em algumas faixas etárias, entre 20% e 30% da população não está se vacinando. “Campo Grande é a cidade do Mato Grosso do Sul que apresenta os melhores indicadores de vacinação. Mesmo assim, os números mostram que entre 20% e 30% da população não está se vacinando em algumas faixas etárias, e isso nos preocupa”, afirmou.

Mesmo com Dia D, procura por vacinas é baixa e esbarra em rotina e desinformação
Adolescente sendo vacinada durante mutirão no Bairro Oliveira (Foto: Paulo Francis)

Rotina ainda atrasa vacinação - Entre os moradores que aproveitaram o sábado para atualizar a caderneta, a falta de tempo durante a semana apareceu como um dos principais motivos para deixar a vacinação para depois.

A recepcionista Nathalia Flores Martins, de 31 anos, contou que descobriu que o Dia D seria realizado neste sábado e aproveitou a folga para levar o filho ao posto. Moradora recente da região, ela disse que a mobilização facilitou a tarefa.

“Eu estou morando aqui recentemente e descobri que hoje é o Dia D de vacinação. Como estou de folga, aproveitei para fazer essas coisas que a gente não consegue resolver durante a semana. Trouxe ele para tomar as vacinas que estão precisando de reforço”, relatou.

Nathalia também citou a preocupação com doenças que voltam a registrar circulação como uma das razões para manter a vacinação em dia.

“A gente sabe que estão acontecendo alguns surtos, como de sarampo, então é mais uma forma de cuidar e manter a vacinação em dia”, afirmou.

A artesã Thamiris de Oliveira, de 34 anos, também aproveitou o sábado para resolver mais de uma pendência. Ela levou o filho para conferir a caderneta e também recebeu a vacina contra a gripe, que estava atrasada.

“Eu aproveitei que tinha esse evento para fazer vários serviços. Vim para organizar a caderneta de vacinação do meu filho, porque algumas vacinas acabaram passando por causa da rotina, e também para tomar a vacina da gripe, que está atrasada”, contou.

Para ela, a realização de ações aos sábados facilita a participação das famílias. “A gente trabalha, tem a rotina e a escola das crianças, então muitas vezes não consegue ir durante a semana. Ter um evento como esse no sábado ajuda bastante, porque a família consegue vir com mais calma e resolver várias coisas de uma vez”, disse.

Mesmo com Dia D, procura por vacinas é baixa e esbarra em rotina e desinformação
Professora Evellyn Virgini Ortigoza, de 29 anos, que foi vacinar a filha e aproveitou para atualizar a caderneta (Foto: Paulo Francis)

A professora Evellyn Virgini Ortigoza, de 29 anos, levou a filha Elloá Luiza Ortigoza Andrade, de 10 anos, que também aproveitou a mobilização para se imunizar. A menina recebeu as vacinas contra gripe e HPV.

“Eu vim para me prevenir e me proteger. Hoje vou tomar a vacina da gripe e do HPV. Eu já vim preparada, sabendo que iria tomar as vacinas. Acho importante porque ajuda a gente a não ficar doente e também prepara o nosso organismo para prevenir doenças. É uma forma de se proteger”, afirmou Elloá, com autorização da mãe.

Desinformação também afasta - No Jardim Noroeste, um dos bairros mais populosos de Campo Grande, o movimento em uma UBSF também estava abaixo de um cenário de grande mobilização. Durante a manhã, apenas três famílias com crianças estavam no local no momento da reportagem.

A encarregada de obras Jaqueline Vilhaga Ribeiro, de 36 anos, moradora do bairro, levou a filha Agnes, de 6 anos, para verificar a situação da caderneta e saber se havia alguma dose pendente.

Mesmo com Dia D, procura por vacinas é baixa e esbarra em rotina e desinformação
Jaqueline dando suporte para a filha Anges ser vacinada (Foto: Fernanda Palheta)

Para Jaqueline, além da rotina, a desinformação contribui para afastar parte da população das vacinas. Ela afirmou que informações falsas podem levar pessoas a acreditar que os imunizantes fazem mal.

“Eu acho que é mais a desinformação. A pessoa acaba passando uma versão errada da vacina, acha que a vacina faz mal. Mas, se ela fizesse mal, as crianças não estariam com a saúde tão elevada. A vacina vem para tirar uma doença”, afirmou.

