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Campo Grande, Domingo, 24 de Junho de 2018

04/01/2017 09:10

A economia e as guerras

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Os países endividados, mal geridos e com população sem preparo como o Brasil que se cuidem, pois terão seus recursos cobiçados. Desde a República, proclamada em 1889, os governantes pouco se esforçaram para forjar um país independente, com população bem preparada para a vida, apto a evoluir. Foram 500 anos de atividade predatória, mas nos últimos 127 anos de República mal concebida, com o Estado atrelado a interesses particulares, o país ficou longe da melhora real.

Com mais de 12 milhões desempregados, deixam de circular de sete a dez bilhões de reais ao mês com seu efeito dinâmico que emperra as engrenagens da economia. Economistas precisam focar nesse problema que é mundial, buscando alternativas antes que seja tarde demais. Como consequência, vai sendo desconstruída a nacionalidade, o idioma, a indústria, os rios, as novas gerações. Enquanto a Venezuela foi desconstruída em decorrência do voluntarismo de seu comando, no Brasil a desconstrução roubou a fibra, e a população não sabe mais qual o potencial do país e nem tem preparo para aproveitar esse potencial para o bem geral.

O economista Angus Deaton, ganhador do prêmio Nobel, disse que a globalização não está agonizando e que trouxe muitos benefícios. Ele tem razão; após a globalização algumas coisas melhoram nesse mundo que até fins do século 19 admitia o trabalho escravo como fator de produção. Mas a humanidade está doente e os culpados são os próprios seres humanos que se afastaram das leis naturais, tateando com seu cérebro dominador sem se esforçar para ouvir a voz interior, que é a intuição com sua conexão com esferas mais elevadas. Em sua restrição, o cérebro criou teorias e armadilhas, mas a essência dos males está na falta da espiritualidade e no domínio do egoísmo e sede de poder. Segundo o economista, as coisas poderão piorar ainda mais com a chegada dos robôs para substituir o trabalho humano.

Os países da América Latina enfrentam redução na atividade econômica e queda na arrecadação, o que mostra bem a situação crônica de descontrole financeiro na região; uma questão que deveria ter exigido do FMI melhor supervisão, pois rotineiramente os déficits impõem aumento de sacrifício, refletindo-se na educação e preparo das novas gerações, o que ao final representa declínio geral pela perda no capital humano.

Os grandes desafios globais para 2017: desequilíbrios nas relações econômicas, ficando uns com a parte do leão e outros com o osso, e que se agrava com o declínio na educação, além do custo elevado do dinheiro e descontrole das contas internas e externas dos países constituídos sem estadistas competentes. O mundo poderia ser muito melhor, sem miséria nem doenças, sem a degradação que aflige a humanidade.

Para que a democracia evolua continuadamente é necessário o bom preparo das novas gerações para a vida; na falta disso, irá retroceder. O mundo enfrenta grande volume de liquidez concentrado em poucas mãos conjugado com capacidade ociosa. Desemprego. Estados endividados. Revoltas. Limitação de recursos naturais. A desordem econômica é geral.

O mundo vive a precarização e se desumaniza. Será que os intelectuais imaginam que, como no passado a economia se fortaleceu com guerras apesar do grande número de vítimas, isso possa ser replicado outra vez? Insensatez, pois agora são outras as condições. Sem saída à vista, o cenário atual vai ficando cada vez mais perigoso.

Se não houver objetivos claros para alcançar a melhora com a união de todos, continuaremos deslizando para baixo, deixando os recursos naturais existentes para desfrute dos especuladores globais. De um lado há a precarização geral e, de outro, ampliação do apagão espiritual e mental. Temos de reumanizar a vida. O ano novo de 2017 é a grande oportunidade para sair do marasmo e da restrição do raciocínio imediatista que impede de enxergar a realidade da vida e de assumir a responsabilidade pela melhora geral.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, articulista, palestrante e escritor

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