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Campo Grande, Sábado, 19 de Outubro de 2019

14/09/2019 13:00

A força do comprometimento

Por Milena Fiuza (*)

A educação formal realizada por instituições de ensino não é tarefa individual, e sim coletiva. Isoladamente, ainda que haja competência e boas intenções, os resultados do trabalho educacional são quase sempre limitados. Uma escola se distingue de outra em virtude do maior ou menor grau de comprometimento entre professor e escola, entre professor e aluno, escola e família, entre alunos, professores. Quando essas relações estão desafinadas, por melhor que seja o desempenho particular de cada indivíduo, sempre haverá perdas.

Mais do que energia, a atividade educativa necessita de sinergia. Um grande desafio da gestão é atingir alto nível de comprometimento das pessoas em relação aos objetivos de uma escola. Não se trata de um compromisso, que é entendido e relacionado apenas àquilo que é feito, o comprometimento refere-se a como se faz, ou seja, este último é composto do que se faz e como se faz. Assim sendo, o comprometimento é mais amplo e, consequentemente, mais valioso que o compromisso.

O comprometimento inclui movimento ativo por parte do sujeito; estar comprometido com determinado objetivo significa total envolvimento voluntário – não existe sem que haja vontade particular, sem a disposição em realizar algo. Comprometimento é um contrato que se faz consigo mesmo, cuja cláusula principal é oferecer aquilo que há de mais refinado em si, para atingir um objetivo comum a todos (ou não).

As conquistas, assim como o sucesso em gestão, surgem essencialmente no campo da aspiração, da intenção, na imaginação – e se realizam por meio do comprometimento com essa utopia. Pessoas comprometidas são decididas, ousadas. É necessária, evidentemente, sempre uma boa dose de otimismo, coragem e entusiasmo quando se está genuinamente comprometido com um propósito. Sem essas características, possivelmente existirá apenas envolvimento.

Não raro se ecoa a máxima de que é preciso que todos vistam a camisa da instituição. A ideia de vestir a camisa parece mais conversa de gente apenas envolvida que quer aparentar ser comprometida! Quando se está verdadeiramente comprometido com um projeto, a camisa que se vai usar é o que menos importa. Relevante mesmo será é o sentimento percorrendo nas veias e irrigando o coração a ponto de fazer mover algo com que se está empenhado. É fundamental trocar a camisa todos os dias, às vezes até mais de uma vez por dia. Saber compor a melhor vestimenta, eis um diferencial de quem é comprometido!

(*) Milena Kendrick Fiuza é gerente pedagógica do Sistema Positivo de Ensino.

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