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Campo Grande, Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2019

29/12/2011 07:05

A carreira do desenvolvimento

Por Luiz Gonzaga Bertelli*

A engenharia é a carreira símbolo do desenvolvimento e do crescimento econômico de uma nação. Quando o mercado está aquecido, a demanda por profissionais da área aumenta exponencialmente por conta das necessidades de infraestrutura para construção civil, transporte, produção industrial, setor de energia, sistemas de informação e pesquisa e desenvolvimento. Como o Brasil vive hoje uma boa fase, a demanda por engenheiros também aumentou sobremaneira. Só que não encontra resposta no mercado de trabalho, que registra um apagão dessa mão de obra, muito disso fruto do desinteresse dos estudantes por essa graduação nas últimas décadas, quando a estagnação econômica forçou os engenheiros formados a buscar alternativas em outras áreas, como a financeira e a administrativa.

Hoje o cenário mudou, mas os profissionais que se afastaram da carreira pouco podem fazer, já que não acompanharam o acelerado crescimento tecnológico da área nos últimos anos e os cursos de engenharia registraram queda no número de matrículas. Com a escassez de profissionais, o salário sobe. Por exemplo, um engenheiro iniciante pode começar sua trajetória profissional na área de energia com rendimentos mensais de R$ 7 mil e, em pouco tempo, atingir a faixa dos R$ 30 mil. Apesar desse incentivo, muitos estudantes, na hora de optar pela carreira, fogem da engenharia por causa da matemática – disciplina mais odiada do ensino básico, principalmente devido a professores mal preparados.

Em relação ao número de formados por ano, o Brasil está muito aquém das necessidades, principalmente se comparado aos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Mas os números da Fuvest para os vestibulares deste ano trazem um alento: a o curso de engenharia civil na USP-São Carlos superou a medicina como o curso mais procurado, com o índice de 52 candidatos inscritos por vaga.

Mas nada disso atenua a urgência de investir na formação de professores de qualidade para a educação básica e, com um ensino forte e de qualidade, informar os jovens sobre os atrativos e a importância da engenharia. Essa percepção poderá, ainda, ser reforçada se, durante o curso, o aluno tiver a sorte de contar com uma oportunidade de estágio para vivenciar a prática da profissão e chegar, com mais bem capacitado, para conquistar um emprego e contribuir mais cedo para o desenvolvimento nacional.

(*) Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.

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Embora concorde com a maioria do que disse o Sr. Luiz Gonzaga, faço um questionamentio pertinente: É fato que as empresas estejam carentes de Engenheiros, mas nenhuma paga aquilo que por ele foi dito. Não existem salários no Brasil, para engenheiro recém formados na faixa de 7 mil reais. Ainda vivemos no "mais barato é melhor". Desafio mostrar quem contrata eng recem-formado nessas condições!
 
Guilherme Campos em 29/12/2011 04:35:39
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