Segundo ela, o hábito de manter a vacinação em dia também foi aprendido dentro da própria família. “Vem de família. Minha mãe sempre fala que vacinação tem que estar em dia, porque senão acaba pegando outra doença”, contou.

Quando questionada sobre como seria a situação sem a vacinação, a filha Agnes respondeu de forma direta: “morto”.

Mesmo com Dia D, procura por vacinas é baixa e esbarra em rotina e desinformação
Dona de casa Ana Paula de Souza aproveitou sábado para levar filha e sobrinho, mas vacinação deles estavam em dia (Foto: Fernanda Palheta)

Caderneta em dia evita doses desnecessárias - A dona de casa Ana Paula de Souza Mendes, de 38 anos, levou o filho Lucas, de 13 anos, e a sobrinha Natália, de 8 anos, ao posto. Após a avaliação das cadernetas, porém, nenhum dos dois precisou receber vacina.

Ela afirmou que costuma acompanhar o calendário e levar os filhos às campanhas e quando identifica alguma dose prevista para determinada idade.

“Eu sempre venho, tanto nas campanhas como de vez em quando. É o que eu vejo no marcado lá: tem que tomar com 12, com 11, eu já trago”, explicou.

Ana Paula também demonstrou ter procurado informações sobre a Pneumo 20, vacina incorporada ao SUS neste ano, mas descobriu que o imunizante não era indicado para o filho na situação apresentada.

Ela contou ainda que o marido está com a caderneta desatualizada e atribuiu a resistência dele ao medo de injeção.

“Meu marido não está com a caderneta em dia. Porque é medroso. Eu não sei por que os homens têm medo de injeção. Eu falei para ele vir, mas ele falou que não. Leva só as crianças, mas eu vou trazer ele de tarde”, relatou.

Para Ana Paula, o próprio sábado seria uma oportunidade para quem ainda não atualizou a vacinação. “Eu acabei de falar para o meu filho que o povo devia aproveitar. Sábado, está em casa, está de boa, está vazio”, afirmou.

Mesmo com Dia D, procura por vacinas é baixa e esbarra em rotina e desinformação
Técnico em enfermagem Rudson Cedrão confirmou que a procura durante a manhã estava abaixo do esperado (Foto: Fernanda Palheta)

Frio pode ter influenciado movimento - No ponto de vacinação do Jardim Noroeste, o técnico em enfermagem Rudson Cedrão confirmou que a procura durante a manhã estava abaixo do esperado. Segundo ele, apenas 14 pessoas haviam procurado o local para vacinação até aquele momento.

“Não está sendo muito efetiva a procura hoje. Só que, no decorrer do tempo também, até de manhã estava frio. Começou a chegar o público agora”, afirmou.

Para o profissional, a temperatura mais baixa registrada durante a manhã pode ter contribuído para o movimento reduzido. A expectativa era de aumento da procura com a elevação da temperatura ao longo do dia.

“Às vezes essa procura também hoje diminuída até agora é por causa do tempo. O frio, o pessoal fica um pouco mais em casa. Agora, quando saiu o sol e começou a esquentar, provavelmente a procura vai ser bem grande agora no período da tarde”, disse.

Segundo Rudson, a mobilização disponibiliza as vacinas previstas no calendário e atende diferentes públicos, conforme a indicação de cada imunizante. “Tem disponível todas as vacinas. Desde Covid, gripe, que é a campanha, a campanha da Covid também”, explicou.

No Mutirão Todos em Ação, a vacinação permanecerá disponível durante todo o período da atividade, sem uma quantidade limitada de doses destinada especificamente ao evento. O atendimento segue enquanto a mobilização estiver em andamento.

A campanha estadual de atualização da caderneta segue até 1º de setembro e tem como público principal crianças e adolescentes menores de 15 anos. Neste sábado, o Dia D ocorre nos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, além do Mutirão Todos em Ação, a vacinação foi disponibilizada em 18 unidades de saúde e três pontos extras.

A proposta é identificar doses atrasadas ou esquemas incompletos e aplicar apenas os imunizantes indicados após a avaliação da caderneta. A orientação das equipes é que pais, mães e responsáveis levem o documento para conferência.